Gustavo Pimenta e Pablo Cesário
Gustavo Pimenta e Pablo Cesário (Foto: Valor Econômico)

Mineração quer deixar de ser apenas “essencial”

Setor precisa mostrar que é um elemento construtor e portador de futuro para a sociedade, defendem líderes do Ibram e da Vale

Por Viviane Kulczynski *, < 1 min de leitura

Publicado em 18/08/2026

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A corrida pelos minerais críticos também está mudando a maneira como a própria mineração busca se posicionar. Para Pablo Cesário, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o setor precisa ser entendido não apenas como fornecedor de matérias-primas essenciais, mas como parte da construção da economia que surgirá da transição energética.

“A gente, há muito tempo, vem falando que a mineração é essencial, e eu acho que a discussão sobre minerais trouxe uma nova perspectiva para o setor e para o país, que é: mais do que essencial, a mineração é um elemento construtor e portador de futuro.” — Pablo Cesário

Ele ressaltou, porém, que essa visão pressupõe uma separação clara entre mineração regular e atividades ilegais.

“O que nós estamos vendo hoje, na invasão de terras indígenas, em áreas de proteção, com a utilização de mercúrio, é um crime. A gente precisa, como mineração responsável, dizer que não pode ser feito assim.”

Mineração e sua capacidade de construir para a sociedade

A licença social para operar também ocupou parte importante da discussão.

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, reconheceu que a indústria ainda enfrenta um desafio de percepção e afirmou que demonstrar a essencialidade dos minerais já não basta.

“A gente precisa, de fato, ir além das essencialidades. Muitas vezes a gente senta aqui e diz: vai crescer digitalização, vão crescer carros elétricos… e, infelizmente, não é possível viver sem a mineração. Esse assunto tem que ser superado.” — Gustavo Pimenta

Diferente disso, ele acredita que a legitimidade da mineração dependerá cada vez mais da capacidade de gerar benefícios concretos nos territórios.

“Temos que mostrar que não é apenas o ‘eu sou essencial para tudo o que você precisa’. Mas sim que: ‘o que eu faço para melhor a vida das pessoas’. Então, temos de mostrar que deixamos um valor, que desenvolvemos aquele território”, exemplificou.

Ele relacionou esse impacto à capacidade futura de desenvolver novos projetos: “A licença para operar só vai vir quando a sociedade entender que, de fato, essa indústria vai melhorar o mundo com aquilo que a gente faz.”

E resumiu a ambição para o setor: “Essa ambição de um país grande, que sonha grande, que consegue avançar com projetos grandes, é o que a gente quer trazer para o debate.”

* Especial para o Radar Mineração.