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Da esquerda para a direita: Cláudia Salles, Julevania Alves Olegário e Mariana de Araújo Ferreira. Especialistas discutem em painel da Exposibram 2025 sobre consolidação de padrões de sustentabilidade na mineração
Da esquerda para a direita: Cláudia Salles, Julevania Alves Olegário e Mariana de Araújo Ferreira (Foto: Aldair Lima/ IBRAM via Flickr)

Padronização de relatórios ambientais traz investimentos e reputação a mineradoras

Entendimento das evidências de melhores práticas determina desempenho no mercado de capitais e imagem do setor na sociedade

Por Vanderlei Campos, 3 min de leitura

Publicado em 30/10/2025

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  • A padronização de relatórios ambientais, sociais e de governança na mineração facilita a comparabilidade de riscos para investidores e fortalece a reputação das empresas no mercado de capitais.
  • Certificações internacionais como GRI e princípios do ICMM estruturam as operações de forma transparente, atraindo capital condicionado a evidências de práticas sustentáveis e reduzindo custos de comunicação com stakeholders.
  • A mineração brasileira apresenta baixas emissões de gases de efeito estufa em relação a outros setores industriais, mas enfrenta desafios específicos em resíduos particulados e no beneficiamento de minérios como alumínio.
Resumo revisado pela redação.

A consolidação de padrões de sustentabilidade na mineração é vista como passo essencial para que investidores compreendam de forma clara e comparável os riscos de crédito e reputacionais associados às operações do setor. Durante o painel realizado na Exposibram 2025, especialistas defenderam que a padronização dos relatórios ambientais, sociais e de governança oferece não apenas segurança e transparência ao mercado, mas também fortalece a imagem das mineradoras perante a sociedade e potenciais parceiros financeiros.

Transparência como ativo

Segundo a geóloga e chefe de projeto no Ministério de Minas e Energia, Mariana de Araújo Ferreira, a consolidação de padrões é uma iniciativa das companhias que foi abraçada pelo mercado de capitais. Hoje, não se fala de mineração sem considerar os impactos ambientais e sociais em uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Cumprir as obrigações legislativas não é suficiente, afirma ela. A especialista explica que a taxonomia – ou seja, uma estrutura padronizada de descrição das operações – é importante para atrair capital condicionado a evidências de práticas sustentáveis. Entre as certificações internacionais, Mariana menciona os padrões da GRI para o setor de mineração e os princípios de governança e práticas sustentáveis do ICMM (Conselho Internacional de Mineração e Metais).

Cláudia Salles (Foto: Aldair Lima/ IBRAM via Flickr)

A gerente de sustentabilidade do Ibram, Cláudia Salles, acrescentou que a padronização e a transparência facilitam tanto a relação com investidores quanto a comunicação com a sociedade, criando um ambiente mais favorável à credibilidade e ao fluxo de capitais responsáveis.

Políticas públicas alinhadas à realidade da produção

Julevania Alves Olegário – Diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração – Ministério de Minas e Energia
Julevania Alves Olegário (Foto: Aldair Lima/ IBRAM via Flickr)

A diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração, Julevania Alves Olegário, lembrou que, por muito tempo, as questões ambientais eram tratadas de forma segregada dos processos produtivos, e investimentos em boas práticas eram vistos apenas como geradores de custo. Hoje, as grandes empresas destinam recursos a novas tecnologias, sistemas de gestão e projetos de sustentabilidade. Segundo ela, a interlocução com o setor produtivo é um dos pilares da formulação de políticas públicas. “É essencial a colaboração do Ibram para formularmos propostas factíveis”, afirmou.

Baixa emissão e desafios de descarbonização

As especialistas concordaram que a mineração no Brasil apresenta uma das menores emissões de gases de efeito estufa entre os setores industriais. As companhias produzem sua própria energia elétrica de forma limpa e reduzem progressivamente o uso de combustíveis fósseis. “No caso da mineração, as preocupações são focadas na emissão de partículas e outros resíduos”, explicou Mariana. “A emissão de gases é uma questão transversal a todas as indústrias”, ponderou Julevania. Ela mencionou que o Plano Clima nem tem uma seção específica para mineração.

