Da esquerda para a direita: Karen Gatti, Adalene Moreira Silva, Ana Gabriela Juárez, Fabiana Nery, João Yosef Torres e Natália Mazoni
Da esquerda para a direita: Karen Gatti, Adalene Moreira Silva, Ana Gabriela Juárez, Fabiana Nery, João Yosef Torres e Natália Mazoni (Foto: IBRAM via Flickr)

Diversidade: mais mulheres no mercado de trabalho pode elevar PIB de países

Dados do Banco Mundial apresentados na Exposibram 2026 mostram que a representação feminina pode ampliar o desenvolvimento econômico e da indústria da mineração

Por Mariana Sgarioni, 3 min de leitura

Publicado em 27/08/2026

Baixar PDF Copiar link

BELO HORIZONTE – A maior participação das mulheres no mercado de trabalho pode elevar em até 20% o PIB per capita das economias, segundo dados apresentados durante o painel “As pessoas na transição energética da mineração: muito além da tecnologia”, realizado nesta quarta-feira (26/08), na Exposibram 2026. Na mineração, porém, elas ainda representam cerca de 15% da força de trabalho e ocupam aproximadamente 20% dos cargos de alta gestão.

Os números foram apresentados por Natália Mazoni, advogada especialista em desenvolvimento econômico no Banco Mundial. Segundo ela, a baixa participação feminina não é um problema restrito à mineração. No mercado de trabalho global, apenas 19% dos cargos de liderança e tomada de decisão são ocupados por mulheres.

Uma mulher de óculos e fones de ouvido segura um microfone e gesticula enquanto fala. Ela está vestindo um blazer roxo e tem cabelos escuros.

Estamos deixando metade da população mundial à margem do desenvolvimento”

Para ela, a falta de representatividade cria barreiras que a realimentam, num ciclo que precisa ser rompido.

Na mineração, as barreiras começam ainda no acesso e continuam durante a permanência das profissionais. Natália citou restrições legais existentes em diferentes países. Segundo ela, 73 economias ainda impõem algum tipo de restrição ao trabalho feminino e, em 43 delas, há limitações específicas para mulheres em atividades de mineração. No Brasil, um dos exemplos é a restrição ao trabalho feminino em minas subterrâneas.

Da esquerda para a direita: Karen Gatti, Adalene Moreira Silva, Ana Gabriela Juárez, Fabiana Nery, João Yosef Torres e Natália Mazoni
Da esquerda para a direita: Karen Gatti, Adalene Moreira Silva, Ana Gabriela Juárez, Fabiana Nery, João Yosef Torres e Natália Mazoni (Foto: Mariana Sgarioni)

A permanência das mulheres neste mercado também envolve condições de segurança, infraestrutura, combate ao assédio moral e sexual, igualdade salarial, treinamento e oportunidades de desenvolvimento. “O setor precisa refletir: o que faz as mulheres ficarem na mineração? Existem condições para que essas profissionais permaneçam na atividade e avancem até posições de liderança?”, questionou.

Ana Gabriela Juárez, fundadora da Women in Mining América Central e presidente de Operações da CTA, afirmou que parte da resistência aos movimentos de inclusão na mineração está relacionada à própria cultura das organizações. Ela também chamou atenção para a necessidade de pensar no futuro das pessoas da mesma forma que o setor planeja a vida útil de uma jazida.

“Sabemos quanto tempo vai durar nossa jazida, mas não somos bons em pensar no futuro das pessoas, que são as nossas crianças”, disse.

Diversidade como negócios

João Yosef Torres, CEO da Consultoria Mais Diversidade, afirmou que a diversidade não deve ser tratada dentro das empresas como uma pauta isolada.

Um homem usando fones de ouvido e uma camisa verde fala ao microfone no palco, sentado com as pernas cruzadas contra um fundo azul.

Ela não é uma pauta paralela e sim uma alavanca de negócios”

O executivo defendeu que as empresas passem a avaliar os resultados das políticas de diversidade a partir de indicadores relacionados a talentos, retenção e desempenho. 

A segurança psicológica também foi apontada por ele como condição para retenção e inovação. “Não existe futuro do trabalho sem diversidade e inclusão porque as empresas não podem se dar ao luxo de perder profissionais qualificados”, observou Torres.

Fabiana Nery, gerente de Tecnologia de RH na Vale, também destacou o aspecto da segurança psicológica como um valor que é levado muito a sério pela companhia. “Segurança psicológica é imperativa para reter talentos”, disse.

Formação 

A necessidade de preparar profissionais para uma indústria não apenas diversa, mas também em transformação foi abordada por Adalene Moreira da Silva, professora titular da Universidade de Brasília. 

Nos próximos dez anos, segundo Adalene, será necessário ampliar a formação em novas tecnologias, incluindo programação, conceitos de ESG e novas formas de trabalho, aproximando a academia das demandas da indústria.

Outro desafio é a redução do interesse dos estudantes por cursos relacionados às ciências da Terra e à geologia. Para Adalene, a indústria precisa participar dessa discussão desde a educação básica.

“Mostrar o que é a indústria da mineração desde o ensino fundamental já é uma forma estimular futuros profissionais”, afirmou.

A professora finalizou defendendo que a mineração seja apresentada como parte da infraestrutura da sociedade e que os estudantes compreendam a importância da atividade e do trabalho realizado pelo setor.