Integrante da equipe técnica realiza análise de amostras no Projeto Colina
Integrante da equipe técnica realiza análise de amostras no Projeto Colina (Foto: PLS/ Divulgação)

Projeto Colina aposta em crescimento do depósito de lítio em MG

Empreendimento de lítio em Salinas (MG) alcançou 77,7 milhões de toneladas de recursos minerais e há novas pesquisas em andamento

Por Estadão Conteúdo/Agência Minera, 5 min de leitura

Publicado em 09/07/2026

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O Projeto Colina, desenvolvido pela PLS Brasil em Salinas, no Vale do Jequitinhonha, consolidou o município mineiro como um dos principais polos da nova fronteira mundial do lítio, mineral considerado estratégico para o armazenamento de energia e baterias para veículos elétricos.  Durante apresentação no Lithium Business 2026, realizada na terça-feira (7/7), o gerente de Exploração da empresa, Pedro Fonseca, afirmou que o empreendimento alcançou 77,7 milhões de toneladas de recursos minerais em 2024 e destacou que as pesquisas continuam em andamento, com expectativa de novos anúncios sobre o crescimento do depósito. 

Autoridades na cerimônia de abertura do evento Lithium Business 2026
Autoridades na abertura do evento (Foto: Prefeitura Municipal de Salinas/ Divulgação)

Ao apresentar a evolução da pesquisa geológica, Fonseca explicou desde a formação dos pegmatitos ricos em lítio até as etapas da exploração mineral, ressaltando a importância de Salinas dentro da cadeia global do lítio, utilizado principalmente na fabricação de baterias para celulares, veículos elétricos e sistemas estacionários de armazenamento de energia. A diretora de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da PLS Brasil, Marisa Cesar, também anunciou que a companhia recebeu recentemente o prêmio de Melhor Projeto de Mineração do Mundo concedido pela Mining IQ. 

Salinas na cadeia mundial do lítio

Pedro Fonseca comparou o papel do lítio ao processo cotidiano de recarga de energia das pessoas para explicar a relevância do mineral.

Ele detalhou também que a atuação recente da empresa está concentrada no chamado upstream, fase que compreende desde a pesquisa geológica até o beneficiamento do minério. Posteriormente, o material segue para o processamento químico, que gera carbonato e hidróxido de lítio, insumos utilizados pela indústria de baterias.

Evolução da descoberta

O gerente de exploração da PLS Brasil relembrou que os primeiros trabalhos de reconhecimento geológico começaram no fim de 2017, culminando na identificação do afloramento que deu origem ao Projeto Colina em 2019.

Durante o relato, fez questão de reconhecer a contribuição dos garimpeiros da região. “Aproveito para agradecer muito aos garimpeiros, porque são eles que ajudam muito a gente na exposição do material. São famílias que tiram do solo o seu sustento e foi com eles que conseguimos enxergar muitas dessas ocorrências.”

Fonseca explicou que após a interrupção provocada pela pandemia de Covid-19, os trabalhos foram retomados em 2021, quando teve início a campanha de sondagens que confirmou o potencial mineral do depósito.

Recursos cresceram de 13 para 77,7 milhões de toneladas

Segundo Fonseca, a evolução do projeto ocorreu em ritmo acelerado. A primeira estimativa de recursos minerais, divulgada em 2022, apontava 13,3 milhões de toneladas. Em 2023, o volume passou para 45 milhões de toneladas. Já em 2024, a terceira atualização elevou o recurso mineral para 77,7 milhões de toneladas.

“A pesquisa continua. Teremos um novo anúncio em breve”, disse Fonseca que também destacou que, após a aquisição da Latin Resources pela PLS no início de 2025, os estudos de exploração e implantação do projeto seguem em andamento.

Tecnologia e estrutura de pesquisa

Fonseca mostrou ainda as etapas de exploração desenvolvidas pela empresa, incluindo mapeamento geológico, amostragem de solo, sondagens diamantadas, análises laboratoriais e modelagem geológica.

Segundo ele, até o momento o projeto contabiliza 171 mil metros de sondagem; cerca de 59 mil caixas de testemunhos geológicos; aproximadamente 33 mil amostras de testemunhos; mais de 8 mil amostras de solo; e cerca de 17 mil pontos de mapeamento geológico.

O gerente destacou ainda o uso de equipamentos de alta precisão, banco digital de dados, biblioteca geológica com rastreamento por QR Code e processos permanentes de controle de qualidade.

Fonseca informou que o projeto mantém atualmente 212 trabalhadores, dos quais 77 são moradores de Salinas e região. Segundo ele, durante o pico das atividades, o empreendimento chegou a empregar 283 pessoas.

