Também ao ar livre, como o famoso rodeio que é realizado no mesmo espaço de Jaguariúna (SP), o Radar Mineração visitou a Brazil Equipo Show: evento de exposição de equipamentos e tecnologias para operações fora de estrada, realizado nesta semana. No meio de escavadeiras, tratores, guindastes e pás-carregadeiras, foram as soluções para desmonte de rochas, segurança operacional e descarbonização que chamaram atenção para o setor de mineração.
Controle para desmonte de rochas

Eduardo Batista, diretor de Marketing da Rompex, apresentou um dispositivo que parece uma bisnaga de explosivo, tem potências e tamanhos diferentes, tal como os explosivos, serve para desmonte de rocha, mas… não explode. Trata-se de uma cápsula para ser inserida na rocha que, quando acionada – por pulso elétrico – transforma um composto químico em gás. A expansão desse gás provoca a fragmentação da rocha, e a fragmentação ocorre de forma controlada.
Justamente por ser controlado, esse tipo de operação costuma ser integrado à lista de boas práticas das mineradoras voltadas à licença social para operar. Isso porque a detonação não gera ondas de choque e reduz consideravelmente os riscos de ultralançamento de rochas: duas questões que incomodam as comunidades do entorno da mineração.
Segundo Batista, a tecnologia dispensa pedido de autorização do Exército Brasileiro, algo necessário para os explosivos e que costuma demorar de 60 a 90 dias para emissão. “Atuamos há 17 anos e estamos presentes em atividades de mineração no Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Guiana e México”, diz.
Também para desmonte controlado de rocha, a multinacional italiana Indeco apresentou, em primeira mão, o que ela garante ser o maior rompedor hidráulico do mundo.
Com 11 toneladas de peso bruto técnico (PBT), o equipamento foi desenvolvido para operar em escavadeiras de 65 toneladas ou maiores, e tem como foco operações de mineração e pedreiras que exigem alta capacidade de fragmentação de rochas.

Luca Silvi, CEO da Indeco Brasil, explicou ao Radar Mineração que o equipamento entrega até 25 mil joules de energia de impacto por golpe, característica que permite atuar em maciços rochosos de alta dureza e em blocos de grandes dimensões.
“A proposta é ampliar a produtividade das operações sem abrir mão do controle e da segurança durante o processo de desmonte mecânico de rochas. Esse rompedor é muito utilizado nas grandes mineradoras e também em pedreiras ao redor do mundo. Estamos trazendo essa novidade para o Brasil devido ao grande porte das minerações do país”, diz.
Segurança operacional

Assim como é salutar reduzir a detonação de rochas por explosivos, a GPS Sat considera fundamental prevenir acidentes por aproximação nas lavras de extração de minério. “No ano passado, houve um acidente grave na mina de cobre de Antamina, no Peru: um gestor sênior parou o carro atrás de um caminhão fora de estrada, que não o viu e seguiu partida”, lembra Magnos Szepaniuk, gestor de projetos da GPS Sat.
A solução da empresa é criar uma rede de comunicação entre máquinas, caminhões, veículos leves e trabalhadores em campo, permitindo que cada equipamento conheça, em tempo real, a posição e a condição operacional dos demais, gerando alertas automáticos de aproximação e prevenindo situações como a ocorrida no Peru.
O sistema funciona a partir de um conjunto de hardware embarcado nas máquinas. Além de coletar dados por telemetria — como motor ligado, utilização do implemento e tempo de marcha lenta —, o equipamento transmite periodicamente sua localização e status operacional através de sinal GPS. “Por isso, a tecnologia só está habilitada para minas a céu aberto. No futuro, devemos ter solução para minas subterrâneas”, explica Magnos.
Esse mesmo dispositivo pode ser acoplado aos capacetes de cada trabalhador da mina, como forma de proteção ao pedestre. Nesse caso, o raio de aproximação pode ser visto pelo celular, via bluetooth, mas o sinal de alerta ocorre normalmente, tanto no dispositivo do capacete quanto no veículo/máquina que se aproxima.
Caminhões eletrificados

A Brazil Equipo Show serviu também como local de lançamento da nova linha de caminhões basculantes elétricos da chinesa Sany. Caracterizados com a cor azul clara, a nova linha tem dois modelos.
O caminhão 6×4 tem capacidade para transportar 35 toneladas e é equipado com caçamba de 20 metros cúbicos. Já a versão 8×4 transporta até 45 toneladas e pode receber caçambas de 22 ou 25 metros cúbicos, conforme a densidade do material movimentado.
Os novos caminhões basculantes fazem par com escavadeiras e carregadeiras elétricas lançadas pela companhia nos últimos anos. É o caso da carregadeira SW936E, também apresentada na feira de Jaguariúna. Com 12 toneladas de peso operacional, ela é destinada principalmente à mineração de agregados e outros setores de infraestrutura.
“Para aplicações mais pesadas, chegará ao Brasil, até o final deste ano, a carregadeira SW978E, com 25 toneladas de peso operacional e caçambas de até cinco metros cúbicos para agregados ou cerca de 3,5 metros cúbicos para minério de ferro, dependendo da densidade do material”, diz Márcio Abirached, gerente comercial da Irmen, distribuidora da Sany no Brasil.
A também chinesa XCMG apresentou parte do portfólio de caminhões elétricos na Brazil Equipo Show. A fabricante tem modelos de 10 a 116 toneladas de peso bruto técnico (PBT), sendo os maiores os mais direcionados à mineração.
Segundo Adriano Caputo, executivo sênior de vendas de eletromobilidade pesada da XCMG, a eletrificação é frente importante nas metas de descarbonização das mineradoras, mas, além disso, reduz as ações de manutenção, uma vez que os motores elétricos têm menos componentes móveis do que os a combustão.
De acordo com ele, a empresa mantém caminhões elétricos em estoque no Brasil e disponibiliza unidades para testes em clientes. Entre os equipamentos voltados à mineração, está um caminhão 8×4, de 45 toneladas de PBT, desenvolvido para operar em minas de portes variados.
Além dos caminhões, a fabricante demonstrou a linha de carregadeiras elétricas, com capacidades de caçamba que variam de 1,9 a 8,5 metros cúbicos, incluindo equipamentos que podem ser customizados para aplicações específicas.
“Apesar dos benefícios, a participação dos caminhões e equipamentos elétricos ainda é baixa na mineração”, revela Caputo. Ele explica que a principal barreira está na preparação das operações: “Não adianta simplesmente ter um caminhão elétrico. A mineradora precisa ter alimentação em 380 volts trifásicos, disponibilidade de corrente suficiente para alimentar os carregadores e uma infraestrutura adequada para recebê-los”, explica
Caputo conclui que muitas mineradoras já evoluíram nesse quesito com a geração de parte da própria energia elétrica, seja por meio de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) ou seja por outras fontes de geração, como parques eólicos e solares.