- O setor marítimo adota tecnologias verdes como velas rígidas, rotores Flettner, lubrificação a ar e combustíveis alternativos para reduzir emissões, respondendo a regulamentações internacionais como o plano da IMO de zerar emissões até 2050.
- Navios equipados com essas tecnologias alcançam economias de combustível entre 5% e 30%, evitando milhares de toneladas de CO₂ anuais, como demonstram casos do Pyxis Ocean, Sohar Max e Laura Maersk.
- A adoção de soluções sustentáveis na navegação de minerais fortalece a competitividade ESG das mineradoras brasileiras e amplia sua viabilidade em rotas globais de exportação de commodities.
Com o avanço das metas globais de descarbonização, o setor marítimo — responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa — tem adotado soluções inovadoras para reduzir sua pegada ambiental. Entre as tecnologias mais promissoras estão os mastros com velas rígidas, os rotores Flettner, os sistemas de bolhas de ar (air lubrication) e os combustíveis alternativos.
Essas soluções estão sendo impulsionadas por regulamentações internacionais, como o Índice de Eficiência Energética para Navios (EEDI) e o plano da Organização Marítima Internacional (IMO) para zerar emissões líquidas até 2050. A adoção dessas tecnologias não apenas atende às exigências legais, mas também representa uma vantagem competitiva para armadores que buscam operar com menor custo e maior responsabilidade ambiental.
Essas tecnologias sustentáveis aplicadas à navegação têm papel estratégico na redução das emissões associadas ao transporte de commodities. Em especial, rotas de exportação de minério de ferro, cobre e bauxita se beneficiam de embarcações mais eficientes, que contribuem para o cumprimento das diretrizes ambientais previstas no Código Brasileiro de Mineração. A integração entre inovação logística e responsabilidade ambiental fortalece a reputação ESG das mineradoras e amplia sua competitividade global.
Velas Rígidas
O navio Pyxis Ocean, da Cargill, é equipado com duas velas WindWings de 37,5 metros de altura e 200 toneladas cada. Desenvolvidas pela BAR Technologies, essas estruturas funcionam como asas verticais que se ajustam automaticamente à direção do vento por meio de software embarcado. A tecnologia permite uma economia de até 18% no consumo de combustível, com redução estimada de 3,6 a 4 toneladas por dia, como informou o Portal G1. Elas podem ser içadas em 20 minutos e giram até 360°, adaptando-se às condições climáticas.
As velas também contribuem para a redução da pegada sonora e da turbulência gerada pelo navio, favorecendo operações mais silenciosas e estáveis. Seu sistema automatizado de ajuste permite otimizar o desempenho em tempo real, ampliando a aplicabilidade da tecnologia em diferentes tipos de embarcações comerciais.
Rotores Flettner

Segundo matéria na Época Negócios, os rotores Flettner são cilindros verticais que giram em alta velocidade, gerando força propulsora a partir do vento lateral. O navio Sohar Max utiliza cinco rotores de 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro, alcançando uma economia de 6% no consumo de combustível, o que representa cerca de 3 mil toneladas de CO₂ por ano.
Os rotores Flettner também contribuem para a estabilidade da embarcação em condições de vento lateral, reduzindo o esforço dos sistemas de propulsão convencionais. Essa sinergia entre aerodinâmica e eficiência energética reforça o potencial da tecnologia como solução sustentável para o transporte marítimo, especialmente em rotas comerciais de longa distância, como entre Brasil e Ásia.
Bolhas de ar

Já o sistema de lubrificação a ar, como o instalado no navio Sea Victoria, utiliza compressores para gerar uma camada de microbolhas sob o casco, reduzindo o atrito com a água. Essa tecnologia pode diminuir o consumo de combustível entre 5% e 12%, com impacto direto na emissão de CO₂. A estimativa é de até 3,4 mil toneladas de CO₂ evitadas por navio anualmente.
Além da eficiência energética, o sistema de lubrificação a ar também contribui para a redução do ruído subaquático, fator relevante na mitigação de impactos ambientais sobre a fauna marinha. A camada de microbolhas atua como uma barreira acústica, diminuindo a propagação de vibrações geradas pelo casco em movimento. Essa característica torna a tecnologia especialmente atrativa para operações em áreas sensíveis ou com regulamentações ambientais rigorosas.
Metanol verde e biocombustíveis

A Maersk lançou o Laura Maersk, primeiro cargueiro movido a metanol verde, que emite 100 toneladas de CO₂ a menos por dia em comparação com navios convencionais. O metanol verde é produzido a partir de fontes renováveis e não gera poluentes durante sua combustão
No Brasil, segundo o Ministério de Minas e Energia, biocombustíveis, como biodiesel e etanol, já são utilizados em embarcações, com destaque para sua compatibilidade com motores existentes (“drop-in”), o que reduz custos de adaptação.
Sistemas híbridos e inteligência artificial
Navios como o Pyxis Ocean também integram sistemas híbridos, combinando propulsão a vela com motores convencionais. Segundo estudo da RIC/CPS, essa configuração pode reduzir as emissões em até 30%, além de permitir maior eficiência energética. A automação e o uso de IA para controle de rotas e consumo também estão sendo incorporados, otimizando o desempenho em tempo real.
Algoritmos embarcados analisam dados meteorológicos, rotas e desempenho em tempo real, promovendo decisões mais eficientes e sustentáveis. Essa abordagem reforça a transição para uma logística marítima de baixo carbono.