Uma máquina trituradora de pedra amarela transforma pedras em cascalho em uma pedreira no Piauí, com um trator carregando pedras e colinas verdes com árvores ao fundo, sob um céu azul parcialmente nublado.
Projeto Serrinha, da SRN Mineração (Foto: Arquivo/ SRN Mineração/ Governo do Piauí)

Mineração no Piauí avança além do minério de ferro

Estado tem potencial em níquel, cobalto, potássio e pedras preciosas como diamante e opala nobre

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 19/06/2026

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O Piauí entrou para a lista dos estados exportadores de minério em 2023, quando a mina de ferro na cidade de Piripiri, da Lion Mining, começou a produzir. Um ano depois, as exportações geraram R$ 8 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), segundo o governo piauiense.

Desse valor, 60% foram repassados para Piripiri, como estabelece a legislação, e 15% para o estado. Dos 25% restantes, 15% podem ser direcionados para outros municípios impactados pela mineração local e 10% são de direito da União.

Vista aérea de um canteiro de obras no Piauí, com grandes pilhas de cascalho, uma escavadeira e maquinário pesado separando e movendo materiais pelo terreno árido.
Mina de ferro em Piripiri (Foto: Ascom Porto Piauí)

Com a operação da Lion Mining, o Piauí também se tornou o sexto maior produtor de minério de ferro do país, produzindo 2 milhões de toneladas anuais. Além do alto teor, a operação da mineradora é facilitada pela proximidade com o Porto Piauí, a 100 km da mina.

Segundo o governo estadual, as reservas de minério de ferro em Piripiri chegariam a 1 bilhão de toneladas, mas o potencial do Piauí é maior, como mostram dois outros empreendimentos.

Potencial do Piauí vai além de Piripiri

O primeiro é o da Bemisa, na cidade de Paulistana e onde há reserva estimada em 1,2 bilhão de toneladas de minério de ferro. A meta da mineradora é produzir 15 milhões de pelotas de minério de ferro com 70% de teor anualmente. O escoamento da produção deve ser feito pela ferrovia Transnordestina.

A SRN Mineração tem o segundo empreendimento em desenvolvimento e estima produzir 2 milhões de toneladas de minério por ano, a partir da mina com reservas de 637 milhões de toneladas, na cidade de São Raimundo Nonato.

Embora o potencial dos dois projetos seja reconhecido, não há informação oficial sobre a entrada em operação das minas. 

Níquel e cobalto

Dois trabalhadores com equipamentos de segurança e máscaras batem os punhos em frente ao lado de Big bag com 1ton de NHP contendo cerca de 170kg de níquel
Big bag com 1ton de NHP contendo cerca de 170kg de níquel (Foto: Arquivo/ PI Níquel/ Governo do Piauí)

Além das reservas de minério de ferro, o Piauí tem outros recursos minerários, conforme estudo recente do Serviço Geológico Brasileiro (SGB). O principal deles envolve mais de 30 ocorrências preliminares de minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba. A lista inclui grafita, terras raras, manganês e zinco.

Ainda em minerais estratégicos, o Piauí sedia o projeto de produção de níquel e cobalto da Piauí Níquel Metais. A previsão é de entrada em operação ainda neste ano, gerando 27 mil toneladas de níquel e outras 1 mil toneladas de cobalto. Como a mina está na cidade de Capitão Gervásio Oliveira, o escoamento para exportação estaria garantido com o mesmo porto de exportação da Lion, com distância semelhante a 100 km.

Segundo o Investe Piauí, iniciativa de atração de investimentos para o estado, as reservas de níquel com presença de cobalto somariam 98,8 milhões de toneladas. Os teores seriam de 0,74% para níquel e 0,04% para cobalto.

O Piauí também possui reservas de potássio espalhadas em 8,2 milhões de hectares, em 33 cidades. Nessa frente, a Norte Mineração tem um projeto em fase de licenciamento, com produção prevista de 50 mil toneladas/ano, podendo escalar para 500 mil t/a. A reserva pesquisada somaria 800 milhões de toneladas.

Com jazida de 2 milhões de quilates, a DM Mineração já explora diamantes no sul do estado, com foco nos mercados de luxo e industrial. Ela estima operar com a extração de 10 mil quilates/mês. Na avaliação da Investe Piauí, o diamante da região tem características únicas, que permitem facilmente identificar sua origem, o que garante alto valor e certificação internacional ao produto.

Ainda na área de pedras preciosas, o Piauí se destaca por ser o único produtor brasileiro de opala nobre, com potencial que pode chegar a 101,2 mil toneladas em reservas. O produto seria comparável às opalas australianas, referência mundial, mas ainda pouco exploradas, com cerca de 90% das reservas descobertas ainda intocadas.

Dúvidas mais comuns

A Bemisa (Brasil Exploração Mineral S.A.), localizada em Paulistana, é uma das maiores operações minerais do Piauí, liderando o Projeto Planalto Piauí com 1,2 bilhão de toneladas em reservas de minério de ferro. O projeto pretende produzir 15 milhões de toneladas anuais de pellet feed com alto teor de ferro (70%), com escoamento previsto pela ferrovia Transnordestina.

O Piauí entrou para a lista dos estados exportadores de minério em 2023, quando a mina de ferro da Lion Mining na cidade de Piripiri começou a produzir. Com essa operação, o estado se tornou o sexto maior produtor de minério de ferro do país, produzindo 2 milhões de toneladas anuais, facilitado pela proximidade com o Porto Piauí, a apenas 100 km da mina.

O Piauí é o sexto maior produtor de minério de ferro do país, com a operação da Lion Mining em Piripiri gerando 2 milhões de toneladas anuais. As reservas de minério de ferro em Piripiri chegam a 1 bilhão de toneladas, e há outros projetos em desenvolvimento que ampliarão ainda mais essa capacidade produtiva.

O Piauí possui uma grande diversidade mineral, incluindo níquel, cobalto, potássio, diamantes, opala nobre, grafita, terras raras, manganês e zinco. O estado sedia o projeto de produção de níquel e cobalto da Piauí Níquel Metais, com previsão de gerar 27 mil toneladas de níquel e 1 mil toneladas de cobalto, além de ser o único produtor brasileiro de opala nobre com potencial de até 101,2 mil toneladas em reservas.

A Cfem é distribuída conforme estabelecido em legislação: 60% vão para o município onde está localizada a mina, 15% para o estado, 15% podem ser direcionados para outros municípios impactados pela mineração local, e 10% são de direito da União. Em 2024, as exportações de minério de ferro geraram R$ 8 milhões em Cfem para o Piauí.

O Piauí possui mais de 30 ocorrências preliminares de minerais estratégicos na Bacia do Parnaíba, incluindo grafita, terras raras, manganês e zinco. Além disso, o estado tem reservas de 98,8 milhões de toneladas de níquel com presença de cobalto, 8,2 milhões de hectares com potássio espalhados em 33 cidades, e é o único produtor brasileiro de opala nobre com características únicas que garantem alto valor e certificação internacional.

A DM Mineração explora diamantes no sul do Piauí com foco nos mercados de luxo e industrial, operando com extração de 10 mil quilates por mês de uma jazida de 2 milhões de quilates. Os diamantes da região têm características únicas que permitem facilmente identificar sua origem, garantindo alto valor e certificação internacional ao produto.

O Piauí é o único produtor brasileiro de opala nobre, com potencial que pode chegar a 101,2 mil toneladas em reservas. O produto é comparável às opalas australianas, referência mundial, mas ainda pouco explorado, com cerca de 90% das reservas descobertas ainda intocadas, representando uma grande oportunidade de desenvolvimento futuro.