Terras raras e outros minerais estratégicos estão presentes em uma ampla variedade de produtos e tecnologias. São utilizados em chips de celulares, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de defesa e ímãs permanentes,, entre outras aplicações. A expansão dessas cadeias chama a atenção também para um insumo menos conhecido, mas fundamental em diferentes etapas do processamento mineral: o ácido sulfúrico.
O produto, amplamente utilizado pela indústria, vem adquirindo importância adicional à medida que cresce de minerais considerados críticos para a transição energética e para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Na mineração, o ácido sulfúrico é um insumo crítico na lixiviação de minérios para a extração de metais estratégicos. No processo HPAL, sigla em inglês para High Pressure Acid Leach, ou seja, lixiviação ácida sob alta pressão, são consumidas entre 4 e 6 toneladas do reagente por tonelada de metal produzido.
Na extração de lítio a partir de espodumênio, o ácido é utilizado em etapas de conversão e purificação. Já no beneficiamento de terras raras, participa do tratamento químico de determinados concentrados e da separação de elementos. A demanda incremental desses setores, impulsionada pela transição energética e pela expansão das baterias para veículos elétricos, compete por volumes de ácido sulfúrico que tradicionalmente atendiam mercados como fertilizantes fosfatados, tratamento de água e síntese química.
“O avanço da transição energética e o fortalecimento da cadeia de minerais críticos reforçaram o caráter estratégico da indústria química e de componentes como o ácido sulfúrico. E, embora o Brasil disponha de capacidade instalada suficiente para atender grande parte da demanda nacional, o setor vem enfrentando um cenário de aumento de custos”, explica o gerente de Economia e Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Eder da Silva.
Enxofre mais caro pressiona diferentes cadeias
O enxofre é uma das principais matérias-primas para a produção do ácido sulfúrico. Como o Brasil, assim como outros países, depende de importações para atender parcela relevante de seu consumo, as oscilações do mercado internacional afetam diretamente os custos da indústria nacional.

