Da esquerda para a direita: Henrique Carballal, Julevania Alves Olegário, Antônio José de Araújo Rocha, João Marcos Pires Camargo
Da esquerda para a direita: Henrique Carballal, Julevania Alves Olegário, Antônio José de Araújo Rocha e João Marcos Pires Camargo (Foto: Vale)

“O agro é pop, a mineração tem de ser rock”

Frase de Henrique Carballal, do CBPM, chama a atenção para a importância da aproximação da população com o setor de mineração, como prevê o Plano Nacional de Mineração 2050

Por Mariana Sgarioni, 2 min de leitura

Publicado em 26/08/2026

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BELO HORIZONTE – Mais do que metas de produção, investimentos ou diretrizes para o crescimento do setor, o principal desafio do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050) pode estar nas pessoas. Como construir uma política mineral capaz de respeitar as diferenças entre os territórios, ouvir as comunidades e dialogar com a sociedade foi uma das principais questões do painel realizado na tarde desta terça-feira (25), durante a Exposibram 2026. Para representantes do governo e do setor, o componente social é um dos principais gargalos para o avanço da mineração no país.

Tendo o PNM 2050 como referência, os painelistas discutiram de que forma o planejamento de longo prazo pode contemplar um país marcado por diferentes realidades regionais e sociais. 

Antonio José de Araújo Rocha, vice-presidente Executivo do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Minas e Energia (FNSME), chamou atenção para a dificuldade de tratar de maneira uniforme regiões que apresentam características muito distintas.

Um senhor de idade, usando óculos, fones de ouvido e um blazer marrom, está sentado diante de uma tela azul e verde, olhando para o lado, com um crachá da conferência pendurado no pescoço.

O Fórum é um instrumento para que o plano desça de Brasília e chegue aos territórios”

A preocupação é fazer com que as diretrizes nacionais não permaneçam restritas ao planejamento federal, e consigam dialogar com as particularidades de cada região. Para um país que reúne diferentes realidades minerais, econômicas e sociais, a implementação do PNM 2050 depende dessa conexão com os territórios.

A questão ganhou uma abordagem mais direta na fala de Julevania Alves Olegário, diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME).

“Não tenho dúvida que o maior gargalo é o social”, disse.

Na avaliação dela, parte desse trabalho está na comunicação com os territórios. 

“A aproximação com as comunidades precisa partir da escuta e do reconhecimento de que quem vive naquele local deve ser considerado no processo”. “Quem chega em um território deve respeitar quem mora lá”, afirmou. 

Mineração: uma atividade temporária

Julevania também apresentou uma perspectiva sobre o papel da mineração no desenvolvimento dos territórios. Para ela, a atividade deve contribuir para que as regiões tenham condições de seguir seu próprio caminho, considerando que a exploração mineral não é permanente.

Uma mulher vestindo um blazer branco, blusa preta e colar de pérolas está sentada, usando fones de ouvido e óculos, em frente a um fundo colorido com texto.

A mineração é como uma mãe: ela é essencial na infância, mas deve criar os filhos para que sejam independentes dela no futuro.”

A ideia é que a atividade ajude a estruturar condições para que os territórios desenvolvam autonomia e não permaneçam dependentes da mineração. A diretora também mencionou a necessidade de otimizar processos para reduzir a geração de rejeitos e ampliar o aproveitamento desses materiais.

João Marcos Pires Camargo, diretor de Planejamento e Política Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), resumiu que “a palavra de ordem é respeito. Se tivermos respeito e conseguirmos ouvir já teremos um diferencial.

Para Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), a participação da sociedade precisa estar incorporada ao planejamento desde sua construção. 

“É preciso incorporar elementos das comunidades nestes planos”, afirmou. Segundo ele, é necessário, cada vez mais, que a mineração se aproxime da sociedade e construa uma relação mais próxima com a população, que depende diretamente desta atividade. 

Um homem de cabelos grisalhos, usando fones de ouvido pretos grandes, uma camisa xadrez e um blazer preto, está sentado diante de um fundo azul com textos e imagens.

Todo mundo, em qualquer comunidade, tem um celular na mão e precisa saber que isso acontece graças à mineração.”

Ao resumir sua provocação sobre a necessidade de mudar a percepção social da atividade, Carballal encerrou com a frase: “O agro é pop e a mineração tem que ser rock.”