Em pouco mais de um semestre, o Programa Brasileiro GHG Protocol registrou 1,3 mil inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) na Plataforma Registro Público de Emissões. Segundo dados do FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas), que coordena a ação no Brasil, isso representa um aumento de 25% em relação ao ano passado.
O Ciclo 2025 do programa reúne 673 organizações (134 a mais do que em 2024), responsáveis por mais de 200 milhões de toneladas de CO2-equivalente (tCO2 e) em emissões diretas (escopo 1). Em termos de emissões indiretas (escopo 3), o registro ultrapassa 1 bilhão de toneladas pela primeira vez. Para algumas categorias de emissões, os volumes compreendem mais de 50% do total de emissões nacionais.
Guilherme Lefèvre, pesquisador e gestor do Programa GHG Protocol pelo FGVces, destaca que cada vez mais organizações buscam dimensionar suas emissões, inclusive com a ferramenta de cálculo de emissões de GEE. Ele ressalta que muitas dessas companhias não param nos diagnósticos, mas também estabelecem metas para reduzir suas emissões e impactos decorrentes. Cerca de 60% das organizações assumem compromissos voluntários de mitigação.
“Em ano de COP 30 no Brasil, as empresas estão particularmente engajadas em atuar no tema da mudança do clima, buscando contribuir para uma maior transparência quanto às emissões que decorrem de suas atividades”, avalia o professor. “É de extrema importância que tais compromissos sejam implementados com efetividades e urgência, considerando os enormes desafios impostos pela mudança do clima”, enfatiza.

Nas análises setoriais, nota-se uma predominância das emissões associadas ao uso de aparelhos de ar-condicionado para alguns setores de serviços, tais como o setor financeiro, educação e comércio, com mais emissões do que aquelas associadas ao consumo de eletricidade. Em setores produtivos (indústria, agropecuária etc.), a principal fonte é a queima de combustíveis fósseis em caldeiras e geradores.
O pesquisador da FGV lembra que as articulações das indústrias e núcleos de pesquisa e padronização de boas práticas são cada vez mais importantes pois, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é necessária uma redução de 43% das emissões globais até 2030 para evitar impactos climáticos demasiadamente severos.
Escopo e certificações do GHG Protocol
O Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) é um padrão globalmente aceito para contabilizar e reportar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ele foi desenvolvido para fornecer uma estrutura consistente para empresas e outras organizações medirem sua pegada de carbono.
O GHG Protocol classifica as emissões em três escopos para ajudar as empresas a identificarem e gerenciarem e suas emissões:
- Escopo 1: geradas por instalações pertencentes ou controladas pela organização, representam, para algumas categorias, uma parcela representativa das emissões brasileiras, acima de 50% ou mais para algumas fontes. É o caso das emissões das categorias Combustão Estacionária e Processos Industriais, que refletem, respectivamente, 55% e 76% das emissões nacionais para essas fontes.
- Escopo 2: emissões indiretas de GEE provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica. O montante relatado no Programa representa 25% do consumo nacional de eletricidade.
- Escopo 3: emissões indiretas geradas de forma alheia à organização, mas consequentes de suas atividades, somam em torno de 1,15 bilhão de toneladas de CO2-equivalente.
Os membros do Programa Brasileiro GHG Protocol são certificados em três categorias: o Ouro credencia as organizações que forneceram inventários completos e verificados por terceira parte creditada; o inventário completo habilita à categoria Prata e o relatório parcial permite a certificação Bronze.