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Rinaldo Mancin, Fernando Azevedo, Ana Sanches, Grazielle Parenti e Dale Handerson
Da esquerda para a direita: Rinaldo Mancin, Fernando Azevedo, Ana Sanches, Grazielle Parenti e Dale Handerson (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

Mineração no Brasil consolida agenda climática e cobra marcos regulatórios para liderar em minerais críticos

Setor detalha compromissos climáticos e projeta US$ 75 bilhões em investimento, mas cobra segurança jurídica para avançar em lítio e terras raras

Por Viviane Kulczynski *, 4 min de leitura

Publicado em 13/11/2025

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Executivos do setor mineral se reuniram hoje em um debate coordenado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) na COP30, em Belém. Em foco, uma agenda unificada para a mineração: assumir compromissos climáticos claros e, ao mesmo tempo, cobrar os marcos regulatórios necessários para posicionar o Brasil como líder na cadeia de minerais críticos.

Participaram do painel “Agenda de Implementação: Compromissos do Setor Mineral” a CEO da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, a vice-presidente de Sustentabilidade da Vale, Grazielle Parenti, a CEO Global da PLS, Dale Henderson, além de Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram, e Rinaldo Mancin, diretor de Sustentabilidade e Assuntos Associativos do instituto. Eles debateram sobre ações que unem metas ESG quantificadas, combate à mineração ilegal e um chamado à colaboração público-privada. O objetivo é claro: garantir a centralidade dos minerais na transição energética e na competitividade industrial do país.

O pacote climático: 5 compromissos centrais

Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram
Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

O pilar da nova estratégia do setor brasileiro é um conjunto de cinco compromissos climáticos aprovados pelo Conselho do Ibram, detalhados por Fernando Azevedo e Rinaldo Mancin. Essas metas estão acopladas à agenda ESG da mineração, já estruturada em 12 pilares e 36 indicadores:

  • Energia: Ampliar em 15% o uso de energia limpa e renovável.
  • Água: Reduzir em 10% o ingresso de água nova, expandindo o reuso (no ferro, por exemplo, o índice já supera 85%).
  • Biodiversidade: Incrementar em 10% os indicadores de “natureza positiva” nas áreas de influência.
  • Adaptação Territorial: Financiar ações de resiliência climática em 30 municípios vulneráveis.
  • Descarbonização: Acelerar tecnologias de baixa emissão, com foco em minerais críticos (como lítio) e ferro.
Rinaldo Mancin, diretor de Sustentabilidade e Assuntos Associativos do instituto
Rinaldo Mancin, diretor de Sustentabilidade e Assuntos Associativos do instituto (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

Para sustentar essa agenda, o setor projeta cerca de US$ 75 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos, direcionados à modernização operacional, novos empreendimentos e à própria transição energética.

Sustentabilidade como estratégia de negócio

A visão dos líderes é a de que a sustentabilidade deixou de ser acessória para se tornar central na estratégia de negócio. Ana Sanches, também presidente do Conselho do Ibram, foi enfática ao afirmar que a aceleração da transição depende de três vetores: financiamento, tecnologia e pessoas. Para ela, as metas ESG devem ser “não negociáveis” e integradas às decisões diárias.

Ana Sanches, a vice-presidente de Sustentabilidade da Vale
Ana Sanches, a vice-presidente de Sustentabilidade da Vale (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

Grazielle Parenti, da Vale, reforçou a necessidade de voltar ao tripé original da sustentabilidade (social, ambiental e econômico), associando a descarbonização a ganhos operacionais. Ela destacou o potencial do Brasil em combustíveis renováveis (etanol, biodiesel, hidrogênio) para abater emissões de escopo 1, especialmente em modais difíceis como ferrovias e navegação.

Grazielle Parenti, a CEO Global da PLS
Grazielle Parenti, a CEO Global da PLS (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

Inovação no lítio: da mina à calcinação elétrica

O australiano Dale Henderson, CEO da PLS, usou o lítio para ilustrar a inovação em curso, elogiando o Brasil como jurisdição de classe mundial. Ele descreveu duas frentes: a substituição de diesel por híbridos nos sites (tecnologia já madura) e o grande desafio da “calcinação elétrica” no processamento do lítio — a etapa mais intensiva em energia. Uma planta de demonstração para essa tecnologia pode alterar radicalmente as emissões e os custos da cadeia.

Dale Henderson, CEO da PLS falando em um painel
Dale Henderson, CEO da PLS (Foto: Sara Nasfer / Consórcio Amazônia Legal via Flickr)

A fala de Henderson reforçou a necessidade estratégica de o Brasil consolidar cadeias de maior valor agregado, reduzindo a dependência global do processamento concentrado em poucos países.

O desafio da confiança: transparência e combate à ilegalidade

Para que essa agenda avance, o setor reconhece a urgência de reconquistar a confiança pública. Rinaldo Mancin, do Ibram, citou avanços em transparência, como a futura plataforma aberta para reportar os 36 indicadores setoriais.

