Paisagem com montanhas e um lago no centro, cercados por vegetação variada e um céu claro ao fundo
Foto: Vale

Mineração sustentável: roteiro nacional propõe caminhos concretos

Documento do MME orienta empresas a integrar biodiversidade, governança e uso futuro do território desde o início dos projetos

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 20/10/2025 | Atualizado em 24/10/2025

Baixar PDF Copiar link
  • O Plano Nacional de Mineração 2050 propõe conciliar a atividade mineral com preservação ambiental através de planejamento estratégico, inovação tecnológica e critérios ESG integrados ao ciclo completo dos projetos.
  • A mineração brasileira enfrece exigências rigorosas de licenciamento ambiental, incluindo Estudos de Impacto Ambiental e Planos de Recuperação de Áreas Degradadas, com abordagem de design para fechamento desde a fase conceitual.
  • A viabilidade dos projetos minerais depende crescentemente da licença social para operar, exigindo transparência com comunidades locais e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para reduzir riscos e capturar oportunidades.
Resumo revisado pela redação.

A mineração provoca transformações no meio ambiente – a supressão vegetal, por exemplo, é um dos impactos mais frequentes. Além disso, como as jazidas não podem ser deslocadas, os empreendimentos minerais muitas vezes se localizam em áreas de sensibilidade ambiental. Nesse cenário, como equilibrar atividade mineral e preservação de áreas florestais?

Segundo especialistas do Ministério de Minas e Energia (MME), a conciliação é possível. É o que propõe o Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050. No roteiro do MME, o desafio exige planejamento rigoroso, inovação tecnológica, respeito às normas socioambientais e compromisso com a sustentabilidade: 

Reunião de profissionais analisando planos de mineração e sustentabilidade com tablet, gráficos e plantas, representando planejamento estratégico para o setor de mineração e energia.
Foto: Nin2530 / Shutterstock


Planejamento e localização estratégica: o projeto conceitual de um empreendimento mineral deve considerar a biodiversidade da área de inserção desde a fase inicial. Embora a jazida tenha localização fixa, outras estruturas da mineração (como pilhas de estéril e rejeito, estradas ou usinas) podem ser posicionadas fora de áreas ambientalmente e socialmente sensíveis. Outro ponto importante é incorporar os critérios ESG ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, desde o desenvolvimento até o fechamento da mina.

Tecnologia e inovação: a inovação tecnológica pode reduzir o impacto ambiental durante a vida útil do empreendimento. É o caso de métodos de prospecção menos invasivos, como o uso de geofísica e drones, que tendem a acelerar e otimizar a etapa de pesquisa sem causar impacto significativo no meio físico ou biótico. O retorno de estéril e rejeito filtrado para a cava exaurida (“backfill”) é uma inovação que pode reduzir o custo ambiental.

Legislação e licenciamento ambiental: a mineração está sujeita a exigências rigorosas, incluindo a apresentação de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). A legislação brasileira protege a biodiversidade e, em áreas sensíveis, pode até impedir a pesquisa mineral. Em contrapartida, a mineração tem compensado o Estado brasileiro pelas áreas desmatadas, tanto financeiramente quanto pela conservação de outras áreas ambientais. 

No processo de licenciamento ambiental, as mineradoras também precisam elaborar e cumprir um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e um Plano de Fechamento de Mina (PAFEM), que define o uso futuro da área minerada, inclusive para fins não minerários, como turismo ou agricultura.

A abordagem “Design for Closure” determina que o projeto do empreendimento já deve contemplar o uso futuro do território e das estruturas geotécnicas após o seu fechamento desde a fase conceitual, buscando benefícios, eficiência e redução de custos na recuperação.

Governança e aceitação social: A licença social para operar (LSO) tem sido um desafio crescente para a viabilidade dos projetos. A sociedade exige contrapartidas sociais e ambientais e isso leva as empresas a adotarem comunicação e ações transparentes com as comunidades locais. Outra necessidade é a integração dos critérios ESG nas decisões empresariais, reduzindo risco e capturando oportunidades, além de aumentar a previsibilidade e sustentabilidade do empreendimento.

