Diversas baterias usadas para reciclagem, com destaque para uma bateria contendo elementos de níquel e cobalto, essenciais para a fabricação de novas baterias sustentáveis.
Foto: WINDCOLORS / Shutterstock

Piauí terá projeto de níquel e cobalto para uso em baterias

Projeto de US$ 1,4 bilhão da Brazilian Nickel busca inserir o Piauí na rota global de minerais críticos para baterias

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 23/12/2025

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  • Projeto de extração de níquel e cobalto no Piauí, orçado em US$ 1,4 bilhão, iniciará produção em 2029 com capacidade de 27 mil toneladas anuais de níquel e 1 mil toneladas de cobalto.
  • Brazilian Nickel obteve apoio do BNDES e Finep no Brasil, além de carta de intenção de até US$ 550 milhões da agência americana DFC e contratos de compra de dez anos com empresas europeias.
  • Mineração em Piauí fortalece a cadeia de suprimentos de minerais estratégicos para baterias, reduzindo dependência geopolítica dos Estados Unidos e Europa em relação a esses insumos críticos.
Resumo revisado pela redação.

Orçado em US$ 1,4 bilhão e focado na extração de níquel e cobalto, o projeto Piauí Níquel tem avançado na sua estruturação financeira e de mercado, segundo o Valor Econômico. Em termos de estruturação financeira, a Brazilian Nickel, dona do projeto, trabalha em duas frentes. A primeira delas é com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O empreendimento foi selecionado pela chamada pública organizada pelas duas instituições, cujo foco é estimular setores prioritários envolvidos com a nova industrialização do país e com a transição energética.

Acordos e financiamento internacional reforçam potencial

Na arena internacional, o projeto pode ter financiamento de até US$ 550 milhões da U.S. Development Finance Corporation (DFC). O valor faria parte de uma carta de intenção do DFC, divulgada pela diretoria da Brazilian Nickel.

A sinalização se explica pelo interesse dos Estados Unidos em fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais estratégicos, que inclui níquel e cobalto. A importância do projeto para aumentar a resiliência do fornecimento dos dois minerais também é reforçada pelo memorando de entendimento (MoU) assinado entre Brazilian Nickel e duas empresas europeias.

Tanto a francesa Electro Mobility Materials Europe como a alemã Pure Battery Technologies confirmaram o interesse na compra de níquel e cobalto extraídos no Piauí por um período mínimo de dez anos.

Localizado na cidade de Capitão Gervásio Oliveira, o projeto Piauí Nickel prevê produzir 27 mil toneladas/ano de níquel e 1 mil toneladas de cobalto a partir de 2029.

Sustentabilidade e impacto local 

Mulher analisando projeto de energia renovável e sustentabilidade com foco em impacto social e ambiental, envolvendo energias limpas e responsabilidade social.
Foto: CrizzyStudio / Shutterstock

De acordo com a Brazilian Nickel, os depósitos minerais do empreendimento têm “condições geológicas muito favoráveis”, que inclusive vão demandar menor consumo de ácido para a extração dos dois minerais. Outra característica da região é o clima árido, que facilita o processo e permite o acesso a terras amplas e planas.

A mineradora também reforça o aspecto de sustentabilidade do projeto, entre eles a contratação de mão de obra local (78% em 2023, segundo relatório da companhia), com forte participação feminina (35% da força de trabalho).

O relatório mais recente sobre o empreendimento mostra políticas de engajamento com a sociedade local, inclusive de educação ambiental: 12 palestras em 2023, com participação de 1.200 pessoas. Além disso, a mineradora investiu na infraestrutura viária da região, pavimentando estradas e reduzindo a emissão de pó nos trajetos que dão acesso à mina.

Dúvidas mais comuns

O projeto Piauí Níquel é um empreendimento de US$ 1,4 bilhão focado na extração de níquel e cobalto, localizado em Capitão Gervásio Oliveira, no Piauí. Desenvolvido pela Brazilian Nickel, o projeto prevê iniciar a produção em 2029, com capacidade de produzir 27 mil toneladas/ano de níquel e 1 mil toneladas de cobalto, destinados principalmente para uso em baterias e transição energética.

O projeto Piauí Níquel está programado para iniciar a produção em 2029. A empresa trabalha na estruturação financeira e de mercado, com apoio de instituições como BNDES e Finep, além de financiamento internacional previsto.

O projeto conta com financiamento de instituições brasileiras como BNDES e Finep, selecionado em chamada pública para estimular setores prioritários da nova industrialização e transição energética. Internacionalmente, a U.S. Development Finance Corporation (DFC) sinalizou financiamento de até US$ 550 milhões, refletindo o interesse dos Estados Unidos em fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais estratégicos.

A francesa Electro Mobility Materials Europe e a alemã Pure Battery Technologies assinaram memorando de entendimento (MoU) com a Brazilian Nickel, confirmando interesse na compra de níquel e cobalto extraídos no Piauí por um período mínimo de dez anos, reforçando a importância do projeto para a resiliência do fornecimento europeu.

Níquel e cobalto são dois metais preciosos com alta afinidade química, tornando-se elementos bastante parecidos em sua ocorrência e aplicações. Estes minerais são essenciais para a fabricação de baterias modernas e componentes eletrônicos, sendo considerados minerais estratégicos para a transição energética global.

O projeto apresenta condições geológicas favoráveis que demandam menor consumo de ácido na extração dos minerais, além de estar localizado em região de clima árido com terras amplas e planas, facilitando o processo. A Brazilian Nickel também prioriza sustentabilidade através da contratação de 78% de mão de obra local, participação feminina de 35%, investimentos em infraestrutura viária e programas de educação ambiental com a comunidade.

O projeto é estratégico para fortalecer a cadeia de suprimentos global de minerais essenciais para baterias e transição energética. Os Estados Unidos buscam aumentar a resiliência do fornecimento de níquel e cobalto, enquanto empresas europeias assinaram acordos de compra de longo prazo, reduzindo a dependência de outras fontes de suprimento.

O projeto está dimensionado para produzir 27 mil toneladas por ano de níquel e 1 mil toneladas por ano de cobalto a partir de 2029, volumes que contribuirão significativamente para atender à demanda global destes minerais estratégicos para baterias e tecnologias limpas.