A busca pela descarbonização ganhou intensidade na mineração brasileira, impulsionada por compromissos globais de redução de emissões e pela demanda internacional por cadeias produtivas mais limpas. O tema foi discutido em encontro promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que reuniu representantes de empresas e governo para avaliar soluções tecnológicas capazes de reduzir a pegada de carbono do setor.
Um estudo The Low-Carbon Future of Brazil: Technological Solutions for Decarbonization, elaborado pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP em parceria com a Universidade de Amsterdã, mostrou que essas tecnologias poderiam reduzir em mais de 80% as emissões em algumas regiões do país.
Alternativas em debate
Entre as soluções em discussão estão as tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS), de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS) e de bioenergia com captura e armazenamento (BECCS). Durante o encontro promovido pelo MME, especialistas ressaltaram que a regulação, o planejamento e os modelos de negócio dessas soluções são fundamentais para que o país cumpra a meta de neutralidade de carbono até 2050.

Essas tecnologias diferem em escopo, mas têm o mesmo objetivo de reduzir a quantidade de gás carbônico na atmosfera. O CCS (Carbon Capture and Storage) significa capturar o CO₂ que seria lançado pelas indústrias e armazená-lo em locais seguros, como reservatórios geológicos no subsolo.
O CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage), além de armazenar, busca reaproveitar o carbono capturado em outros processos, como a fabricação de combustíveis sintéticos, plásticos ou materiais de construção. Já o BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) combina o uso de fontes de energia renovável de origem biológica, como biomassa, com a captura e armazenamento do CO2. Neste caso, o processo pode resultar em emissões negativas, porque o processo retira da atmosfera mais carbono do que libera.
A relevância das tecnologias de captura também é reconhecida no cenário global. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o CCUS, por exemplo, será responsável por aproximadamente 15% do corte de emissões necessário para atingir a neutralidade climática até 2050, em seus cenários de transição.
Desafios e iniciativas
Questões como custos elevados de implementação, ausência de marcos regulatórios claros e a necessidade de atrair financiamento privado estão entre os principais entraves. Segundo relatório da CCS Brasil, entidade que reúne especialistas e empresas interessadas em investir em projetos de captura e uso de CO2, a implementação desses projetos em larga escala vai depender de uma articulação entre governo, setor produtivo e agentes financeiros.
Apesar dos desafios, algumas iniciativas já estão em curso. A Vale, por exemplo, tem testado hidrogênio verde em processo de redução de minério e operado frotas de veículos elétricos em suas unidades no Brasil. A Gerdau conduz pesquisas em parceria com algumas instituições para avaliar o uso de tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) em plantas siderúrgicas. Já a Nexa Resources estabeleceu a meta de operar 100% de suas unidades no país com energia renovável.
A CCS Brasil calcula que o país teria condições técnicas de capturar e armazenar até 190 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Segundo as projeções dela, esse volume poderia movimentar cerca de US$ 14 bilhões anuais em receitas, ou, até US$ 20 bilhões em um cenário mais otimista, que considera o valor do crédito de carbono a US$ 100 por tonelada.
Dúvidas mais comuns
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O CCS (Carbon Capture and Storage) é uma tecnologia que captura o CO₂ que seria lançado pelas indústrias e o armazena em locais seguros, como reservatórios geológicos no subsolo. Essa solução é fundamental para reduzir a pegada de carbono do setor mineral e contribuir para as metas de neutralidade climática.
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O CCS captura e armazena o CO₂ em reservatórios geológicos. O CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage) vai além, reutilizando o carbono capturado em processos como fabricação de combustíveis sintéticos, plásticos ou materiais de construção. O BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) combina fontes de energia renovável de origem biológica com captura e armazenamento de CO₂, podendo resultar em emissões negativas.
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A captura de carbono funciona através de tecnologias que interceptam o CO₂ que seria lançado na atmosfera durante processos industriais. O gás é então capturado e pode ser armazenado permanentemente em reservatórios geológicos seguros ou reutilizado em outros processos produtivos, dependendo da tecnologia empregada (CCS, CCUS ou BECCS).
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Segundo a CCS Brasil, o país teria condições técnicas de capturar e armazenar até 190 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Esse volume poderia movimentar cerca de US$ 14 bilhões anuais em receitas, ou até US$ 20 bilhões em um cenário mais otimista, considerando o valor do crédito de carbono a US$ 100 por tonelada.
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Os principais entraves incluem custos elevados de implementação, ausência de marcos regulatórios claros e a necessidade de atrair financiamento privado. A implementação em larga escala depende de articulação entre governo, setor produtivo e agentes financeiros para viabilizar esses projetos.
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A Vale testa hidrogênio verde em processos de redução de minério e opera frotas de veículos elétricos. A Gerdau conduz pesquisas para avaliar o uso de CCUS em plantas siderúrgicas. A Nexa Resources estabeleceu a meta de operar 100% de suas unidades no país com energia renovável, contribuindo para a descarbonização do setor.
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A mineração brasileira busca atingir a neutralidade de carbono até 2050, conforme compromissos globais de redução de emissões. Especialistas ressaltam que regulação, planejamento e modelos de negócio adequados são fundamentais para que o país cumpra essa meta através de tecnologias como CCS, CCUS e BECCS.
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Segundo estudo do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP em parceria com a Universidade de Amsterdã, as tecnologias de captura de carbono poderiam reduzir em mais de 80% as emissões em algumas regiões do país. A Agência Internacional de Energia estima que o CCUS será responsável por aproximadamente 15% do corte de emissões necessário para atingir a neutralidade climática até 2050.