Solenidade de abertura do evento Diversibram 2026
Da esquerda para a direita: Patrícia Procópio, Gustavo Lanna, Ana Sanches, Pablo Cesário, Greyce Elias, Vera Lúcia e Paulo Henrique Soares (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM)

Mineração sem rótulos: Diversibram 2026 debate liderança e compromisso por inclusão

Encontro em Belo Horizonte reúne executivos e discute metas para a agenda do setor

Por Luciana Ciaravolo *, 4 min de leitura

Publicado em 14/04/2026

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  • Lideranças de mineradoras assinaram a Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão, formalizando engajamento com metas coletivas de avanço da pauta DE&I no setor mineral.
  • A participação feminina na mineração permanece entre 20% e 23% nos últimos três anos, com índices ainda mais baixos em áreas operacionais e alta liderança, segundo dados do Women in Mining Brasil.
  • Executivos do setor defendem que a transformação exige liderança protagonista, criação de oportunidades para emergência de talentos e aceleração de políticas de inclusão com metas claras e intencionalidade estratégica.
Resumo revisado pela redação.

Histórias reais, iniciativas práticas e reflexões profundas sobre inclusão e diversidade na mineração marcaram a quinta edição da Diversibram – Mineração sem rótulos, encontro promovido hoje (14/4) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em Belo Horizonte. Durante o evento, lideranças de várias mineradoras assinaram a Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) do setor mineral, documento que formaliza o engajamento individual das lideranças com metas coletivas de avanço da pauta DE&I dentro das organizações.

Pablo Cesário no palco do evento Diversibram
Pablo Cesário (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM via Flickr)

Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e presidente interino do Ibram, ressaltou que a inclusão não é uma questão de imagem ou marketing, mas de sustentabilidade: o setor será tanto mais competitivo quanto mais puder incluir a pluralidade em seus processos decisórios. “Erraremos muito menos porque simplesmente temos modos diferentes de ver as mesmas situações”, destacou. 

A liderança como protagonista da mudança

Essa visão estratégica, no entanto, exige que a pauta saia do RH e ocupe a mesa dos tomadores de decisão. Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil e do Conselho Diretor do Ibram, defendeu que a transformação deve começar pelo “número um” das companhias. Para ela, a liderança deve “bater no peito” e assumir a responsabilidade pela inclusão, em vez de delegar essa agenda.

Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil e do Conselho Diretor do Ibram no palco do Diversibram
Ana Sanches (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM via Flickr)

Sanches trouxe uma reflexão contundente sobre meritocracia, afirmando que o foco não deve ser a busca por talentos, mas a criação de oportunidades: “Quando a gente tem oportunidades, os talentos emergem”, observou. Ela compartilhou sua própria trajetória de 30 anos, relembrando preconceitos invisibilizados no início da carreira e reforçando que os líderes atuais devem atuar como pontes para que as novas gerações não enfrentem os mesmos obstáculos.

Realidade x oportunidade

Patrícia Procópio, presidente do Women in Mining Brasil (WIM Brasil) e diretora de Planejamento, Inovação e ESG da Hexagon Mining no palco do evento Diversibram
Patrícia Procópio (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM via Flickr)

A necessidade de que essas pontes aconteçam na prática foi evidenciada pelos dados apresentados por Patrícia Procópio, presidente do Women in Mining Brasil (WIM Brasil) e diretora de Planejamento, Inovação e ESG da Hexagon Mining. Procópio observou que, apesar dos esforços, a participação feminina na mineração ainda é tímida, variando entre 20% e 23% nos últimos três anos, de acordo com dados levantados pelo WIM Brasil. Ela lembrou que os índices são ainda mais baixos em áreas operacionais e de alta liderança. 

Procópio provocou a audiência ao questionar como é possível sair do discurso e ser parte ativa da transformação. Segundo a geóloga, a diversidade deixou de ser apenas um atributo social para se tornar uma agenda essencial e estratégica: “Não existe mineração sem diversidade no presente”, frisou.

A deputada federal Greyce Elias no palco do evento Diversibram 2026
Greyce Elias (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM via Flickr)

A transição do discurso para a prática também passa pela esfera legislativa e educacional. A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) mencionou iniciativas públicas que estão mudando o cenário da mineração por meio da diversidade e do conhecimento sobre o setor. Como exemplo, ela citou uma parceria com o Ibram para revisar materiais didáticos escolares. O objetivo é que jovens e crianças conheçam e possam ter uma visão mais abrangente sobre a mineração e se sintam motivados a ocupar futuros espaços como geólogos e engenheiros.

