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Grupo de cinco pessoas posando em evento sobre progresso social nos municípios mineradores, com painel azul ao fundo, incluindo nomes Ana Maria Ferreira da Cunha, Beto Verissimo, Guido Roberto Campos Germani, Sandro Magalhães e Vitor Libânio
Da esquerda para a direita: Beto Verissimo, Ana Maria Ferreira da Cunha, Guido Roberto Campos Germani, Sandro Magalhães e Vitor Libânio (Foto: ALDAIR LIMA FILMS / IBRAM via Flickr)

Progresso social e legado sustentável: o papel dos dados e as estratégias de longo prazo nos municípios mineradores

Painel na Exposibram 2025 reforça que dados transparentes e colaboração entre empresas, governos e comunidades são essenciais para garantir um legado social após o ciclo da mineração

Por Luciana Ciaravolo *, 3 min de leitura

Publicado em 30/10/2025

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O futuro dos territórios mineradores, a preparação para o pós-mineração e a importância de alinhar investimentos de curto prazo com agendas perenes de desenvolvimento social foram os temas centrais de um dos paineis da Exposibram 2025, em Salvador. No centro do debate estava a necessidade de uma atuação integrada entre empresas, poder público e comunidades, em que todos sejam protagonistas no uso de dados transparentes, como o Índice de Progresso Social (IPS), para guiar decisões e garantir um legado sustentável.

Um dos pontos da discussão foi a crucial preocupação com o fechamento de mina. A questão não se resume apenas à recuperação ambiental, mas sim à preparação do território para uma nova vocação econômica. No entanto, alinhar o ciclo da gestão pública (quatro anos) com a necessidade de um desenvolvimento de longo prazo, com alguns gestores ainda contaminados por um olhar de ganho eleitoral, foi apontado como grande obstáculo a ser superado. 

IPS: uma bússola para o desenvolvimento territorial

Se por um lado faltam instrumentos assertivos para medir o impacto social dos investimentos, por outro há consenso sobre a importância do Índice de Progresso Social (IPS), classificado como divisor de águas, que permite conversas qualificadas e possibilita o desenvolvimento territorial de longo prazo.

Entre os benefícios do IPS apontados no painel, estão: 

• A possibilidade de comparar municípios mineradores com não mineradores, isolando o efeito da renda, pode revelar se a contribuição do setor está, de fato, gerando benefício social.

• Geração de dados capazes de dar visibilidade a iniciativas até então invisíveis.

• Resultados que funcionam como alicerce para uma agenda de estado, estimulando a alocação de recursos públicos de forma mais estratégica, inclusive os da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Atuação conjunta e perene é fundamental para transformação 

A metodologia de aplicação do IPS prevê o envolvimento das comunidades na escolha dos indicadores e na validação dos resultados, que ficam disponíveis para o público, permitindo que participem ativamente na sugestão de ações e caminhos para transformações sociais e econômicas. 

Os dados precisam ser transparentes, e o medo do resultado negativo não deve ser uma barreira. Neste sentido, o diagnóstico aprofundado do IPS tem revelado questões sensíveis, mas urgentes, como o aumento de casos de depressão e suicídio em comunidades tradicionais, que não aparecem nos indicadores nacionais, mas exigem acompanhamento psicológico local. 

Os participantes do painel compartilharam a mesma visão: progresso social não pode ser alcançado por ações isoladas. Além da gestão municipal, que acaba focando no ciclo eleitoral, é crucial envolver secretários, agentes e líderes comunitários, o Tribunal de Contas e outras entidades com visão perene. Empresas, comunidades e poder público precisam construir conjuntamente, reconhecendo que seus interesses convergem no desejo de tornar o município um lugar melhor.

Painel de discussão sobre progresso social nos municípios mineradores com Ana Cunha, Beto Verissimo, Guido Germani, Sandro Magalhães e Vitor Libaño na Conferência Exposibram 2025.
Da esquerda para a direita: Ana Maria Ferreira da Cunha, Beto Verissimo, Guido Roberto Campos Germani, Sandro Magalhães e Vitor Libânio (Foto: ALDAIR LIMA FILMS / IBRAM via Flickr)

O debate foi encerrado com um chamado à ação: não há mais como pensar na mineração de forma isolada, é essencial que seja planejada de forma a melhorar a vida das pessoas, transformando a experiência do setor em um “laboratório” de interação e aprendizado, mediado por informação de qualidade.

