- Lideranças de mineradoras assinaram a Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão, formalizando engajamento com metas coletivas de avanço da pauta DE&I no setor mineral.
- A participação feminina na mineração permanece entre 20% e 23% nos últimos três anos, com índices ainda mais baixos em áreas operacionais e alta liderança, segundo dados do Women in Mining Brasil.
- Executivos do setor defendem que a transformação exige liderança protagonista, criação de oportunidades para emergência de talentos e aceleração de políticas de inclusão com metas claras e intencionalidade estratégica.
Histórias reais, iniciativas práticas e reflexões profundas sobre inclusão e diversidade na mineração marcaram a quinta edição da Diversibram – Mineração sem rótulos, encontro promovido hoje (14/4) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em Belo Horizonte. Durante o evento, lideranças de várias mineradoras assinaram a Carta Compromisso com a Agenda Setorial de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) do setor mineral, documento que formaliza o engajamento individual das lideranças com metas coletivas de avanço da pauta DE&I dentro das organizações.

Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e presidente interino do Ibram, ressaltou que a inclusão não é uma questão de imagem ou marketing, mas de sustentabilidade: o setor será tanto mais competitivo quanto mais puder incluir a pluralidade em seus processos decisórios. “Erraremos muito menos porque simplesmente temos modos diferentes de ver as mesmas situações”, destacou.
A liderança como protagonista da mudança
Essa visão estratégica, no entanto, exige que a pauta saia do RH e ocupe a mesa dos tomadores de decisão. Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil e do Conselho Diretor do Ibram, defendeu que a transformação deve começar pelo “número um” das companhias. Para ela, a liderança deve “bater no peito” e assumir a responsabilidade pela inclusão, em vez de delegar essa agenda.

Sanches trouxe uma reflexão contundente sobre meritocracia, afirmando que o foco não deve ser a busca por talentos, mas a criação de oportunidades: “Quando a gente tem oportunidades, os talentos emergem”, observou. Ela compartilhou sua própria trajetória de 30 anos, relembrando preconceitos invisibilizados no início da carreira e reforçando que os líderes atuais devem atuar como pontes para que as novas gerações não enfrentem os mesmos obstáculos.
Realidade x oportunidade

A necessidade de que essas pontes aconteçam na prática foi evidenciada pelos dados apresentados por Patrícia Procópio, presidente do Women in Mining Brasil (WIM Brasil) e diretora de Planejamento, Inovação e ESG da Hexagon Mining. Procópio observou que, apesar dos esforços, a participação feminina na mineração ainda é tímida, variando entre 20% e 23% nos últimos três anos, de acordo com dados levantados pelo WIM Brasil. Ela lembrou que os índices são ainda mais baixos em áreas operacionais e de alta liderança.
Procópio provocou a audiência ao questionar como é possível sair do discurso e ser parte ativa da transformação. Segundo a geóloga, a diversidade deixou de ser apenas um atributo social para se tornar uma agenda essencial e estratégica: “Não existe mineração sem diversidade no presente”, frisou.

A transição do discurso para a prática também passa pela esfera legislativa e educacional. A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) mencionou iniciativas públicas que estão mudando o cenário da mineração por meio da diversidade e do conhecimento sobre o setor. Como exemplo, ela citou uma parceria com o Ibram para revisar materiais didáticos escolares. O objetivo é que jovens e crianças conheçam e possam ter uma visão mais abrangente sobre a mineração e se sintam motivados a ocupar futuros espaços como geólogos e engenheiros.
Aceleração de resultados: senso de urgência da agenda
Vera Lúcia da Silva, head de Pessoas e Cultura da Samarco e coordenadora do GT de DE&I do Ibram, falou sobre o senso de urgência da agenda de diversidade. Ela mencionou o exemplo das tamareiras, que antigamente levavam até um século para dar frutos e que hoje, com tecnologia e conhecimento do solo, podem dar tâmaras mais rapidamente.

Para Silva, embora o trabalho de inclusão envolva abrir caminhos para as próximas gerações, a intencionalidade e a tecnologia permitem acelerar esse processo. “Se antes falávamos apenas sobre plantar para o futuro, hoje entendemos que também podemos e devemos acelerar esses futuros. Com intencionalidade, políticas bem desenhadas, programas consistentes e metas claras, conseguimos transformar o que parecia distante em algo possível, concreto e próximo.”
O evento contou com outros representantes do setor, que compartilharam cases práticos, dados e reflexões sobre diversidade e inclusão na mineração.
* Especial para o Radar Mineração