Mãos segurando grãos de ferro de redução direta (DRI), material de mineração de ferro em processo de abastecimento e manuseio a céu aberto.
Foto: Vale

DRI e HBI ganham espaço na corrida por um aço verde

Tecnologias de redução direta substituem gradualmente o carvão mineral e abrem caminho para a integração com hidrogênio verde na siderurgia.

Por Redação, 4 min de leitura

Publicado em 04/05/2026

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A pressão global pela descarbonização da indústria pesada acelera a adoção de tecnologias capazes de reduzir a pegada de carbono da siderurgia. Nesse contexto, o DRI (Ferro de Redução Direta) e o HBI (Ferro Briquetado a Quente) integram o processo de produção de aço, sobretudo em rotas siderúrgicas que substituem gradualmente o uso intensivo de carvão mineral e coque.

Mais do que alternativas técnicas à sucata em fornos de aciaria e ao minério de ferro utilizado em altos-fornos, DRI e HBI representam um olhar mais atento à sustentabilidade no processo produtivo do aço. Com menor presença de impurezas, maior previsibilidade operacional e potencial de integração com hidrogênio verde, essas soluções compõem etapas do chamado “aço verde”.

DRI e HBI: o que são?

De acordo com o glossário do Radar mineração, o DRI, ou Ferro de Redução Direta, é “o ferro produzido pela redução direta do minério a temperaturas abaixo do ponto de fusão, a partir de um agente redutor como gás natural ou carvão”. Nesse processo, o oxigênio é removido do minério utilizando agentes redutores, principalmente gás natural. O resultado é um material com elevado teor de ferro metálico e baixos níveis de contaminantes, como cobre, enxofre e outros metais residuais.

Utilizado principalmente em fornos elétricos a arco (EAF), o DRI tornou-se uma matéria-prima que permite a fabricação de aços de maior qualidade. O material também pode ser empregado em altos-fornos e conversores a oxigênio básico (BOF), ampliando a flexibilidade operacional das siderúrgicas.

Já o HBI é descrito pelo glossário como “uma forma compactada de DRI (Ferro de Redução Direta) que oferece maior estabilidade, segurança no manuseio e no transporte e menor risco de reoxidação, o que facilita a exportação”.

O desenvolvimento do HBI surgiu justamente para solucionar problemas relacionados ao transporte do DRI convencional, que tendia a aquecer e a liberar hidrogênio quando em contato com água, sobretudo a salgada. Na década de 1980, regulamentações internacionais de segurança marítima impulsionaram o avanço da briquetagem a quente como alternativa mais segura e eficiente.

Aplicação no processo de produção de aço

O DRI e o HBI são utilizados como carga metálica em fornos elétricos a arco, substituindo parcialmente a sucata metálica e contribuindo para maior controle da qualidade do aço produzido.

O DRI pode ser utilizado em diferentes formas. O chamado CDRI (Cold DRI) é resfriado após a redução e serve para abastecimento contínuo dos EAF. Já o HDRI (Hot DRI) é transportado ainda em altas temperaturas, próximas a 650°C, o que permite aproveitar calor residual no forno elétrico e reduzir o consumo energético da produção siderúrgica.

O HBI, por sua vez, ganhou relevância não apenas nos fornos elétricos, mas também em altos-fornos e conversores LD/BOF. Em altos-fornos, o produto pode substituir parte da carga tradicional de minério e coque, reduzindo o consumo de carbono fóssil. De acordo com a Midrex, o HBI pode representar até 30% da carga do alto-forno sem necessidade de alterações significativas nos equipamentos.

Além disso, a utilização de HBI em altos-fornos pode elevar a produtividade da produção de ferro-gusa. Ainda de acordo com dados da Midrex, um aumento de 10% na metalização da carga pode elevar a produção em 8%, enquanto um incremento de 30% pode ampliar a produção de ferro-gusa em até 24%.

Esse efeito é estratégico em casos de insuficiência na disponibilidade de metal líquido ou quando um dos alto-fornos está inoperante. O aumento da produtividade confere mais resiliência à produção de aço, principal aplicação do DRI e HBI.

Conexão com a sustentabilidade

A adoção de DRI e HBI está ligada, para além das vantagens financeiras e operacionais, aos esforços globais de descarbonização da siderurgia, setor responsável por aproximadamente 7% das emissões globais de CO₂.

A principal vantagem ambiental da rota de redução direta é a substituição do coque derivado do carvão mineral por gás natural no processo de redução do minério de ferro. Essa mudança reduz as emissões de carbono em comparação aos altos-fornos tradicionais.

O potencial ambiental se torna ainda maior com a perspectiva de utilização de hidrogênio verde como agente redutor. Nesse modelo, a produção de aço pode atingir emissões próximas de zero gases de efeito estufa.

Outro vetor de sustentabilidade é a tecnologia de briquetagem desenvolvida pela Vale, que já conta com acordo com a Midrex para uso em plantas de redução direta. O processo busca substituir a pelotização tradicional do minério de ferro por briquetes produzidos em baixa temperatura, reduzindo custos de produção e diminuindo em cerca de 80% as emissões de CO₂ associadas à etapa de aglomeração do minério.

Grande local de mineração industrial com correias transportadoras transportando e empilhando minerais DRI e HBI cinza-escuros, com maquinário e uma paisagem verde montanhosa ao fundo, sob um céu parcialmente nublado.
Nova Lima, Minas Gerais (MG), Brasil, Mina de Vargem Grande. Na foto, minério sendo empilhado pelo transportador e empilhadeiras. Circuito de finos em VGR I. (Foto: Leo Lopes)

Comparação entre os processos

Na siderurgia tradicional baseada em altos-fornos, o minério de ferro é reduzido utilizando coque produzido a partir do carvão mineral. Esse processo demanda elevadas temperaturas e gera grandes volumes de emissões de CO₂. Já na rota baseada em redução direta, o gás natural – e potencialmente hidrogênio verde – é utilizado como agente redutor e, portanto, uma opção mais sustentável. 

