Navio transoceânico movido a etanol com 340 metros de comprimento, 90% de potencial de redução de emissões, capaz de transportar 325 mil toneladas de capacidade, equipado com velas rotativas, destacando o uso de etanol como combustível sustentável
Foto: Divulgação

Vale fecha acordo para 1º navio transoceânico do mundo movido a etanol

Contrato com a chinesa Shandong Shipping Corporation prevê que a primeira embarcação opere a serviço da Vale a partir de 2029. A redução de emissões pode chegar a aproximadamente 90%.

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 09/04/2026

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  • Vale contratou dois navios transoceânicos movidos a etanol com operação prevista para 2029, marcando a primeira adoção de etanol como combustível principal em embarcações transoceânicas da indústria marítima.
  • O etanol reduzirá emissões de gases de efeito estufa em até 90% comparado ao óleo combustível pesado, com design multicombustível que permite conversão futura para gás natural liquefeito ou amônia.
  • A iniciativa alinha-se com discussões da Organização Marítima Internacional sobre descarbonização e valida a estratégia de Vale de criar sistemas de transporte resilientes e adaptáveis às mudanças de mercado global.
Resumo revisado pela redação.

A Vale firmou um contrato de 25 anos com a chinesa Shandong Shipping Corporation para construir dois navios transoceânicos movidos a etanol, com início das operações previsto para 2029. Segundo a empresa, é a primeira vez na indústria marítima que o etanol será adotado como combustível principal em uma embarcação transoceânica. A iniciativa pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 90% na comparação com o uso de óleo combustível pesado, comumente utilizado na navegação. 

O Diretor de Navegação da Vale, Rodrigo Bermelho, destacou o compromisso da mineradora de promover a descarbonização no setor marítimo, em linha com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO). “A utilização do etanol como combustível nos navios que transportam o nosso minério, aliada à adoção de velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, permite que a Vale esteja em uma posição única para a transição energética no transporte marítimo global nas próximas décadas, ao mesmo tempo em que impulsionam iniciativas semelhantes no setor”, afirmou.

Rodrigo Bermelho, Diretor de Navegação da Vale, em evento corporativo, posando com braços cruzados ao lado do logo da Vale
Rodrigo Bermelho, Diretor de Navegação da Vale (Foto: Divulgação)

A escolha pelos modelos do tipo Guaibamax de segunda geração, embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas, faz parte de uma estratégia multicombustível da mineradora brasileira. Além de etanol, estas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, com um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou de amônia.

“Vemos a descarbonização como uma tendência irreversível… está no centro da estratégia da Vale, não só na parte do transporte marítimo, mas de todos os ​produtos que a gente tem desenvolvido para a siderurgia”, disse Bermelho em entrevista à Reuters. 

O conjunto de tecnologias aplicadas deverá reduzir em cerca de 15% as emissões de GEE em comparação com a geração atual de Guaibamax. Essa estimativa foi obtida com base em informações preliminares do projeto e considerando a abordagem tanque-hélice. A segunda geração da embarcação será equipada com cinco velas rotativas para aproveitamento da energia eólica e redução do consumo de combustível, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone, entre outras melhorias na eficiência energética, segundo a companhia. 

Navio transoceânico movido a etanol navegando no oceano com o sol brilhando ao fundo
Foto: Divulgação

Bermelho ressaltou a importância da companhia se adaptar a diferentes cenários de mercado. “É importante você ter um sistema de transporte que seja robusto e resiliente, que você possa se adaptar a diversas mudanças de mercado. A gente começou nessa jornada há muitos anos”, disse.

Segundo o executivo, os conflitos internacionais não provocaram impacto material relevante sobre as operações da companhia, mas reforçam a necessidade de um sistema adaptável. “É claro que situações como a gente está presenciando hoje (com a guerra no Irã) mostram a importância de você ter um sistema flexível que possa se adaptar às diversas variações de mercado para manter a continuidade do nosso negócio… valida a estratégia.”.

