BELO HORIZONTE – Mais do que metas de produção, investimentos ou diretrizes para o crescimento do setor, o principal desafio do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050) pode estar nas pessoas. Como construir uma política mineral capaz de respeitar as diferenças entre os territórios, ouvir as comunidades e dialogar com a sociedade foi uma das principais questões do painel realizado na tarde desta terça-feira (25), durante a Exposibram 2026. Para representantes do governo e do setor, o componente social é um dos principais gargalos para o avanço da mineração no país.
Tendo o PNM 2050 como referência, os painelistas discutiram de que forma o planejamento de longo prazo pode contemplar um país marcado por diferentes realidades regionais e sociais.
Antonio José de Araújo Rocha, vice-presidente Executivo do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Minas e Energia (FNSME), chamou atenção para a dificuldade de tratar de maneira uniforme regiões que apresentam características muito distintas.
O Fórum é um instrumento para que o plano desça de Brasília e chegue aos territórios”
A preocupação é fazer com que as diretrizes nacionais não permaneçam restritas ao planejamento federal, e consigam dialogar com as particularidades de cada região. Para um país que reúne diferentes realidades minerais, econômicas e sociais, a implementação do PNM 2050 depende dessa conexão com os territórios.
A questão ganhou uma abordagem mais direta na fala de Julevania Alves Olegário, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME).
“Não tenho dúvida que o maior gargalo é o social”, disse.
Na avaliação dela, parte desse trabalho está na comunicação com os territórios.
“A aproximação com as comunidades precisa partir da escuta e do reconhecimento de que quem vive naquele local deve ser considerado no processo”. “Quem chega em um território deve respeitar quem mora lá”, afirmou.
Mineração: uma atividade temporária
Julevania também apresentou uma perspectiva sobre o papel da mineração no desenvolvimento dos territórios. Para ela, a atividade deve contribuir para que as regiões tenham condições de seguir seu próprio caminho, considerando que a exploração mineral não é permanente.
A mineração é como uma mãe: ela é essencial na infância, mas deve criar os filhos para que sejam independentes dela no futuro.”
A ideia é que a atividade ajude a estruturar condições para que os territórios desenvolvam autonomia e não permaneçam dependentes da mineração. A diretora também mencionou a necessidade de otimizar processos para reduzir a geração de rejeitos e ampliar o aproveitamento desses materiais.
João Marcos Pires Camargo, diretor de Planejamento e Política Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), resumiu que “a palavra de ordem é respeito. Se tivermos respeito e conseguirmos ouvir já teremos um diferencial.
Para Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), a participação da sociedade precisa estar incorporada ao planejamento desde sua construção.
“É preciso incorporar elementos das comunidades nestes planos”, afirmou. Segundo ele, é necessário, cada vez mais, que a mineração se aproxime da sociedade e construa uma relação mais próxima com a população, que depende diretamente desta atividade.
Todo mundo, em qualquer comunidade, tem um celular na mão e precisa saber que isso acontece graças à mineração.”
Ao resumir sua provocação sobre a necessidade de mudar a percepção social da atividade, Carballal encerrou com a frase: “O agro é pop e a mineração tem que ser rock.”