Aceleração de resultados: senso de urgência da agenda

Vera Lúcia da Silva, head de Pessoas e Cultura da Samarco e coordenadora do GT de DE&I do Ibram, falou sobre o senso de urgência da agenda de diversidade. Ela mencionou o exemplo das tamareiras, que antigamente levavam até um século para dar frutos e que hoje, com tecnologia e conhecimento do solo, podem dar tâmaras mais rapidamente. 

Uma mulher de cabelos ruivos curtos e cacheados e óculos fala em um pódio sobre diversidade na mineração, usando um vestido roxo sem mangas e fazendo gestos com a mão. O fundo é escuro.
Vera Lúcia da Silva (Foto: Glenio Campregher/ IBRAM via Flickr)

Para Silva, embora o trabalho de inclusão envolva abrir caminhos para as próximas gerações, a intencionalidade e a tecnologia permitem acelerar esse processo. “Se antes falávamos apenas sobre plantar para o futuro, hoje entendemos que também podemos e devemos acelerar esses futuros. Com intencionalidade, políticas bem desenhadas, programas consistentes e metas claras, conseguimos transformar o que parecia distante em algo possível, concreto e próximo.”
O evento contou com outros representantes do setor, que compartilharam cases práticos, dados e reflexões sobre diversidade e inclusão na mineração.

* Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

A diversidade e inclusão não é apenas uma questão de imagem ou marketing, mas uma agenda estratégica de sustentabilidade. Segundo lideranças do setor, quanto mais a mineração conseguir incluir pluralidade em seus processos decisórios, mais competitiva será. Isso ocorre porque diferentes perspectivas reduzem erros e ampliam a qualidade das decisões tomadas pelas organizações.

A liderança deve ser protagonista da mudança, começando pelo número um das companhias. Os líderes devem assumir pessoalmente a responsabilidade pela inclusão em vez de delegar essa agenda apenas ao departamento de RH. Eles precisam atuar como pontes para que as novas gerações não enfrentem os mesmos obstáculos que enfrentaram, garantindo que a pauta ocupe a mesa dos tomadores de decisão.

A participação feminina na mineração ainda é tímida, variando entre 20% e 23% nos últimos três anos, de acordo com dados do Women in Mining Brasil. Os índices são ainda mais baixos em áreas operacionais e de alta liderança, evidenciando a necessidade de ações mais incisivas para aumentar a representação feminina em posições estratégicas do setor.

O foco não deve ser apenas a busca por talentos, mas a criação de oportunidades para que os talentos emerjam. Quando as oportunidades são oferecidas de forma equitativa, os talentos naturalmente aparecem. Essa mudança de perspectiva reconhece que muitos talentos potenciais não emergem não por falta de capacidade, mas por falta de acesso a oportunidades iguais.

É um documento formalizado durante a Diversibram 2026 que reúne o engajamento individual de lideranças de mineradoras com metas coletivas de avanço da pauta DE&I dentro das organizações. A carta representa o compromisso do setor mineral em trabalhar de forma coordenada e intencional para transformar a diversidade e inclusão em realidade prática, não apenas em discurso.

A aceleração dos resultados é possível através de intencionalidade, políticas bem desenhadas, programas consistentes e metas claras. Embora o trabalho de inclusão envolva abrir caminhos para as próximas gerações, a tecnologia e o conhecimento permitem acelerar esse processo. Com essas ferramentas, é possível transformar o que parecia distante em algo possível, concreto e próximo.

Se a diversidade está ligada a oferecer oportunidades para todos os perfis de profissionais, a inclusão é um passo além. Trabalhar a inclusão é garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento e ascensão profissional dentro da instituição. Na mineração, essa distinção é fundamental para transformar a representatividade em equidade real.

Iniciativas educacionais, como a revisão de materiais didáticos escolares em parceria com o Ibram, permitem que jovens e crianças conheçam a mineração e desenvolvam uma visão mais abrangente sobre o setor. Essas ações motivam novas gerações a se sentirem incluídas e interessadas em ocupar futuros espaços como geólogos, engenheiros e outras profissões na mineração.