De acordo com Bermelho, os navios a etanol devem consumir cerca de 10 mil toneladas de etanol por viagem para a Ásia, principal destino do minério exportado pela companhia. Em geral, as embarcações Guaibamax realizam de três a quatro viagens anuais para a região. O valor do contrato não foi revelado por questões de confidencialidade, mas, segundo a mineradora, contempla ainda a opção para mais embarcações. A Vale afirmou que não fechou acordos de fornecimento do biocombustível, mas tem discutido principalmente com os produtores brasileiros em busca das melhores condições de mercado.

Pesquisa e investimento

Essas tecnologias e combustíveis alternativos têm sido testados no programa Ecoshipping, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento criada pela Vale para apoiar a descarbonização da indústria marítima e aumentar a eficiência. A frota a serviço da Vale inclui navios Valemax de primeira geração desde 2011, Valemax de segunda geração desde 2018 e, desde 2019, a primeira geração de Guaibamax. Essas unidades estão entre as mais eficientes do mundo e podem reduzir as emissões equivalentes de CO₂ em até 41% em comparação com uma embarcação padrão capesize. 

A Vale mantém uma frota de cerca de 50 navios Guaibamax e já contratou outros 10 modelos bicombustíveis, movidos a metanol e óleo pesado, junto à Shandong, com entregas entre 2027 e 2029. A companhia avalia adaptar essas embarcações para o uso adicional de etanol.

Desde 2020, a Vale investiu cerca de R$ 7,4 bilhões (US$ 1,4 bi) para reduzir suas emissões de Escopo 1, 2 e 3. A empresa comprometeu-se a reduzir 15% as emissões do Escopo 3 até 2035, relacionadas à cadeia de valor, que inclui a maior parte das emissões do transporte marítimo, dependendo do tipo de contrato.

Além do transporte marítimo, a adoção do etanol na logística da Vale inclui testes em caminhões nas operações e em locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM).

Dúvidas mais comuns

O etanol marítimo é um biocombustível utilizado como combustível principal em embarcações. No caso do acordo da Vale, é a primeira vez na indústria marítima que o etanol será adotado como combustível principal em um navio transoceânico. A embarcação tem potencial para reduzir as emissões de carbono em cerca de 90% em comparação com o uso de óleo combustível pesado, comumente utilizado na navegação.

Tradicionalmente, os navios utilizam óleo combustível pesado como principal fonte de energia. Esse combustível é responsável por significativas emissões de gases de efeito estufa. Os navios de cruzeiro e embarcações de carga ainda dependem principalmente de motores a diesel ou óleo pesado, embora iniciativas como a da Vale estejam buscando alternativas mais sustentáveis.

Os dois navios transoceânicos movidos a etanol da Vale, construídos em parceria com a Shandong Shipping Corporation, têm início das operações previsto para 2029. O contrato firmado é de 25 anos, e as embarcações do tipo Guaibamax de segunda geração terão capacidade de 325 mil toneladas e 340 metros de comprimento.

De acordo com o Diretor de Navegação da Vale, os navios a etanol devem consumir cerca de 10 mil toneladas de etanol por viagem para a Ásia, que é o principal destino do minério exportado pela companhia. Em geral, as embarcações Guaibamax realizam de três a quatro viagens anuais para a região.

Os navios a etanol podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 90% em comparação com o uso de óleo combustível pesado. Além disso, o conjunto de tecnologias aplicadas nos Guaibamax de segunda geração, incluindo cinco velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, motores mais eficientes e dispositivos hidrodinâmicos, deverá reduzir em cerca de 15% as emissões em comparação com a geração atual de Guaibamax.

Os navios Guaibamax de segunda geração serão equipados com múltiplas tecnologias para eficiência energética, incluindo cinco velas rotativas para aproveitamento da energia eólica, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone. O design também prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou amônia no futuro.

Sim, os navios Guaibamax de segunda geração foram projetados com uma estratégia multicombustível. Além de etanol, essas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, com um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou amônia. Essa flexibilidade permite que a Vale se adapte a diferentes cenários de mercado e mudanças nas disponibilidades de combustíveis.

A Vale afirmou que não fechou acordos de fornecimento do biocombustível, mas tem discutido principalmente com os produtores brasileiros em busca das melhores condições de mercado. A companhia está avaliando as opções disponíveis para garantir o suprimento necessário de etanol para as operações dos navios a partir de 2029.