Histórias reais, iniciativas práticas e reflexões profundas sobre inclusão e diversidade na mineração marcaram a quinta edição da Diversibram – Mineração sem rótulos, encontro promovido hoje (14/4) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em Belo Horizonte. Durante o evento, lideranças de várias mineradoras assinaram a Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) do setor mineral, documento que formaliza o engajamento individual das lideranças com metas coletivas de avanço da pauta DE&I dentro das organizações.

Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e presidente interino do Ibram, ressaltou que a inclusão não é uma questão de imagem ou marketing, mas de sustentabilidade: o setor será tanto mais competitivo quanto mais puder incluir a pluralidade em seus processos decisórios. “Erraremos muito menos porque simplesmente temos modos diferentes de ver as mesmas situações”, destacou.
A liderança como protagonista da mudança
Essa visão estratégica, no entanto, exige que a pauta saia do RH e ocupe a mesa dos tomadores de decisão. Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil e do Conselho Diretor do Ibram, defendeu que a transformação deve começar pelo “número um” das companhias. Para ela, a liderança deve “bater no peito” e assumir a responsabilidade pela inclusão, em vez de delegar essa agenda.

Sanches trouxe uma reflexão contundente sobre meritocracia, afirmando que o foco não deve ser a busca por talentos, mas a criação de oportunidades: “Quando a gente tem oportunidades, os talentos emergem”, observou. Ela compartilhou sua própria trajetória de 30 anos, relembrando preconceitos invisibilizados no início da carreira e reforçando que os líderes atuais devem atuar como pontes para que as novas gerações não enfrentem os mesmos obstáculos.
Realidade x oportunidade

A necessidade de que essas pontes aconteçam na prática foi evidenciada pelos dados apresentados por Patrícia Procópio, presidente do Women in Mining Brasil (WIM Brasil) e diretora de Planejamento, Inovação e ESG da Hexagon Mining. Procópio observou que, apesar dos esforços, a participação feminina na mineração ainda é tímida, variando entre 20% e 23% nos últimos três anos, de acordo com dados levantados pelo WIM Brasil. Ela lembrou que os índices são ainda mais baixos em áreas operacionais e de alta liderança.
Procópio provocou a audiência ao questionar como é possível sair do discurso e ser parte ativa da transformação. Segundo a geóloga, a diversidade deixou de ser apenas um atributo social para se tornar uma agenda essencial e estratégica: “Não existe mineração sem diversidade no presente”, frisou.

A transição do discurso para a prática também passa pela esfera legislativa e educacional. A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) mencionou iniciativas públicas que estão mudando o cenário da mineração por meio da diversidade e do conhecimento sobre o setor. Como exemplo, ela citou uma parceria com o Ibram para revisar materiais didáticos escolares. O objetivo é que jovens e crianças conheçam e possam ter uma visão mais abrangente sobre a mineração e se sintam motivados a ocupar futuros espaços como geólogos e engenheiros.
Aceleração de resultados: senso de urgência da agenda
Vera Lúcia da Silva, head de Pessoas e Cultura da Samarco e coordenadora do GT de DE&I do Ibram, falou sobre o senso de urgência da agenda de diversidade. Ela mencionou o exemplo das tamareiras, que antigamente levavam até um século para dar frutos e que hoje, com tecnologia e conhecimento do solo, podem dar tâmaras mais rapidamente.

Para Silva, embora o trabalho de inclusão envolva abrir caminhos para as próximas gerações, a intencionalidade e a tecnologia permitem acelerar esse processo. “Se antes falávamos apenas sobre plantar para o futuro, hoje entendemos que também podemos e devemos acelerar esses futuros. Com intencionalidade, políticas bem desenhadas, programas consistentes e metas claras, conseguimos transformar o que parecia distante em algo possível, concreto e próximo.”
O evento contou com outros representantes do setor, que compartilharam cases práticos, dados e reflexões sobre diversidade e inclusão na mineração.
* Especial para o Radar Mineração
Dúvidas mais comuns
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A diversidade é fundamental para a competitividade do setor mineral porque aumenta a capacidade de resolução de problemas. Quando diferentes perspectivas e modos de ver as mesmas situações estão presentes nos processos decisórios, as organizações cometem menos erros e tomam decisões mais assertivas. Além disso, a inclusão deixou de ser apenas uma questão de imagem ou marketing para se tornar uma agenda essencial de sustentabilidade empresarial.
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A liderança deve ser protagonista da mudança, assumindo pessoalmente a responsabilidade pela inclusão em vez de delegar essa agenda apenas ao departamento de RH. O comprometimento deve começar pelo "número um" das companhias, com líderes que "batem no peito" e ocupam a mesa dos tomadores de decisão. Dessa forma, a pauta de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) sai do nível operacional e se torna estratégica para toda a organização.
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De acordo com dados do Women in Mining Brasil (WIM Brasil), a participação feminina na mineração varia entre 20% e 23% nos últimos três anos, um índice ainda considerado tímido. Os números são ainda mais baixos em áreas operacionais e de alta liderança, indicando que há muito espaço para avanço na inclusão de mulheres em posições estratégicas do setor.
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A transformação do discurso em prática requer intencionalidade, políticas bem desenhadas, programas consistentes e metas claras. É necessário que as lideranças atuem como pontes para as novas gerações, criando oportunidades concretas em vez de apenas buscar talentos. Quando oportunidades são oferecidas, os talentos emergem naturalmente, acelerando o processo de inclusão e diversidade nas organizações.
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A Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) é um documento formalizado durante a Diversibram 2026 que reúne o engajamento individual das lideranças de mineradoras com metas coletivas de avanço da pauta DE&I. Esse compromisso representa o reconhecimento de que a diversidade é uma agenda estratégica do setor mineral e que as organizações devem trabalhar de forma coordenada para alcançar objetivos comuns de inclusão e equidade.
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A educação é fundamental para ampliar a diversidade no setor. Iniciativas como a revisão de materiais didáticos escolares em parceria com o Ibram buscam que jovens e crianças conheçam a mineração e desenvolvam uma visão mais abrangente sobre a profissão. Quando estudantes têm acesso a informações sobre carreiras em geologia e engenharia mineral, sentem-se mais motivados a ocupar esses espaços, aumentando a diversidade de talentos que ingressam no setor.
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A busca por talentos assume que eles já existem prontos no mercado, enquanto criar oportunidades reconhece que os talentos emergem quando as condições adequadas são oferecidas. Essa mudança de perspectiva é crucial para a inclusão, pois permite que pessoas de diferentes origens, gêneros e trajetórias possam desenvolver suas capacidades. Líderes que atuam como pontes removem obstáculos invisibilizados e garantem que as novas gerações tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento.
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A aceleração dos resultados é possível através da combinação de intencionalidade, tecnologia e conhecimento. Embora o trabalho de inclusão envolva abrir caminhos para as próximas gerações, políticas bem estruturadas e metas claras permitem transformar o que parecia distante em algo concreto e próximo. O exemplo das tamareiras ilustra essa transformação: com tecnologia e conhecimento adequado, processos que levavam séculos podem ser significativamente acelerados, assim como a inclusão e diversidade nas organizações.