Um homem está sentado à mesa, olhando para a tela do computador, que exibe um site em português sobre mapeamento geológico, com imagens de geólogos trabalhando ao ar livre e modelos 3D interativos do SGB.
Imagem gerada digitalmente, em estilo mockup, representando a tela inicial do portal de Mapeamento Geológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB)

Plataforma 3D da SGB coloca o Brasil na vanguarda global em modelos geológicos

País é o terceiro fora da Europa a ter modelos publicados em biblioteca global de áreas com dados de subsuperfície em mapas tridimensionais interativos

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 17/08/2026

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Com a publicação de modelos geológicos tridimensionais do SGB (Serviço Geológico do Brasil) na plataforma internacional Geo3D, o Brasil é o primeiro país da América do Sul a integrar a biblioteca colaborativa, que reúne mais de 150 modelos de diferentes serviços geológicos no mundo, e amplia o uso de ferramentas tridimensionais para análise da subsuperfície.

Desenvolvida pelo Instituto Geológico Polonês – Instituto Nacional de Pesquisa, a plataforma consolida modelos de países como Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

“A publicação de nossos modelos na plataforma Geo3D representa um passo estratégico na consolidação da modelagem geológica 3D como ferramenta cada vez mais essencial para análise e interpretação geológica em subsuperfície, além de contribuir para a disseminação do conhecimento geológico gerado pelo Serviço Geológico do Brasil”, afirma o chefe da Divisão de Economia Mineral e Geologia Exploratória do SGB, Eduardo Grissolia.

Da cartografia à modelagem volumétrica

Os modelos tridimensionais representam uma evolução dos mapas geológicos tradicionais. Ao incorporar a dimensão de profundidade, permitem visualizar não apenas a distribuição superficial das formações, mas também suas espessuras, estruturas e propriedades físico-químicas em um espaço volumétrico.

A ampliação da capacidade de análise alcança áreas como exploração mineral, hidrogeologia e avaliação de riscos geológicos. A integração de dados de diferentes origens, como levantamentos geofísicos, perfurações, mapas e informações geoquímicas, permite construir representações mais próximas à realidade geológica.

Ao longo da última década, a instituição estruturou um processo de transição do mapeamento bidimensional para o tridimensional, consolidado no programa Modelagem 3D Brasil. A iniciativa busca padronizar metodologias e integrar dados geocientíficos em ambiente digital, criando uma base consistente para aplicações técnicas e científicas.

Entre as áreas contempladas nos modelos brasileiros já desenvolvidos ou em fase de integração estão regiões de relevância geológica em Santa Catarina e na Bahia.

No Sul, a Bacia Carbonífera Sul Catarinense concentra estudos associados a depósitos de carvão e à estruturação de bacias sedimentares, com aplicações tanto na mineração quanto na análise ambiental.

Na Bahia, destacam-se áreas como a Bacia do Urucuia, voltada à investigação hidrogeológica e à dinâmica de aquíferos, além de zonas com potencial mineral que vêm sendo objeto de modelagem para apoiar a avaliação de recursos e a compreensão de sistemas geológicos regionais.

Integração de dados e aplicações

Mapa da América do Sul destacando partes do Brasil, do Paraguai e da Argentina em verde, com uma perspectiva 3D do SGB. As principais cidades, como São Paulo, Buenos Aires e Bogotá, estão claramente identificadas. Os oceanos ao redor, bem como partes da América do Norte e da África, também são visíveis.
Modelagem geológica 3D do SGB permite visualizar a arquitetura do subsolo e ampliar o conhecimento sobre a distribuição das unidades geológicas, apoiando estudos e a gestão de recursos naturais (Imagem: SGB)

Os modelos 3D funcionam como representações conceituais da morfologia geológica e servem de base para análises quantitativas e qualitativas em diferentes frentes. Na indústria mineral, apoiam a estimativa de recursos e o planejamento de lavra. Em hidrogeologia, contribuem para o entendimento da distribuição de aquíferos e da dinâmica das águas subterrâneas.

Também têm papel relevante em estudos geodinâmicos e na interpretação de dados geofísicos, ao oferecer uma estrutura tridimensional que orienta o processamento de informações magnetométricas, sísmicas e gravimétricas. Em paralelo, ganham espaço em aplicações educacionais e em ambientes de visualização imersiva, com uso de realidade virtual e aumentada.

O SGB passou por diferentes plataformas de software até adotar o Leapfrog Geo, da Seequent, atualmente utilizado na construção dos modelos.

A trajetória da modelagem 3D no SGB começou em 2010, com o uso do software Studio 3, da Datamine, voltado à modelagem explícita de depósitos minerais. Na sequência, a adoção de ferramentas de modelagem implícita, como o STRAT 3D, ampliou a capacidade de representar ambientes geológicos mais complexos, especialmente em depósitos estratiformes.

A partir de 2019, com a incorporação de novas plataformas e metodologias, a instituição passou a desenvolver modelos em escala regional. Projetos como a Bacia do Paraná, o Quadrilátero Ferrífero e a Bacia Carbonífera Sul Catarinense indicam uma mudança de escala, com foco não apenas em depósitos específicos, mas na compreensão integrada de grandes domínios geológicos.

Cooperação internacional e novas agendas

A entrada na plataforma Geo3D também abre espaço para cooperação internacional. O SGB e o PGI-NRI negociam a formalização de um memorando de entendimentos voltado à colaboração técnico-científica.

Entre as frentes em discussão estão o avanço das técnicas de modelagem e visualização 3D, o estudo de minerais críticos para a transição energética, projetos de armazenamento de carbono e iniciativas de circularidade mineral. A convergência desses temas reflete o papel crescente da geologia digital em agendas estratégicas, que combinam exploração de recursos, sustentabilidade e inovação tecnológica.

Ao integrar seus modelos a uma biblioteca global, o Brasil amplia a visibilidade de seus dados geocientíficos e reforça a tendência de abertura e compartilhamento de informações como base para decisões em mineração, energia e gestão ambiental.