- O Índice de Progresso Social (IPS) funciona como instrumento de medição transparente para orientar políticas públicas e investimentos de longo prazo nos municípios mineradores, permitindo comparações qualificadas entre territórios.
- Municípios mineradores enfrentam desafio estrutural ao alinhar ciclos eleitorais de quatro anos com agendas de desenvolvimento social perene, exigindo atuação integrada entre empresas, poder público e comunidades.
- A aplicação do IPS com participação comunitária na escolha de indicadores revela questões sociais invisíveis nos dados nacionais, como aumento de depressão e suicídio, demandando acompanhamento psicológico local e ações coordenadas.
O futuro dos territórios mineradores, a preparação para o pós-mineração e a importância de alinhar investimentos de curto prazo com agendas perenes de desenvolvimento social foram os temas centrais de um dos paineis da Exposibram 2025, em Salvador. No centro do debate estava a necessidade de uma atuação integrada entre empresas, poder público e comunidades, em que todos sejam protagonistas no uso de dados transparentes, como o Índice de Progresso Social (IPS), para guiar decisões e garantir um legado sustentável.
Um dos pontos da discussão foi a crucial preocupação com o fechamento de mina. A questão não se resume apenas à recuperação ambiental, mas sim à preparação do território para uma nova vocação econômica. No entanto, alinhar o ciclo da gestão pública (quatro anos) com a necessidade de um desenvolvimento de longo prazo, com alguns gestores ainda contaminados por um olhar de ganho eleitoral, foi apontado como grande obstáculo a ser superado.
IPS: uma bússola para o desenvolvimento territorial
Se por um lado faltam instrumentos assertivos para medir o impacto social dos investimentos, por outro há consenso sobre a importância do Índice de Progresso Social (IPS), classificado como divisor de águas, que permite conversas qualificadas e possibilita o desenvolvimento territorial de longo prazo.
Entre os benefícios do IPS apontados no painel, estão:
• A possibilidade de comparar municípios mineradores com não mineradores, isolando o efeito da renda, pode revelar se a contribuição do setor está, de fato, gerando benefício social.
• Geração de dados capazes de dar visibilidade a iniciativas até então invisíveis.
• Resultados que funcionam como alicerce para uma agenda de estado, estimulando a alocação de recursos públicos de forma mais estratégica, inclusive os da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
Atuação conjunta e perene é fundamental para transformação
A metodologia de aplicação do IPS prevê o envolvimento das comunidades na escolha dos indicadores e na validação dos resultados, que ficam disponíveis para o público, permitindo que participem ativamente na sugestão de ações e caminhos para transformações sociais e econômicas.
Os dados precisam ser transparentes, e o medo do resultado negativo não deve ser uma barreira. Neste sentido, o diagnóstico aprofundado do IPS tem revelado questões sensíveis, mas urgentes, como o aumento de casos de depressão e suicídio em comunidades tradicionais, que não aparecem nos indicadores nacionais, mas exigem acompanhamento psicológico local.
Os participantes do painel compartilharam a mesma visão: progresso social não pode ser alcançado por ações isoladas. Além da gestão municipal, que acaba focando no ciclo eleitoral, é crucial envolver secretários, agentes e líderes comunitários, o Tribunal de Contas e outras entidades com visão perene. Empresas, comunidades e poder público precisam construir conjuntamente, reconhecendo que seus interesses convergem no desejo de tornar o município um lugar melhor.

O debate foi encerrado com um chamado à ação: não há mais como pensar na mineração de forma isolada, é essencial que seja planejada de forma a melhorar a vida das pessoas, transformando a experiência do setor em um “laboratório” de interação e aprendizado, mediado por informação de qualidade.
Participaram do painel Ana Maria Ferreira da Cunha, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade na Anglo American e coordenadora de ESG do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram); Beto Verissimo, cofundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e diretor de Progresso Social no Brasil; Guido Roberto Campos Germani, diretor-presidente na Mineração Rio do Norte S.A.; Sandro Magalhães, sócio-presidente da Oresight Strategic Advisory; e Vitor Libânio, gerente de Investimento Social da Vale.
Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.
*Especial para o Radar Mineração

