Imagem de um navio de carga no rio, com uma cidade ao fundo ao entardecer, ressaltando o navegação marítima
Navio Pyxis Ocean, da Cargill (Foto: German Andress Pascual via Marine Traffic)

Tecnologias verdes na navegação de minerais reduzem emissões

Conheça algumas das novidades já utilizadas no setor marítimo para aumentar a eficiência energética de navios de transporte de minério

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 01/09/2025

Baixar PDF Copiar link
  • O setor marítimo adota tecnologias verdes como velas rígidas, rotores Flettner, lubrificação a ar e combustíveis alternativos para reduzir emissões, respondendo a regulamentações internacionais como o plano da IMO de zerar emissões até 2050.
  • Navios equipados com essas tecnologias alcançam economias de combustível entre 5% e 30%, evitando milhares de toneladas de CO₂ anuais, como demonstram casos do Pyxis Ocean, Sohar Max e Laura Maersk.
  • A adoção de soluções sustentáveis na navegação de minerais fortalece a competitividade ESG das mineradoras brasileiras e amplia sua viabilidade em rotas globais de exportação de commodities.
Resumo revisado pela redação.

Com o avanço das metas globais de descarbonização, o setor marítimo — responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa — tem adotado soluções inovadoras para reduzir sua pegada ambiental. Entre as tecnologias mais promissoras estão os mastros com velas rígidas, os rotores Flettner, os sistemas de bolhas de ar (air lubrication) e os combustíveis alternativos.

Essas soluções estão sendo impulsionadas por regulamentações internacionais, como o Índice de Eficiência Energética para Navios (EEDI) e o plano da Organização Marítima Internacional (IMO) para zerar emissões líquidas até 2050. A adoção dessas tecnologias não apenas atende às exigências legais, mas também representa uma vantagem competitiva para armadores que buscam operar com menor custo e maior responsabilidade ambiental.

Essas tecnologias sustentáveis aplicadas à navegação têm papel estratégico na redução das emissões associadas ao transporte de commodities. Em especial, rotas de exportação de minério de ferro, cobre e bauxita se beneficiam de embarcações mais eficientes, que contribuem para o cumprimento das diretrizes ambientais previstas no Código Brasileiro de Mineração. A integração entre inovação logística e responsabilidade ambiental fortalece a reputação ESG das mineradoras e amplia sua competitividade global.

Velas Rígidas

O navio Pyxis Ocean, da Cargill, é equipado com duas velas WindWings de 37,5 metros de altura e 200 toneladas cada. Desenvolvidas pela BAR Technologies, essas estruturas funcionam como asas verticais que se ajustam automaticamente à direção do vento por meio de software embarcado. A tecnologia permite uma economia de até 18% no consumo de combustível, com redução estimada de 3,6 a 4 toneladas por dia, como informou o Portal G1. Elas podem ser içadas em 20 minutos e giram até 360°, adaptando-se às condições climáticas.

As velas também contribuem para a redução da pegada sonora e da turbulência gerada pelo navio, favorecendo operações mais silenciosas e estáveis. Seu sistema automatizado de ajuste permite otimizar o desempenho em tempo real, ampliando a aplicabilidade da tecnologia em diferentes tipos de embarcações comerciais.

Rotores Flettner

Imagem de um navio cargueiro ancorado no porto, frente ao mar sob céu claro.
Navio Sohar Max (Foto: Peet de Rouw via Marine Traffic)

Segundo matéria na Época Negócios, os rotores Flettner são cilindros verticais que giram em alta velocidade, gerando força propulsora a partir do vento lateral. O navio Sohar Max utiliza cinco rotores de 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro, alcançando uma economia de 6% no consumo de combustível, o que representa cerca de 3 mil toneladas de CO₂ por ano. 

Os rotores Flettner também contribuem para a estabilidade da embarcação em condições de vento lateral, reduzindo o esforço dos sistemas de propulsão convencionais. Essa sinergia entre aerodinâmica e eficiência energética reforça o potencial da tecnologia como solução sustentável para o transporte marítimo, especialmente em rotas comerciais de longa distância, como entre Brasil e Ásia.

Bolhas de ar

Grande navio de carga marítima navegando em mar aberto, com destaque para sua estrutura robusta e cores vermelho e cinza
Navio Sea Victoria (Foto: Nazir Yusuff via Marine Traffic)

Já o sistema de lubrificação a ar, como o instalado no navio Sea Victoria, utiliza compressores para gerar uma camada de microbolhas sob o casco, reduzindo o atrito com a água. Essa tecnologia pode diminuir o consumo de combustível entre 5% e 12%, com impacto direto na emissão de CO₂. A estimativa é de até 3,4 mil toneladas de CO₂ evitadas por navio anualmente.

