- A micromobilidade elétrica no Brasil cresce rapidamente, com 212 mil bicicletas elétricas ativas e mercado projetado de US$ 640 milhões até 2030, impulsionando demanda por minerais estratégicos.
- Baterias e chassis desses veículos consomem cobre, níquel, lítio, cobalto e alumínio, com composição variável conforme a tecnologia (NMC, LFP ou íon-sódio) utilizada em cada equipamento.
- A reciclagem de bicicletas e patinetes descartados emerge como alternativa para suprir demanda de metais críticos sem expandir a extração mineral, recuperando materiais já em circulação urbana.
A micromobilidade elétrica – uso de veículos leves e compactos movidos por bateria – cresce no Brasil, seguindo as tendências internacionais. De acordo com a Aliança Bike, entidade que reúne empresas do setor ciclístico no Brasil, somente as bicicletas elétricas já somariam 212 mil veículos ativos no país. Esse nicho sozinho representou um mercado de US$ 393,7 milhões em 2024 e movimentará, pelas previsões da consultoria Grand View Research, cerca de US$ 640 milhões até 2030.

Na Europa, os patinetes elétricos representam o maior serviço de mobilidade compartilhada, tanto em número de viagens quanto de veículos. A participação de mercado das bicicletas elétricas de propriedade privada também tem aumentado significativamente: em alguns países, elas são mais da metade de todas as bicicletas novas vendidas.
Vantagens e desafios da micromobilidade elétrica
Seja onde for adotada, a micromobilidade elétrica é vista como uma oportunidade para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e descarbonizar o transporte, especialmente em áreas urbanas, onde pode substituir automóveis e veículos de transporte em massa (ônibus e trens).

A produção desses veículos leves envolve o uso de matérias‑primas minerais de alta relevância econômica, concentradas sobretudo nas baterias. Nesse conjunto, cobre e níquel se destacam como insumos estratégicos — e, em alguns contextos internacionais, também classificados como críticos — embora apresentem cadeias de suprimento mais diversificadas do que as de outros minerais empregados nessas tecnologias, como lítio e cobalto.
Além dos dois citados, as baterias precisam de lítio, cobalto, manganês e antimônio entre os principais minerais estratégicos e críticos.
Reciclagem de metais
A presença desses minerais varia de acordo com a tecnologia específica da bateria. As do tipo NMC, por exemplo, contêm níquel, manganês e cobalto. Já as baterias do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio) não utilizam cobalto nem níquel, mas contêm ferro e podem exigir maiores quantidades de cobre e lítio. Outras tecnologias também podem incluir o alumínio ou a substituição do lítio por sódio, no caso das baterias de íon-sódio.
Os chassis dos veículos leves também são grandes consumidores de metais. Os patinetes elétricos, por exemplo, contêm quantidades significativas de alumínio, considerado uma matéria-prima crítica pela União Europeia, mas não no Brasil, onde é abundante. Uma alternativa apontada por especialistas para suprir este mercado é aproveitar os produtos em fim de vida útil descartados nas cidades. Neste caso, as baterias e as estruturas de patinetes e bicicletas elétricas funcionariam como fontes secundárias de matérias-primas valiosas. Em vez de extrair novos minerais da natureza, a ideia é recuperar e reciclar os materiais críticos e estratégicos que já estão em circulação para a fabricação de novos veículos.