O HBI compartilha vantagens com os tipos de DRI que incluem a previsibilidade de balanços de massa e calor; compatibilidade com combustíveis injetados e oxigênio; e redução de danos por meio de escudos refratários. Mas também apresenta características únicas que conferem outros benefícios, como a rápida penetração na camada de escória do forno devido a alta densidade, maior facilidade de manuseio, armazenamento e transporte, e menor volume de multas registradas nas etapas citadas.

Do ponto de vista operacional, a alimentação contínua em fornos elétricos, o melhor controle de escória e a maior eficiência térmica tornam o DRI e o HBI alternativas cada vez mais competitivas frente às rotas siderúrgicas tradicionais.

Mercado nacional e mercado global

O avanço do DRI e do HBI acompanha a pressão internacional por cadeias industriais de baixo carbono. Segundo levantamento da Midrex Technologies, a produção mundial de DRI atingiu 140,8 milhões de toneladas em 2024, crescimento de 3,8% em relação ao recorde anterior registrado em 2023. Desde 2019, a produção global cresceu aproximadamente 30%.

No Brasil, o mercado de DRI e HBI ganha tração impulsionado pela combinação entre a produção de minério de ferro de alta qualidade, disponibilidade de energia renovável e interesse internacional por aço de baixo carbono. Um dos principais exemplos é o Projeto Ferro Verde, da Brazil Iron, na Bahia, que elevou seus recursos minerais  para 1,7 bilhão de toneladas e pretende operar uma planta integrada capaz de produzir 5 milhões de toneladas anuais de ferro verde HBI.

Paralelamente, a Vale também avança nessa agenda por meio de projetos ligados ao aço verde. Um dos destaques é a parceria com a Green Energy Park para implantação de uma planta de hidrogênio verde com o intuito de abastecer o mega hub de HBI.

Dúvidas mais comuns

DRI é o ferro produzido pela redução direta do minério a temperaturas abaixo do ponto de fusão, utilizando um agente redutor como gás natural ou carvão. Nesse processo, o oxigênio é removido do minério, resultando em um material com elevado teor de ferro metálico e baixos níveis de contaminantes como cobre, enxofre e outros metais residuais. O DRI é utilizado principalmente em fornos elétricos a arco (EAF) e permite a fabricação de aços de maior qualidade.

O HBI (Ferro Briquetado a Quente) é uma forma compactada de DRI que oferece maior estabilidade, segurança no manuseio e transporte, além de menor risco de reoxidação. Enquanto o DRI pode ser transportado em altas temperaturas (HDRI) ou resfriado (CDRI), o HBI foi desenvolvido para solucionar problemas de transporte do DRI convencional, que tendia a aquecer e liberar hidrogênio em contato com água. O HBI facilita a exportação e oferece maior densidade, permitindo rápida penetração na camada de escória do forno.

Aço verde é um processo siderúrgico projetado para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), além de potencialmente reduzir custos e melhorar a qualidade do aço em comparação aos métodos convencionais. A principal vantagem ambiental da rota de redução direta é a substituição do coque derivado do carvão mineral por gás natural no processo de redução do minério de ferro, com potencial ainda maior quando utiliza-se hidrogênio verde como agente redutor, podendo atingir emissões próximas de zero.

O DRI e o HBI são utilizados como carga metálica em fornos elétricos a arco (EAF), substituindo parcialmente a sucata metálica e contribuindo para maior controle da qualidade do aço. O HBI também ganhou relevância em altos-fornos e conversores LD/BOF, podendo representar até 30% da carga do alto-forno sem necessidade de alterações significativas nos equipamentos. Essa utilização aumenta a produtividade e oferece maior resiliência à produção de aço.

A adoção de DRI e HBI reduz significativamente as emissões de carbono em comparação aos altos-fornos tradicionais, substituindo o coque derivado do carvão mineral por gás natural. O potencial ambiental se torna ainda maior com a utilização de hidrogênio verde como agente redutor, permitindo que a produção de aço atinja emissões próximas de zero. Além disso, a tecnologia de briquetagem desenvolvida pela Vale reduz em cerca de 80% as emissões de CO₂ associadas à etapa de aglomeração do minério.

HBI verde é produzido utilizando hidrogênio verde (H2 verde) como agente redutor, obtido por meio da eletrólise da água a partir de eletricidade vinda de fontes renováveis como solar e eólica, em vez do gás natural e do carvão tradicionalmente usados. Essa tecnologia representa o potencial máximo de descarbonização da siderurgia, permitindo que a produção de aço atinja emissões próximas de zero gases de efeito estufa.

O mercado de DRI e HBI no Brasil ganha tração impulsionado pela combinação entre a produção de minério de ferro de alta qualidade, disponibilidade de energia renovável e interesse internacional por aço de baixo carbono. Exemplos destacados incluem o Projeto Ferro Verde da Brazil Iron na Bahia, que pretende operar uma planta integrada capaz de produzir 5 milhões de toneladas anuais de ferro verde HBI, e a parceria da Vale com a Green Energy Park para implantação de uma planta de hidrogênio verde para abastecer um mega hub de HBI.

Segundo a Midrex Technologies, a produção mundial de DRI atingiu 140,8 milhões de toneladas em 2024, representando um crescimento de 3,8% em relação ao recorde anterior registrado em 2023. Desde 2019, a produção global cresceu aproximadamente 30%, refletindo a pressão internacional por cadeias industriais de baixo carbono e a adoção acelerada dessa tecnologia na siderurgia global.