Ilustração de uma nuvem de CO2, simbolizando sustentabilidade, economia circular, emissão zero e estratégias climáticas para negócios sustentáveis.
Foto: Capt Pic / Shutterstock

Mineração brasileira busca avanços em soluções de captura de carbono

Setor aposta em tecnologias como CCS, CCUS e BECCS para reduzir emissões e ampliar competitividade global

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 16/10/2025

Baixar PDF Copiar link
  • A mineração brasileira intensifica a adoção de tecnologias de captura de carbono (CCS, CCUS e BECCS) para cumprir compromissos de neutralidade climática até 2050 e atender demanda internacional por cadeias produtivas descarbonizadas.
  • Estudo da USP e Universidade de Amsterdã demonstra que essas tecnologias podem reduzir emissões em mais de 80% em algumas regiões, enquanto a IEA projeta que CCUS representará 15% do corte necessário para neutralidade climática global.
  • O setor enfrenta entraves como custos elevados e ausência de marcos regulatórios, mas projeta capturar até 190 milhões de toneladas de CO₂ anuais, gerando entre US$ 14 e US$ 20 bilhões em receitas potenciais.
Resumo revisado pela redação.

A busca pela descarbonização ganhou intensidade na mineração brasileira, impulsionada por compromissos globais de redução de emissões e pela demanda internacional por cadeias produtivas mais limpas. O tema foi discutido em encontro promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que reuniu representantes de empresas e governo para avaliar soluções tecnológicas capazes de reduzir a pegada de carbono do setor. 

Um estudo The Low-Carbon Future of Brazil: Technological Solutions for Decarbonization, elaborado pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP em parceria com a Universidade de Amsterdã, mostrou que essas tecnologias poderiam reduzir em mais de 80% as emissões em algumas regiões do país.

Alternativas em debate

Entre as soluções em discussão estão as tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS), de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS) e de bioenergia com captura e armazenamento (BECCS). Durante o encontro promovido pelo MME, especialistas ressaltaram que a regulação, o planejamento e os modelos de negócio dessas soluções são fundamentais para que o país cumpra a meta de neutralidade de carbono até 2050.

Especialistas discutem soluções sustentáveis para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, com foco em regulação, planejamento e modelos de negócio.
Foto: Army Picca / Shutterstock

Essas tecnologias diferem em escopo, mas têm o mesmo objetivo de reduzir a quantidade de gás carbônico na atmosfera. O CCS  (Carbon Capture and Storage) significa capturar o CO₂ que seria lançado pelas indústrias e armazená-lo em locais seguros, como reservatórios geológicos no subsolo.

O CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage), além de armazenar, busca reaproveitar o carbono capturado em outros processos, como a fabricação de combustíveis sintéticos, plásticos ou materiais de construção. Já o BECCS  (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) combina o uso de fontes de energia renovável de origem biológica, como biomassa, com a captura e armazenamento do CO2. Neste caso, o processo pode resultar em emissões negativas, porque o processo retira da atmosfera mais carbono do que libera.

A relevância das tecnologias de captura também é reconhecida no cenário global. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o CCUS, por exemplo, será responsável por aproximadamente 15% do corte de emissões necessário para atingir a neutralidade climática até 2050, em seus cenários de transição.

Desafios e iniciativas

Questões como custos elevados de implementação, ausência de marcos regulatórios claros e a necessidade de atrair financiamento privado estão entre os principais entraves. Segundo relatório da CCS Brasil, entidade que reúne especialistas e empresas interessadas em investir em projetos de captura e uso de CO2, a implementação desses projetos em larga escala vai depender de uma articulação entre governo, setor produtivo e agentes financeiros.

Apesar dos desafios, algumas iniciativas já estão em curso. A Vale, por exemplo, tem testado hidrogênio verde em processo de redução de minério e operado frotas de veículos elétricos em suas unidades no Brasil. A Gerdau conduz pesquisas em parceria com algumas instituições para avaliar o uso de tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) em plantas siderúrgicas. Já a Nexa Resources estabeleceu a meta de operar 100% de suas unidades no país com energia renovável.

A CCS Brasil calcula que o país teria condições técnicas de capturar e armazenar até 190 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Segundo as projeções dela, esse volume poderia movimentar cerca de US$ 14 bilhões anuais em receitas, ou, até US$ 20 bilhões em um cenário mais otimista, que considera o valor do crédito de carbono a US$ 100 por tonelada.

Dúvidas mais comuns

CCS (Carbon Capture and Storage) é uma tecnologia que captura o dióxido de carbono (CO₂) que seria lançado pelas indústrias e o armazena em locais seguros, como reservatórios geológicos no subsolo. Essa solução é fundamental para reduzir a pegada de carbono do setor mineral brasileiro e contribuir para as metas de neutralidade climática.

CCS captura e armazena o CO₂ em reservatórios geológicos. CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage) vai além, reaproveita o carbono capturado em outros processos, como fabricação de combustíveis sintéticos, plásticos ou materiais de construção. BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) combina fontes de energia renovável de origem biológica com captura e armazenamento de CO₂, podendo resultar em emissões negativas ao retirar mais carbono da atmosfera do que libera.

A captura de carbono envolve tecnologias que interceptam o CO₂ antes de ser lançado na atmosfera ou o capturam diretamente do ar. No contexto industrial, o processo captura as emissões dos processos produtivos e as direciona para armazenamento em reservatórios geológicos seguros ou para reutilização em novos produtos e processos, dependendo da tecnologia utilizada.

A mineração brasileira tem como meta atingir a neutralidade de carbono até 2050. Essa meta foi estabelecida em compromissos globais de redução de emissões e é fundamental para atender à demanda internacional por cadeias produtivas mais limpas e sustentáveis.

Segundo estudo do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP em parceria com a Universidade de Amsterdã, as tecnologias de captura e armazenamento de carbono poderiam reduzir em mais de 80% as emissões em algumas regiões do país. A Agência Internacional de Energia estima que o CCUS será responsável por aproximadamente 15% do corte de emissões necessário para atingir a neutralidade climática até 2050.

Os principais entraves incluem custos elevados de implementação, ausência de marcos regulatórios claros e a necessidade de atrair financiamento privado. A implementação em larga escala depende de articulação entre governo, setor produtivo e agentes financeiros, conforme apontado pela CCS Brasil.

A CCS Brasil calcula que o país teria condições técnicas de capturar e armazenar até 190 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Esse volume poderia movimentar cerca de US$ 14 bilhões anuais em receitas, ou até US$ 20 bilhões em um cenário mais otimista, considerando o valor do crédito de carbono a US$ 100 por tonelada.

Várias empresas já iniciaram projetos de descarbonização: a Vale testa hidrogênio verde em processos de redução de minério e opera frotas de veículos elétricos; a Gerdau conduz pesquisas sobre CCUS em plantas siderúrgicas; e a Nexa Resources estabeleceu a meta de operar 100% de suas unidades no país com energia renovável.