Ana Sanches resumiu o sentimento ao afirmar que a “licença social para operar” é tão essencial quanto a segurança jurídica. Nesse ponto, os líderes foram unânimes em defender uma separação nítida entre a mineração formal, que opera sob conformidade, e a mineração ilegal. O setor propõe apoiar o Estado na fiscalização e no reforço legal para combater o garimpo.

Soberania, regulação e talentos

A geopolítica reposicionou a mineração no centro das discussões globais, como destacou Fernando Azevedo. Para que o Brasil exerça sua soberania em terras raras e outros minerais críticos, o Ibram defende a atualização de marcos regulatórios que deem previsibilidade e celeridade aos investimentos, sem reduzir o rigor técnico do licenciamento.

O ciclo se fecha com o impacto local e a qualificação de pessoas. A agenda de adaptação para 30 municípios busca “ir além dos muros” das operações. Paralelamente, a formação e retenção de talentos em engenharia de minas e sustentabilidade foram apontadas como condições essenciais para a competitividade futura.

Reunião de negócios com duas pessoas discutindo planos de sustentabilidade e gráficos em uma mesa de escritório, com laptop e plantas ao fundo.
Foto: Doidam 10 / Shutterstock

O setor mineral brasileiro quer ser o alicerce da transição energética. Para isso, entende que precisa executar metas de descarbonização, investir em inovação e garantir o apoio do Estado e da sociedade, provando sua legitimidade com dados abertos e impacto local positivo.

*Enviada especial à COP30 | Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

A agenda climática do setor mineral brasileiro, apresentada na COP30 em Belém, é um conjunto de cinco compromissos centrais aprovados pelo Conselho do IBRAM: ampliar em 15% o uso de energia limpa e renovável, reduzir em 10% o ingresso de água nova, incrementar em 10% os indicadores de natureza positiva nas áreas de influência, financiar ações de resiliência climática em 30 municípios vulneráveis e acelerar tecnologias de baixa emissão com foco em minerais críticos. Esses compromissos estão acoplados à agenda ESG da mineração, estruturada em 12 pilares e 36 indicadores, e são sustentados por investimentos projetados de cerca de US$ 75 bilhões nos próximos quatro anos.

O Brasil tem projetos em andamento para lítio, grafita, níquel, cobre, titânio, vanádio, nióbio e elementos de terras raras, sendo estes os principais minerais críticos para a transição energética. O setor mineral brasileiro busca consolidar cadeias de maior valor agregado nestes minerais, reduzindo a dependência global do processamento concentrado em poucos países e posicionando o Brasil como líder na cadeia de minerais críticos.

O setor mineral projeta cerca de US$ 75 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos, direcionados à modernização operacional, novos empreendimentos e à transição energética. Esses investimentos são essenciais para sustentar a agenda de cinco compromissos climáticos e garantir a competitividade do Brasil na cadeia de minerais críticos.

A descarbonização será alcançada através de três vetores principais: financiamento, tecnologia e pessoas. O setor planeja substituir diesel por híbridos nos sites, implementar tecnologias de baixa emissão em minerais críticos como lítio e ferro, e utilizar combustíveis renováveis brasileiros (etanol, biodiesel, hidrogênio) para abater emissões de escopo 1, especialmente em modais difíceis como ferrovias e navegação. A calcinação elétrica no processamento do lítio representa um grande desafio tecnológico em desenvolvimento.

A calcinação elétrica é a etapa de processamento do lítio mais intensiva em energia, sendo o grande desafio tecnológico em curso. Uma planta de demonstração para essa tecnologia pode alterar radicalmente as emissões e os custos da cadeia de lítio, permitindo que o Brasil consolide cadeias de maior valor agregado e reduza sua dependência do processamento concentrado em poucos países.

O setor reconhece a urgência de reconquistar a confiança pública através de transparência e combate à ilegalidade. O IBRAM está desenvolvendo uma futura plataforma aberta para reportar os 36 indicadores setoriais, e os líderes defendem uma separação nítida entre a mineração formal, que opera sob conformidade, e a mineração ilegal. O setor propõe apoiar o Estado na fiscalização e no reforço legal para combater o garimpo, considerando a 'licença social para operar' tão essencial quanto a segurança jurídica.

O IBRAM defende a atualização de marcos regulatórios que deem previsibilidade e celeridade aos investimentos, sem reduzir o rigor técnico do licenciamento. Esses marcos são essenciais para que o Brasil exerça sua soberania em terras raras e outros minerais críticos, permitindo que o país se posicione como líder geopolítico na cadeia de minerais críticos.

A sustentabilidade deixou de ser acessória para se tornar central na estratégia de negócio das mineradoras. As metas ESG devem ser 'não negociáveis' e integradas às decisões diárias, associando a descarbonização a ganhos operacionais. O setor busca voltar ao tripé original da sustentabilidade (social, ambiental e econômico), provando sua legitimidade com dados abertos, impacto local positivo e qualificação de pessoas em engenharia de minas e sustentabilidade.