A demanda mundial por minerais segue em alta e, segundo a consultoria Precedence Research, o setor deve crescer, em média, 15% ao ano até 2034. Para atender a esse avanço, será necessário expandir a infraestrutura logística. O desafio é que esse movimento também pode aumentar a emissão de gases de efeito estufa (GEE).
Diante disso, o setor mineral tem se antecipado ao problema e busca alternativas, de acordo com reportagem do portal Neofeed. Para o professor Paulo Assis, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), o transporte sustentável é uma saída estratégica. Segundo ele, a instituição desenvolve projetos de logística sustentáveis.
Entre as iniciativas da Ufop está o desenvolvimento de um concreto asfáltico ecológico feito com resíduos de processamento de minério de ferro. A meta é reduzir a pegada de carbono no transporte rodoviário. A proposta é que a aplicação comece com as próprias mineradoras, que poderiam usar o novo material em suas estradas internas. A redução da pegada de carbono ocorre porque os resíduos eliminam ao menos 50% do uso de cimento em comparação a uma estrada tradicional de concreto.
Outra frente de redução de GEE envolve a eletrificação de frota, com diversas iniciativas focadas na adoção de caminhões fora-de-estrada elétricos. Esses veículos ainda podem ser automatizados completamente, ou seja, movem-se sem a presença de um motorista. Nesse caso, os custos operacionais caem 10% e as perdas de produção são reduzidas em 20%.
O maior exemplo está na Mongólia, onde uma mina de carvão opera uma frota com 100 caminhões elétricos e autônomos, a maior desse tipo no mundo. Os veículos contam com troca inteligente de bateria e conectividade 5G. A expectativa é de que a operação deixe de emitir cerca de 48 mil toneladas de CO2 por ano em comparação a uma frota convencional movida a diesel.
No transporte transatlântico de cargas, um dos destaques da descarbonização é o navio Sohar Max, que faz parte das opções de fretamento da Vale para transporte de minério de ferro do Brasil até clientes na Ásia. A embarcação, pertencente à armadora Asyad, de Omã, é considerada o maior navio do mundo com propulsão eólica. A força dos ventos é usada nele a partir da instalação de cinco rotores cilíndricos (rotor sail), que funcionam como uma vela inovadora.

Eles giram para criar uma diferença de pressão a fim de mover o navio para a frente, a partir de um fenômeno conhecido como efeito Magnus. O uso dessa tecnologia permite reduzir o consumo de combustível do motor principal da embarcação quando as condições de vento são favoráveis, sem comprometer velocidade ou tempo de viagem.
Com 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro, as velas diferenciadas custaram US$ 13 milhões, mas permitem uma redução anual de 3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2), além de adicionarem 6% em ganhos de eficiência. Os resultados finais de melhoria ainda estão em refinamento e podem ser até maiores.
Dúvidas mais comuns
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O setor mineral adota diversas soluções sustentáveis, incluindo caminhões fora-de-estrada elétricos e autônomos, que reduzem custos operacionais em 10% e perdas de produção em 20%. No transporte transatlântico, destaca-se o uso de navios com propulsão eólica, como o Sohar Max, que utiliza rotores cilíndricos inovadores. Além disso, há iniciativas de pavimentação com concreto asfáltico ecológico feito com resíduos de minério de ferro, que reduz em 50% o uso de cimento em comparação às estradas tradicionais.
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Os caminhões elétricos autônomos eliminam completamente a necessidade de motoristas, operando com troca inteligente de bateria e conectividade 5G. O maior exemplo é a mina de carvão na Mongólia, que opera uma frota de 100 caminhões elétricos autônomos, a maior do mundo, deixando de emitir aproximadamente 48 mil toneladas de CO2 por ano em comparação a uma frota convencional movida a diesel.
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O efeito Magnus é um fenômeno físico que cria uma diferença de pressão quando objetos cilíndricos giram em um fluxo de ar ou água. No navio Sohar Max, cinco rotores cilíndricos (rotor sail) com 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro giram para aproveitar esse efeito, funcionando como velas inovadoras que reduzem o consumo de combustível do motor principal quando as condições de vento são favoráveis.
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O navio Sohar Max reduz anualmente 3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) e adiciona 6% em ganhos de eficiência energética através de sua tecnologia de propulsão eólica. Embora os rotores cilíndricos tenham custado US$ 13 milhões, a tecnologia permite reduzir o consumo de combustível sem comprometer a velocidade ou o tempo de viagem, com resultados finais que ainda estão em refinamento e podem ser ainda maiores.
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O concreto asfáltico ecológico desenvolvido pela Universidade Federal de Ouro Preto utiliza resíduos de processamento de minério de ferro, eliminando ao menos 50% do uso de cimento em comparação a uma estrada tradicional de concreto. Essa solução reduz significativamente a pegada de carbono no transporte rodoviário e pode ser aplicada inicialmente nas estradas internas das próprias mineradoras.
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O setor mineral enfrenta o desafio de atender à demanda mundial crescente, com previsão de crescimento de 15% ao ano até 2034, o que exige expansão da infraestrutura logística. Simultaneamente, esse crescimento pode aumentar as emissões de gases de efeito estufa, levando o setor a se antecipar ao problema e buscar alternativas sustentáveis que reduzam o impacto ambiental enquanto mantêm a eficiência operacional.
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Os caminhões autônomos oferecem benefícios econômicos significativos, com redução de 10% nos custos operacionais e diminuição de 20% nas perdas de produção. Essas melhorias, combinadas com a eliminação de emissões de CO2, tornam a tecnologia uma solução estratégica tanto para sustentabilidade ambiental quanto para viabilidade econômica das operações de mineração.
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O navio Sohar Max faz parte das opções de fretamento da Vale para transporte de minério de ferro do Brasil até clientes na Ásia. A embarcação, pertencente à armadora Asyad de Omã, é considerada o maior navio do mundo com propulsão eólica e representa uma solução inovadora para descarbonizar o transporte transatlântico de cargas no setor mineral.