O PNM 2050 também mostra que o setor mineral precisa estar alinhado aos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), definidos pela ONU. Como destaca o artigo da geóloga Manuela Andrade, ao integrar os ODS em suas estratégias, as empresas investem em mineração responsável e em soluções inovadoras que conciliam lucro com proteção ambiental e inclusão social. 

O resultado desse alinhamento envolve desde a redução de riscos legais e operacionais até a contribuição para a construção de um legado sustentável na indústria.

Dúvidas mais comuns

Mineração sustentável é a atividade de extração mineral que equilibra a viabilidade econômica com a proteção ambiental e responsabilidade social. Envolve planejamento rigoroso, inovação tecnológica, respeito às normas socioambientais e compromisso com a sustentabilidade, buscando minimizar impactos nas áreas florestais e sensíveis enquanto atende aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A mineração sustentável requer uma abordagem integrada que inclui: planejamento estratégico considerando a biodiversidade desde a fase inicial; posicionamento de estruturas como pilhas de estéril e usinas fora de áreas sensíveis; incorporação de critérios ESG ao longo de todo o ciclo de vida do projeto; uso de tecnologias menos invasivas como geofísica e drones; cumprimento rigoroso da legislação ambiental; elaboração de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e Planos de Fechamento de Mina (PAFEM); e manutenção de comunicação transparente com as comunidades locais.

A inovação tecnológica reduz significativamente o impacto ambiental durante a vida útil do empreendimento mineral. Métodos de prospecção menos invasivos, como geofísica e drones, aceleram e otimizam a pesquisa sem causar impacto significativo no meio físico ou biótico. Além disso, técnicas como o retorno de estéril e rejeito filtrado para a cava exaurida ('backfill') reduzem custos ambientais e operacionais, demonstrando que inovação e sustentabilidade caminham juntas.

A licença social para operar é a aceitação e aprovação das comunidades locais para que um empreendimento mineral funcione. Tornou-se um desafio crescente para a viabilidade dos projetos, pois a sociedade exige contrapartidas sociais e ambientais concretas. As empresas precisam adotar comunicação e ações transparentes, integrar critérios ESG nas decisões empresariais e demonstrar compromisso com o desenvolvimento local, aumentando a previsibilidade e sustentabilidade do empreendimento.

O planejamento estratégico é fundamental para conciliar mineração e preservação ambiental. Deve considerar a biodiversidade da área desde a fase inicial do projeto conceitual e posicionar estruturas como pilhas de estéril, rejeito, estradas e usinas fora de áreas ambientalmente e socialmente sensíveis. Além disso, a abordagem 'Design for Closure' determina que o projeto já deve contemplar o uso futuro do território após o fechamento da mina, buscando benefícios, eficiência e redução de custos na recuperação.

A mineração no Brasil está sujeita a exigências rigorosas, incluindo a apresentação de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). As empresas devem elaborar e cumprir um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e um Plano de Fechamento de Mina (PAFEM), que define o uso futuro da área minerada. A legislação brasileira protege a biodiversidade e, em áreas sensíveis, pode até impedir a pesquisa mineral, enquanto a mineração compensa o Estado por áreas desmatadas, tanto financeiramente quanto pela conservação de outras áreas ambientais.

O Plano Nacional de Mineração 2050 mostra que o setor mineral precisa estar alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU. Ao integrar os ODS em suas estratégias, as empresas investem em mineração responsável e em soluções inovadoras que conciliam lucro com proteção ambiental e inclusão social, reduzindo riscos legais e operacionais enquanto contribuem para a construção de um legado sustentável na indústria.

A supressão vegetal é um dos impactos ambientais mais frequentes causados pela mineração. Como as jazidas não podem ser deslocadas, os empreendimentos minerais frequentemente se localizam em áreas de sensibilidade ambiental, tornando essencial o planejamento estratégico e a inovação tecnológica para minimizar esses impactos e garantir a preservação de áreas florestais.