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Número de empresas com inventário de emissões bate recorde no ano

Mais de 600 organizações no Brasil medem e mapeiam a pegada de carbono em suas atividades conforme metodologia global

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 25/11/2025 | Atualizado em 05/11/2025

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  • O Programa Brasileiro GHG Protocol registrou 673 organizações em 2025, crescimento de 25% em relação a 2024, responsáveis por mais de 200 milhões de toneladas de CO2-equivalente em emissões diretas.
  • As empresas participantes ultrapassaram 1 bilhão de toneladas em emissões indiretas (escopo 3) pela primeira vez, com cerca de 60% assumindo compromissos voluntários de redução de emissões.
  • Para algumas categorias de emissões, as organizações registradas representam mais de 50% do total nacional, evidenciando concentração de responsabilidade climática em grandes empresas brasileiras.
Resumo revisado pela redação.

Em pouco mais de um semestre, o Programa Brasileiro GHG Protocol registrou 1,3 mil inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) na Plataforma Registro Público de Emissões. Segundo dados do FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas), que coordena a ação no Brasil, isso representa um aumento de 25% em relação ao ano passado.

O Ciclo 2025 do programa reúne 673 organizações (134 a mais do que em 2024), responsáveis por mais de 200 milhões de toneladas de CO2-equivalente (tCO2 e) em emissões diretas (escopo 1). Em termos de emissões indiretas (escopo 3), o registro ultrapassa 1 bilhão de toneladas pela primeira vez. Para algumas categorias de emissões, os volumes compreendem mais de 50% do total de emissões nacionais.

Guilherme Lefèvre, pesquisador e gestor do Programa GHG Protocol pelo FGVces, destaca que cada vez mais organizações buscam dimensionar suas emissões, inclusive com a ferramenta de cálculo de emissões de GEE. Ele ressalta que muitas dessas companhias não param nos diagnósticos, mas também estabelecem metas para reduzir suas emissões e impactos decorrentes. Cerca de 60% das organizações assumem compromissos voluntários de mitigação.

“Em ano de COP 30 no Brasil, as empresas estão particularmente engajadas em atuar no tema da mudança do clima, buscando contribuir para uma maior transparência quanto às emissões que decorrem de suas atividades”, avalia o professor. “É de extrema importância que tais compromissos sejam implementados com efetividades e urgência, considerando os enormes desafios impostos pela mudança do clima”, enfatiza.

Brasil com destaque para a Amazônia, com símbolos de sustentabilidade e conservação ambiental, promovendo a COP30 Brasil na região da Amazônia.
Foto: DOERS / Shutterstock

Nas análises setoriais, nota-se uma predominância das emissões associadas ao uso de aparelhos de ar-condicionado para alguns setores de serviços, tais como o setor financeiro, educação e comércio, com mais emissões do que aquelas associadas ao consumo de eletricidade. Em setores produtivos (indústria, agropecuária etc.), a principal fonte é a queima de combustíveis fósseis em caldeiras e geradores.

O pesquisador da FGV lembra que as articulações das indústrias e núcleos de pesquisa e padronização de boas práticas são cada vez mais importantes pois, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é necessária uma redução de 43% das emissões globais até 2030 para evitar impactos climáticos demasiadamente severos.

Escopo e certificações do GHG Protocol

O Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) é um padrão globalmente aceito para contabilizar e reportar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ele foi desenvolvido para fornecer uma estrutura consistente para empresas e outras organizações medirem sua pegada de carbono.

O GHG Protocol classifica as emissões em três escopos para ajudar as empresas a identificarem e gerenciarem e  suas emissões:

  • Escopo 1: geradas por instalações pertencentes ou controladas pela organização, representam, para algumas categorias, uma parcela representativa das emissões brasileiras, acima de 50% ou mais para algumas fontes. É o caso das emissões das categorias Combustão Estacionária e Processos Industriais, que refletem, respectivamente, 55% e 76% das emissões nacionais para essas fontes.
  • Escopo 2: emissões indiretas de GEE provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica. O montante relatado no Programa representa 25% do consumo nacional de eletricidade.
  • Escopo 3: emissões indiretas geradas de forma alheia à organização, mas consequentes de suas atividades, somam em torno de 1,15 bilhão de toneladas de CO2-equivalente.

Os membros do Programa Brasileiro GHG Protocol são certificados em três categorias: o Ouro credencia as organizações que forneceram inventários completos e verificados por terceira parte creditada; o inventário completo habilita à categoria Prata e o relatório parcial permite a certificação Bronze.

Dúvidas mais comuns

O GHG Protocol é um padrão globalmente aceito para contabilizar e reportar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Desenvolvido para fornecer uma estrutura consistente, ele permite que empresas e organizações meçam sua pegada de carbono de forma padronizada e comparável, facilitando a transparência e o compromisso com metas de redução de emissões.

O Programa Brasileiro GHG Protocol registrou um crescimento de 25% em um ano, passando de 539 organizações em 2024 para 673 organizações no Ciclo 2025. Esse aumento representa 134 novas empresas aderindo ao programa, refletindo o maior engajamento das organizações brasileiras com a mensuração e transparência de suas emissões de carbono.

O Escopo 1 compreende emissões diretas geradas por instalações pertencentes ou controladas pela organização, totalizando mais de 200 milhões de toneladas de CO2-equivalente. O Escopo 2 refere-se a emissões indiretas provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica, representando 25% do consumo nacional de eletricidade. O Escopo 3 engloba emissões indiretas geradas de forma alheia à organização, mas consequentes de suas atividades, somando aproximadamente 1,15 bilhão de toneladas de CO2-equivalente.

O GHG Protocol é fundamental para que as empresas brasileiras dimensionem suas emissões e estabeleçam metas de redução com transparência. Aproximadamente 60% das organizações participantes assumem compromissos voluntários de mitigação, contribuindo para o cumprimento da meta global de redução de 43% das emissões até 2030, conforme estabelecido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Em setores de serviços como financeiro, educação e comércio, as emissões associadas ao uso de ar-condicionado superam aquelas do consumo de eletricidade. Já em setores produtivos como indústria e agropecuária, a principal fonte é a queima de combustíveis fósseis em caldeiras e geradores, sendo que essas categorias representam mais de 50% das emissões nacionais em algumas fontes específicas.

O programa oferece três categorias de certificação: Ouro, para organizações que forneceram inventários completos e verificados por terceira parte creditada; Prata, para aquelas com inventário completo; e Bronze, para aquelas com relatório parcial. Essa estrutura incentiva as empresas a aprofundarem seus processos de mensuração e verificação de emissões.

As 673 organizações participantes do Ciclo 2025 são responsáveis por mais de 200 milhões de toneladas de CO2-equivalente em emissões diretas (Escopo 1) e ultrapassam 1 bilhão de toneladas em emissões indiretas (Escopo 3). Para algumas categorias específicas como Combustão Estacionária (55%) e Processos Industriais (76%), essas empresas representam mais de 50% do total de emissões nacionais.

O aumento de 25% na adesão ao programa em 2025 reflete o maior engajamento das empresas brasileiras com a agenda climática, especialmente em ano de COP 30 no Brasil. As organizações buscam contribuir para maior transparência quanto às emissões decorrentes de suas atividades e implementar compromissos de mitigação com efetividade e urgência, considerando os desafios impostos pela mudança do clima.