Mesa de abertura do Mining Innovation Summit 2026
Mesa de abertura do Mining Innovation Summit 2026 (Foto: Porto Filmes/ Mining Hub)

Mineração tende a ganhar valor de mercado, mas tem lições de casa a fazer

Especialistas presentes no Mining Innovation Summit avaliam o potencial do setor na atração de investimentos e listam questões a serem endereçadas para isso

Por Vanderlei Campos, 3 min de leitura

Publicado em 03/06/2026

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Tema recorrente no Mining Innovation Summit, realizado ontem (02) em Belo Horizonte, foi o impacto da inteligência artificial sobre a demanda por recursos minerais. Para o vice-presidente executivo técnico da Vale, a expansão dos data centers e da infraestrutura digital deve provocar forte aceleração do consumo de metais e energia. “Hoje, já há falta de minerais. Os data centers para suportar a IA e toda demanda brutal da digitalização dependem de minerais e de energia”, disse.

Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale durante o Mining Innovation Summit 2026
Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale (Foto: Mining Hub via Flickr)

O executivo acredita que essa transformação provocará uma redistribuição dos investimentos globais. “Quando se olha uma NVIDIA, que vale US$ 5 trilhões [se percebe a discrepância]. Pois, se juntarmos o valor de mercado de todas as empresas de mineração, chegaremos a 50% do valor da NVIDIA. Não faz muito sentido quando temos toda essa demanda”, destacou. “Haverá uma migração gradual de recursos para os setores de energia e mineração”, disse.

Capital busca segurança e capacidade de execução

Ao tratar da atração de investimentos, painelistas do evento destacaram que o atual contexto favorece empresas capazes de combinar governança, escala, inovação e previsibilidade.

Na avaliação do economista e diplomata Marcos Troyjo, mudanças estruturais na economia mundial têm levado investidores a olhar com mais atenção para países que oferecem segurança alimentar, energética e mineral. “Essa mudança estrutural que vemos no mundo é tão absolutamente potente que, se pegarmos a ótica dos investimentos estrangeiros diretos, nos dois últimos anos do governo anterior e nos dois primeiros anos deste governo, o Brasil foi o segundo maior destino de investimento estrangeiro direto”, mencionou.

Um homem de cabelos grisalhos e barba, vestindo um terno cinza e camisa azul, sorri enquanto segura um microfone e fala no Mining Innovation Summit de um pódio claro para um público em um ambiente pouco iluminado.
Marcos Troyjo, economista e diplomata (Foto: Mining Hub via Flickr)

Troyjo argumentou que o país reúne atributos cada vez mais valorizados em um cenário internacional marcado por preocupações com segurança alimentar, energética e acesso a recursos estratégicos. “Onde existe uma gigantesca discussão sobre segurança alimentar, o Brasil diz ‘presente’. Onde existe uma gigantesca discussão sobre diversidade energética, o Brasil diz ‘presente’. No mundo em que os recursos naturais se transformaram em recursos estratégicos, os minerais também estão presentes”, enumerou. Segundo o economista, a combinação desses fatores ajuda a explicar o interesse crescente de investidores internacionais pelo país.

Rafael Bittar pontuou que empresas com capacidade comprovada de execução tendem a ocupar posição privilegiada nesse movimento. “Já estamos construindo essa mineração do futuro, pois temos como mostrar que a mineração pode ser mais sustentável, gerar valor compartilhado, ser mais inteligente e autônoma”, afirmou.

Do potencial à competitividade

Embora reconheçam as vantagens geológicas e de maturidade empresarial do país, os especialistas destacaram que transformar recursos minerais em investimentos continua sendo um dos principais desafios brasileiros.

Presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches durante o Mining Innovation Summit 2026
Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil (Foto: Mining Hub via Flickr)

A presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, chamou atenção para as limitações do conhecimento geológico disponível. “Hoje, temos 27% do solo brasileiro mapeado do ponto de vista geológico”, lembrou. Na sua avaliação, ampliar esse conhecimento por meio de novas tecnologias é apenas o primeiro passo. O desafio seguinte envolve licenciamento, segurança jurídica e previsibilidade regulatória. “Quando começamos a descrever todas as implicações que um processo de licenciamento no Brasil traz e todas as etapas não controláveis, os investidores tendem a correr para outros países”, afirmou.

Ela ressaltou a necessidade de reforçar a legitimidade social da atividade mineral. “Quando se está sob holofote, tem de se andar cada vez mais no trilho”, constatou. Para a executiva, o setor precisa evidenciar sua capacidade de operar de forma segura, sustentável e responsável para consolidar protagonismo.

Dúvidas mais comuns

A expansão dos data centers e da infraestrutura digital para suportar a IA provoca uma forte aceleração do consumo de metais e energia. Atualmente, já existe falta de minerais, pois os data centers necessários para suportar a IA e toda a demanda brutal da digitalização dependem diretamente de minerais e de energia para funcionarem.

Existem diversas maneiras de investir na mineração brasileira: através da Bolsa de Valores, investindo indiretamente em ações de mineradoras; pela compra e venda de áreas minerais; ou participando diretamente em projetos de pesquisa e extração mineral. Cada modalidade oferece diferentes níveis de risco e retorno potencial.

O Brasil reúne atributos cada vez mais valorizados no cenário internacional: oferece segurança alimentar, diversidade energética e acesso a recursos estratégicos. Nos últimos quatro anos, o país foi o segundo maior destino de investimento estrangeiro direto, refletindo a confiança dos investidores internacionais na estabilidade e potencial do país.

Embora o Brasil tenha vantagens geológicas, o principal desafio é converter esse potencial em investimentos reais. Isso envolve ampliar o conhecimento geológico (atualmente apenas 27% do solo brasileiro está mapeado), melhorar o licenciamento, garantir segurança jurídica e previsibilidade regulatória, pois processos complexos e etapas não controláveis afastam investidores para outros países.

As empresas precisam combinar governança, escala, inovação e previsibilidade. Além disso, devem demonstrar capacidade comprovada de execução, evidenciar operações seguras e sustentáveis, reforçar a legitimidade social da atividade mineral e manter transparência regulatória. Isso consolida o protagonismo do setor e aumenta a confiança dos investidores internacionais.

Atualmente, o valor de mercado de todas as empresas de mineração representa apenas 50% do valor de uma única empresa de tecnologia como a NVIDIA. Com a crescente demanda por minerais para suportar a IA e a infraestrutura digital, especialistas preveem uma migração gradual de recursos globais para os setores de energia e mineração, potencialmente aumentando significativamente o valor de mercado do setor.

Atualmente, apenas 27% do solo brasileiro está mapeado do ponto de vista geológico. Ampliar esse conhecimento através de novas tecnologias é considerado o primeiro passo fundamental para identificar novas oportunidades de mineração e atrair investimentos internacionais para o setor.

Investidores internacionais buscam segurança e capacidade de execução. Quando os processos de licenciamento são complexos e apresentam muitas etapas não controláveis, os investidores tendem a direcionar seus recursos para outros países com regulamentações mais previsíveis. Portanto, melhorar a clareza e a previsibilidade dos processos regulatórios é essencial para manter a competitividade do Brasil no mercado global de mineração.