Além da eficiência energética, o sistema de lubrificação a ar também contribui para a redução do ruído subaquático, fator relevante na mitigação de impactos ambientais sobre a fauna marinha. A camada de microbolhas atua como uma barreira acústica, diminuindo a propagação de vibrações geradas pelo casco em movimento. Essa característica torna a tecnologia especialmente atrativa para operações em áreas sensíveis ou com regulamentações ambientais rigorosas.

Metanol verde e biocombustíveis

Navio cargueiro Laura Maersk com grandes contêineres coloridos navegando pelo rio, promovendo a sustentabilidade e transporte marítimo eficiente.
Navio Laura Maersk (Foto: Krisztian Balla via Marine Traffic)

A Maersk lançou o Laura Maersk, primeiro cargueiro movido a metanol verde, que emite 100 toneladas de CO₂ a menos por dia em comparação com navios convencionais. O metanol verde é produzido a partir de fontes renováveis e não gera poluentes durante sua combustão

No Brasil, segundo o Ministério de Minas e Energia, biocombustíveis, como biodiesel e etanol, já são utilizados em embarcações, com destaque para sua compatibilidade com motores existentes (“drop-in”), o que reduz custos de adaptação.

Sistemas híbridos e inteligência artificial

Navios como o Pyxis Ocean também integram sistemas híbridos, combinando propulsão a vela com motores convencionais. Segundo estudo da RIC/CPS, essa configuração pode reduzir as emissões em até 30%, além de permitir maior eficiência energética. A automação e o uso de IA para controle de rotas e consumo também estão sendo incorporados, otimizando o desempenho em tempo real.

Algoritmos embarcados analisam dados meteorológicos, rotas e desempenho em tempo real, promovendo decisões mais eficientes e sustentáveis. Essa abordagem reforça a transição para uma logística marítima de baixo carbono.

Dúvidas mais comuns

As principais tecnologias verdes incluem mastros com velas rígidas (como as WindWings), rotores Flettner, sistemas de lubrificação a ar (air lubrication), combustíveis alternativos como metanol verde e biocombustíveis, além de sistemas híbridos que combinam propulsão a vela com motores convencionais. Essas soluções trabalham em conjunto para reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.

As velas rígidas, como as WindWings do navio Pyxis Ocean, são estruturas verticais de até 37,5 metros de altura que funcionam como asas. Elas se ajustam automaticamente à direção do vento por meio de software embarcado, podem ser içadas em 20 minutos e giram até 360°. Essa tecnologia permite uma economia de até 18% no consumo de combustível, reduzindo 3,6 a 4 toneladas de combustível por dia, além de diminuir a pegada sonora e a turbulência gerada pelo navio.

Os rotores Flettner são cilindros verticais que giram em alta velocidade, gerando força propulsora a partir do vento lateral. O navio Sohar Max, equipado com cinco rotores de 35 metros de altura, alcança uma economia de 6% no consumo de combustível, o que representa cerca de 3 mil toneladas de CO₂ evitadas por ano. Além disso, contribuem para a estabilidade da embarcação em condições de vento lateral, reduzindo o esforço dos sistemas de propulsão convencionais.

O sistema de lubrificação a ar utiliza compressores para gerar uma camada de microbolhas sob o casco do navio, reduzindo o atrito com a água. Essa tecnologia pode diminuir o consumo de combustível entre 5% e 12%, evitando até 3,4 mil toneladas de CO₂ por navio anualmente. Além da eficiência energética, as microbolhas atuam como barreira acústica, reduzindo o ruído subaquático e mitigando impactos ambientais sobre a fauna marinha.

O metanol verde é um combustível produzido a partir de fontes renováveis que não gera poluentes durante sua combustão. O navio Laura Maersk, primeiro cargueiro movido a metanol verde, emite 100 toneladas de CO₂ a menos por dia em comparação com navios convencionais. Essa tecnologia representa uma alternativa significativa para descarbonizar o transporte marítimo, especialmente em rotas de longa distância.

Os sistemas híbridos combinam propulsão a vela com motores convencionais, permitindo redução de emissões de até 30%. A inteligência artificial otimiza o desempenho em tempo real através de algoritmos embarcados que analisam dados meteorológicos, rotas e consumo de combustível, promovendo decisões mais eficientes e sustentáveis. Essa abordagem reforça a transição para uma logística marítima de baixo carbono.

A adoção de tecnologias verdes na navegação marítima não apenas atende às exigências legais internacionais, como o Índice de Eficiência Energética para Navios (EEDI) e as metas da IMO para zerar emissões até 2050, mas também representa uma vantagem competitiva. Para mineradoras que exportam minério de ferro, cobre e bauxita, embarcações mais eficientes fortalecem a reputação ESG, ampliam a competitividade global e contribuem para o cumprimento das diretrizes ambientais previstas no Código Brasileiro de Mineração.

O setor marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, está adotando tecnologias verdes impulsionado por regulamentações internacionais e metas globais de descarbonização. Além de atender às exigências legais, essas soluções representam uma vantagem competitiva para armadores que buscam operar com menor custo e maior responsabilidade ambiental, integrando inovação logística com sustentabilidade.