- Minerais críticos como cobre, lítio, titânio e ouro são componentes essenciais em dispositivos médicos avançados, desde tomógrafos até marca-passos, sustentando a infraestrutura tecnológica da medicina moderna.
- A demanda por esses minerais tende a crescer nos próximos anos devido ao envelhecimento populacional e expansão da tecnologia hospitalar, conforme projeções da United States Geological Survey (USGS).
- O Brasil detém aproximadamente 10% das reservas globais de minerais críticos, posicionando-se estrategicamente para liderar o fornecimento sustentável de materiais essenciais à inovação médica internacional.
A mineração é um elo silencioso, porém essencial, para o avanço da medicina moderna. Dos exames de imagem aos tratamentos personalizados, os recursos minerais sustentam tecnologias médicas que salvam vidas e transformam cuidados na área da saúde contemporânea.
De acordo com a United States Geological Survey (USGS), a tendência é que a demanda por dispositivos médicos avançados cresça nos próximos anos, impulsionada pelo envelhecimento da população e pela expansão da tecnologia hospitalar.
Equipamentos como tomógrafos, marca-passos e sensores biomédicos dependem de minerais que, além de serem vitais ao corpo humano — como cálcio, ferro, zinco e magnésio —, são fundamentais para o funcionamento de tecnologias de ponta. Minerais críticos como cobre, prata, lítio, níquel e titânio são usados em dispositivos médicos sofisticados, e sua mineração responsável é condição mínima para garantir fornecimento estável e sustentável.
Estes materiais garantem a condução de sinais elétricos em aparelhos de imagem, a segurança e durabilidade de implantes ortopédicos e dentários, o uso de marca-passos e a aplicação de próteses com alta compatibilidade biológica, para ficarmos em alguns exemplos.
Já o ouro, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), é usado em circuitos de precisão pela sua estabilidade e condutividade, enquanto o lítio está presente nas baterias de marca-passos e dispositivos portáteis de saúde.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) também entende esse movimento e listou alguns dos principais usos de minerais na indústria médica:
Cobre: é usado em fios e circuitos de equipamentos como tomógrafos e ressonâncias. Também atua como antimicrobiano na redução da contaminação hospitalar.
Prata: está presente em cateteres, curativos e stents por suas propriedades antimicrobianas.
Lítio: é o principal componente das baterias de marca-passos e monitores portáteis.
Titânio: leve, resistente e biocompatível, é usado em próteses, placas, implantes dentários, além de instrumentos cirúrgicos.
Tântalo: este mineral é ideal para implantes ósseos e cranianos, devido à sua resistência à corrosão e compatibilidade com fluidos corporais.
Nióbio: está presente em ímãs supercondutores em ressonância magnética e marca-passos.
Ouro: é utilizado em conectores eletrônicos, marca-passos e também em fármacos, como os utilizados para artrite.
Platina: o material também é aplicado em marca-passos, assim como em aparelhos auditivos e medicamentos quimioterápicos.
Conheça o caminho dos minerais, da extração à inovação médica

Da extração à utilização em clínicas e hospitais, os minérios têm um longo caminho. O percurso depende de cadeias logísticas eficientes e que atendam a padrões rigorosos de qualidade. Isto começa pela extração mineral, que é seguida pelo beneficiamento do material — britagem, moagem, flotação e refino — deixando o mineral livre das impurezas. Na sequência, as indústrias especializadas os recebem e os processam, transformando-os nos dispositivos de alta precisão que vão desde scanners de última geração a pequenos clipes cirúrgicos.
Ao longo desse percurso, as indústrias minerais e médicas precisam atuar para reduzir emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que realizam reabilitação ambiental e respeito às comunidades locais. Rastrear a origem de cada mineral também é condição fundamental para garantir a conformidade e transparência dos processos.
O papel do Brasil no futuro da medicina
Publicação do Jornal Valor calcula que o país detém cerca de 10% das reservas globais de minerais críticos, com destaque para nióbio, grafite, terras raras, níquel, cobre e cobalto, podendo elevar a sua posição no setor de tecnologias médicas.
Um estudo da KPMG Brasil aponta que a mineração responsável desses materiais se tornou condição mínima para garantir fornecimento estável, mitigar impactos ambientais e manter a segurança de suprimentos desse setor, no qual o Brasil pode ocupar lugar de destaque.
Sistemas como blockchain permitem rastrear a origem dos minerais, garantindo que não sejam provenientes de áreas de conservação, indígena, de conservação ou de outras formas que não estejam em conformidade com as regras da Agência Nacional de Mineração (ANM). E essa avaliação vai além do caráter técnico, pois envolve uma série de fatores, como destaca o advogado Frederico Bedran, especialista em mineração em entrevista ao Minera Brasil: “o desafio é entender como foi produzido, se foram utilizadas boas práticas, avaliando saúde, segurança, ou seja, os aspectos socioambientais envolvidos na atividade.”
Do corpo à máquina, os minerais conectam biologia e inovação médica

Nanotecnologia, elementos vestíveis, inteligência artificial e telemedicina são símbolos da medicina de ponta e todos têm algo em comum: dependem diretamente de minerais. Esses elementos são parte fundamental de tratamentos e dispositivos médicos convencionais. O próprio corpo humano contém diversos micronutrientes minerais que desempenham várias funções fisiológicas. Nesse cruzamento, um novo conceito vem ganhando destaque: o biohacking.
Segundo a Fundação Dom Cabral, o biohacking está na fronteira entre a biologia e a tecnologia e pode redirecionar a tentativa de “mexer com a biologia do seu próprio organismo, para torná-lo mais produtivo”.
Para Gustavo Comitre, colunista da MIT Technology Review Brasil, a técnica usa tecnologia e biologia para melhorar o desempenho do corpo e da mente. “O objetivo é fazer uma espécie de mapeamento do organismo e descobrir pontos de melhoria, elevando a potência e a capacidade do indivíduo”. Na prática, essa técnica parte das informações genéticas para o direcionamento feito por especialistas como nutrólogos, por exemplo, para criar um plano personalizado para seus pacientes.
A medicina personalizada se beneficia cada vez mais dos dados individuais dos pacientes que, em troca, ganham diretamente com os avanços tecnológicos. A mineração é também uma base estratégica para a saúde. Por trás de exames, diagnósticos e tratamentos, há diversos recursos minerais que sustentam a tecnologia e a infraestrutura dos procedimentos médicos.
Esses minerais têm papel fundamental no corpo humano e são essenciais para o funcionamento de diversos processos vitais, como a formação de ossos e dentes, a contração muscular, condução de impulsos nervosos, assim como o equilíbrio de fluidos e a produção de hormônios e enzimas. Minerais como cálcio, fósforo e magnésio são indispensáveis para a estrutura esquelética, enquanto elementos como ferro e zinco atuam diretamente no transporte de oxigênio e na defesa imunológica. Apesar de serem necessários em quantidades pequenas, sua deficiência ou excesso pode causar sérios distúrbios à saúde. Por isso, são considerados essenciais para um organismo em equilíbrio e em pleno funcionamento.