Mariana de Araújo Ferreira, Coordenadora-Geral de Desenvolvimento Socioambiental na Mineração Substituta / Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração/ Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral / Ministério de Minas e Energia
Mariana de Araújo Ferreira (Foto: Aldair Lima/ IBRAM via Flickr)

Mariana observou que as atividades extrativistas geram quase nada em emissões de gases na produção de matéria-prima. O beneficiamento, contudo, pode ter alto impacto. Por exemplo, enquanto a extração de bauxita envolve emissões mínimas, o alumínio é intensivo em consumo de eletricidade. “O alumínio brasileiro é o único produzido sem queima de carvão”, destacou Julevania.

Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.

Dúvidas mais comuns

A padronização de relatórios ambientais, sociais e de governança (ESG) na mineração refere-se à consolidação de padrões internacionais que permitem às empresas descrever suas operações e impactos de forma clara e comparável. Isso inclui certificações como os padrões da GRI para o setor de mineração e os princípios do ICMM (Conselho Internacional de Mineração e Metais), facilitando a compreensão dos riscos de crédito e reputacionais pelos investidores.

A padronização oferece múltiplos benefícios às mineradoras: fortalece a imagem das empresas perante a sociedade e potenciais parceiros financeiros, facilita a atração de capital condicionado a evidências de práticas sustentáveis, melhora a relação com investidores e cria um ambiente mais favorável à credibilidade e ao fluxo de capitais responsáveis.

Cumprir obrigações legislativas é apenas o mínimo exigido por lei, mas não é suficiente para atrair investimentos responsáveis. A adoção de padrões de sustentabilidade vai além, demonstrando um compromisso genuíno com práticas ambientais e sociais que transcendem os requisitos legais, criando uma taxonomia padronizada que comunica claramente o desempenho sustentável da empresa.

A transparência facilita a compreensão clara e comparável dos riscos associados às operações de mineração, permitindo que investidores avaliem adequadamente o desempenho ambiental, social e de governança das empresas. Isso reduz incertezas, melhora a confiança no setor e possibilita a alocação mais eficiente de capital para empresas com melhores práticas sustentáveis.

A mineração no Brasil apresenta uma das menores emissões de gases de efeito estufa entre os setores industriais. As preocupações principais estão focadas na emissão de partículas e outros resíduos. Enquanto a extração de matéria-prima gera quase nenhuma emissão de gases, o beneficiamento pode ter maior impacto, como no caso do alumínio, que é intensivo em consumo de eletricidade, mas no Brasil é produzido sem queima de carvão.

As políticas públicas devem ser formuladas com base na colaboração e interlocução com o setor produtivo, garantindo que as propostas sejam factíveis e considerem a realidade operacional das mineradoras. Isso inclui reconhecer que investimentos em boas práticas, novas tecnologias e sistemas de gestão não são apenas geradores de custo, mas sim estratégias essenciais de desenvolvimento sustentável que agregam valor às operações.

Os principais padrões internacionais incluem os padrões da GRI (Global Reporting Initiative) específicos para o setor de mineração e os princípios de governança e práticas sustentáveis do ICMM (Conselho Internacional de Mineração e Metais). Esses padrões fornecem uma estrutura padronizada para descrever operações e impactos, facilitando a comparabilidade entre empresas e a compreensão pelos stakeholders.

A padronização e transparência facilitam a comunicação clara com a sociedade, criando um ambiente mais favorável à credibilidade das mineradoras. Ao utilizar padrões internacionais reconhecidos, as empresas demonstram compromisso genuíno com a sustentabilidade, fortalecem sua reputação e constroem confiança com comunidades locais e a população em geral, essencial para a licença social de operação.