Ilustração de mineração de minerais críticos essenciais para energia renovável, com painéis solares e turbinas eólicas ao fundo, destacando a necessidade de modernizar redes de transmissão.
Mineração integrada a fontes renováveis ilustra o papel dos minerais críticos na expansão da infraestrutura elétrica (Ilustração digital)

Mineração assume papel de destaque na descarbonização global

Presentes em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e data centers, minerais como níquel, cobalto, lítio e cobre são essenciais para a transição energética

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 13/02/2026

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O setor de mineração vive um momento decisivo. Se por um lado suas operações representam até 7% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, por outro, a transição energética é impossível sem ele. Mais do que um desafio de mitigação, o setor é a fonte primária dos minerais críticos necessários para um futuro de baixo carbono.

Apelidados de ‘novo petróleo’, minerais como níquel, cobalto, lítio e cobre são fundamentais para garantir as tecnologias necessárias para a transição energética. A Agência Internacional de Energia (IEA), por exemplo, prevê que para atingir emissões líquidas zero, a demanda por cobalto e elementos de terras raras também crescerá, aumentando entre 50% e 60% até 2040. O cobre é o material com o maior mercado estabelecido, e a previsão conservadora é de que sua demanda cresça 30%. Além disso, sem mineração, não haverá silício para painéis solares, nem aço para turbinas eólicas, ou lítio, cobalto e níquel para veículos elétricos.

Três cenários

A IEA traçou três cenários, ressaltando que a aceleração da implantação de energia renovável exige a modernização das redes de distribuição e o estabelecimento de novos corredores de transmissão para conectar recursos renováveis ​​que estão distantes de centros de demanda, como cidades e áreas industriais. Mas, em todas as perspectivas, os chamados minerais críticos são definidos como essenciais.

Em suas projeções, a IEA prevê uma forte expansão nas vendas globais de veículos elétricos. Até 2030, o volume deve mais que triplicar (na comparação com dados globais de 2023, que apontavam para a venda de 14 milhões de unidades). Isso significa que nos cenários Steps (Políticas Declaradas) e APS (Compromissos Anunciados), o mercado atingiria cerca de 45 milhões e 50 milhões de unidades, respectivamente. No cenário mais ambicioso, o NZE (Net Zero), as vendas globais de veículos elétricos (EVs) precisam atingir uma participação de mais de 60% ou 65% do total de vendas de carros até 2030 para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Se no cenário conservador, a previsão de demanda por cobre é de 30%, em um contexto de emissões zero (NZE) a demanda aumentaria 50% até 2040, enquanto a necessidade de níquel, cobalto e elementos de terras raras dobraria, e a demanda por grafite quadruplicaria no mesmo período, impulsionada pelo aumento substancial na implantação de baterias para veículos elétricos e armazenamento em rede. De todos os minerais, o lítio se destaca com um crescimento de oito vezes até 2040, evidenciando seu papel essencial nas baterias.

Os detalhes destes cenários podem ser consultados na versão atualizada do IEA Critical Minerals Data Explorer.

Descarbonização do setor de mineração

Diante da necessidade inquestionável dos minerais críticos na transição energética e do forte aumento de demanda,, o setor de mineração se preocupa, cada vez mais, em descarbonizar suas atividades e minimizar seus impactos.

Uma das estratégias das empresas é reduzir as emissões dos escopos 1 e 2, como a Fortescue vem fazendo. Segundo a Reuters, a empresa se comprometeu a eliminar as emissões terrestres de suas operações de mineração de minério de ferro em uma área de 87.000 km² na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. E pretende atingir esse marco não em 2050, mas em 2030.

“Queremos ser o exemplo e demonstrar que é possível. Isso implica a implementação desse plano de uma maneira inovadora e não convencional”, disse Dino Otranto, CEO da Fortescue Metals, à agência de notícias

A primeira etapa da descarbonização da Fortescue foca na substituição da matriz de diesel e gás por energia limpa. Segundo o CEO, o plano contempla a instalação de até 3 GW de capacidade eólica e solar, apoiada por sistemas de armazenamento de energia (baterias). 

Além disso, a empresa desenvolveu diversos projetos para os trens utilizados no transporte de minério de ferro ao longo da malha ferroviária de 760 km que liga suas minas em Pilbara a Port Hedland, na costa da Austrália Ocidental, de onde o minério é enviado para os mercados globais. Um deles aproveita a energia gravitacional enquanto os trens descem 400 metros de altitude em sua jornada, evitando o consumo de diesel fóssil.Durante a descida, os motores armazenam energia, por meio da tecnologia de baterias regenerativas. A empresa também utiliza veículos elétricos e movidos à amônia. 

De acordo com Otranto, os benefícios vão além da descarbonização, uma vez que as fontes de geração renovável se mostram mais econômicas (financeiramente) ao longo do tempo.

A mesma opinião é compartilhada por Matthew Tilleard, sócio-gerente da desenvolvedora de energias renováveis CrossBoundary Energy. 

Tilleard cita como exemplo a mina de cobre de Kamoa, o maior complexo de mineração de cobre da África, que irá adquirir energia de base de um sistema de geração solar e armazenamento, a ser construído e operado pela ​​CrossBoundary Energy. A Kamoa não terá custos iniciais, pagando apenas pela eletricidade que receber ao longo da vigência do contrato com a CrossBoundary. 

O acordo deverá reduzir as emissões de carbono da mina em cerca de 78.750 toneladas por ano. A empresa construirá um conjunto de painéis solares de 222 megawatts (MW) e um enorme sistema de baterias para garantir 30 MW de energia de base. “Mas o que isso significa é que estamos fornecendo energia confiável, energia de base, totalmente livre de carbono, a um preço mais barato que o do diesel”, disse Tilleard.