Participaram do painel Ana Maria Ferreira da Cunha, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade na Anglo American e coordenadora de ESG do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram); Beto Verissimo, cofundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e diretor de Progresso Social no Brasil; Guido Roberto Campos Germani, diretor-presidente na Mineração Rio do Norte S.A.; Sandro Magalhães, sócio-presidente da Oresight Strategic Advisory; e Vitor Libânio, gerente de Investimento Social da Vale.

Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.

*Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

O Índice de Progresso Social (IPS) é um instrumento de medição que permite avaliar o impacto social dos investimentos em territórios mineradores. Ele funciona como uma bússola para o desenvolvimento territorial de longo prazo, possibilitando conversas qualificadas entre empresas, poder público e comunidades. O IPS é considerado um divisor de águas porque permite comparar municípios mineradores com não mineradores, isolando o efeito da renda e revelando se a contribuição do setor está realmente gerando benefício social.

O IPS gera dados transparentes que ficam disponíveis para o público, permitindo que as comunidades participem ativamente na sugestão de ações e caminhos para transformações sociais e econômicas. Os resultados funcionam como alicerce para uma agenda de estado, estimulando a alocação de recursos públicos de forma mais estratégica, inclusive os da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A metodologia prevê o envolvimento das comunidades na escolha dos indicadores e na validação dos resultados, garantindo que as decisões sejam baseadas em informações de qualidade.

O principal desafio é alinhar o ciclo da gestão pública, que dura quatro anos, com a necessidade de um desenvolvimento de longo prazo. Muitos gestores ainda possuem uma visão focada em ganho eleitoral, o que dificulta o planejamento estratégico de longo prazo. Para superar esse obstáculo, é fundamental envolver não apenas a gestão municipal, mas também secretários, agentes e líderes comunitários, o Tribunal de Contas e outras entidades com visão perene.

A metodologia do IPS prevê o envolvimento ativo das comunidades em duas etapas principais: na escolha dos indicadores que serão medidos e na validação dos resultados obtidos. Essa participação garante que os dados reflitam as prioridades e realidades locais, permitindo que as comunidades sugiram ações e caminhos para transformações sociais e econômicas. Os resultados transparentes disponibilizados ao público fortalecem o controle social e a responsabilidade das instituições.

A preparação para o pós-mineração vai além da recuperação ambiental, envolvendo a preparação do território para uma nova vocação econômica. Isso exige planejamento estratégico de longo prazo que considere o desenvolvimento social e econômico sustentável da região. O uso de dados transparentes como o IPS é fundamental para identificar oportunidades de diversificação econômica e garantir que o legado da mineração seja positivo para as gerações futuras.

O progresso social não pode ser alcançado por ações isoladas. É necessária uma atuação conjunta e perene em que empresas, comunidades e poder público construam conjuntamente, reconhecendo que seus interesses convergem no desejo de tornar o município um lugar melhor. Essa integração deve envolver gestores municipais, secretários, agentes e líderes comunitários, além de entidades como o Tribunal de Contas, todas com visão de longo prazo e comprometidas com transformações sociais e econômicas duradouras.

O IPS tem capacidade de gerar dados que dão visibilidade a iniciativas e problemas até então invisíveis nos indicadores nacionais. Um exemplo revelado pelo diagnóstico aprofundado do IPS foi o aumento de casos de depressão e suicídio em comunidades tradicionais, questões sensíveis e urgentes que não aparecem nas estatísticas nacionais, mas exigem acompanhamento psicológico local. Essa capacidade de identificar problemas específicos permite que políticas públicas e investimentos sejam direcionados para as reais necessidades das comunidades.

A mineração deve ser planejada de forma a melhorar a vida das pessoas, transformando a experiência do setor em um laboratório de interação e aprendizado mediado por informação de qualidade. Isso significa que não há mais como pensar na mineração de forma isolada, mas sim como parte de um ecossistema integrado onde dados transparentes, participação comunitária e planejamento de longo prazo trabalham juntos para gerar desenvolvimento sustentável e legado positivo para os territórios mineradores.