Reconhecimento Internacional

A diretora de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da PLS Brasil, Marisa Cesar, anunciou que a companhia recebeu recentemente reconhecimento internacional pelo Projeto Colina. A premiação foi concedida pela Mining IQ, após avaliação de 656 projetos de mineração em diferentes minerais. “Nós fomos escolhidos como o melhor projeto do mundo, considerando lítio e outros minerais.”

Marisa Cesar, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da PLS Brasil, durante a abertura do Lithium Business 2026
Marisa Cesar, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da PLS Brasil, durante a abertura do Lithium Business 2026 (Foto: Prefeitura Municipal de Salinas/ Divulgação)

Marisa explicou que a análise considerou informações públicas disponíveis no mercado, incluindo recursos minerais, governança corporativa, aspectos legais e transparência da empresa por se tratar de uma companhia de capital aberto. 

Município se prepara para novo ciclo de desenvolvimento

Durante o evento, o prefeito de Salinas, Joaquim Xavier Dias, afirmou que o município vem trabalhando para estruturar serviços públicos e infraestrutura capazes de acompanhar o crescimento esperado com a chegada de novos investimentos na mineração.

Joaquim Xavier Dias, prefeito de Salinas, durante a abertura do Lithium Business 2026
Joaquim Xavier Dias, prefeito de Salinas, durante a abertura do Lithium Business 2026 (Foto: Prefeitura Municipal de Salinas/ Divulgação)

Dias destacou que a experiência de municípios vizinhos, como Araçuaí, demonstra os impactos positivos da implantação de grandes projetos minerais, mas também evidencia a necessidade de antecipar investimentos em saúde, educação, habitação, segurança pública e infraestrutura.

Segundo ele, a administração municipal já trabalha em parceria com os governos estadual e federal para ampliar a capacidade desses serviços.

O prefeito também ressaltou que Salinas busca fortalecer sua infraestrutura logística, incluindo melhorias no aeroporto e na conectividade regional, ao mesmo tempo em que pretende consolidar outras vocações econômicas do município, especialmente o turismo associado à tradicional produção de cachaça.

Prefeitos defendem planejamento regional e combate à desinformação

Prefeito de Araçuaí, Tadeu Barbosa de Oliveira afirmou que um dos maiores desafios do setor atualmente é ampliar o diálogo com a população diante da circulação de informações falsas e interpretações equivocadas sobre a mineração.

Segundo ele, empresas e poder público precisam investir cada vez mais em comunicação para aproximar a sociedade das discussões sobre o setor mineral.

Já o prefeito de Itinga, João Bosco Cordeiro, destacou que a mineração representa uma oportunidade para todo o Vale do Jequitinhonha, desde que o desenvolvimento seja conduzido de forma equilibrada e compartilhada entre os municípios. Para  ele, os desafios relacionados à infraestrutura, segurança pública, saúde e habitação precisam ser enfrentados de forma conjunta.

“Precisamos discutir o desenvolvimento de maneira regional. Os impactos positivos e também os desafios ultrapassam os limites de um único município.”

Governo de Minas destaca integração entre setor público e iniciativa privada

Representando a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Rafael Evaristo Rodrigues afirmou que o Governo de Minas acompanha os investimentos no Vale do Jequitinhonha e vê o Lithium Business como um espaço estratégico para aproximar empresas, poder público e comunidades. “Além da mineração, o evento mostra que temos um povo trabalhador e cheio de potencial.”

Ele também reafirmou o compromisso do Estado em apoiar novos investimentos e promover o desenvolvimento regional.

FIEMG aposta na qualificação para consolidar o legado da mineração

O vice-presidente da FIEMG, José Balbino Maia de Figueiredo, defendeu que os investimentos no lítio sejam acompanhados pela formação de mão de obra e pelo fortalecimento da indústria regional.

Durante a cerimônia, ele destacou o avanço do projeto de implantação de uma unidade do SENAI em Salinas e lembrou o compromisso da PLS de oferecer 200 bolsas de estudo para filhos de funcionários.

Empresariado vê oportunidade para a economia local

O presidente da ACE/CDL de Salinas, Ranufo Arimateia de Queiroz, afirmou que o setor empresarial está mobilizado para aproveitar as oportunidades geradas pela expansão da mineração e defendeu a participação dos empreendedores locais no novo ciclo de desenvolvimento econômico da região.

Dúvidas mais comuns

O Projeto Colina é um empreendimento de mineração de lítio desenvolvido pela PLS Brasil em Salinas, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O projeto consolidou o município como um dos principais polos da nova fronteira mundial do lítio, mineral estratégico para armazenamento de energia e baterias de veículos elétricos. Em 2024, o projeto alcançou 77,7 milhões de toneladas de recursos minerais, com pesquisas continuando em andamento.

O Projeto Colina apresentou crescimento acelerado em seus recursos minerais. A primeira estimativa, divulgada em 2022, apontava 13,3 milhões de toneladas. Em 2023, o volume aumentou para 45 milhões de toneladas. Já em 2024, a terceira atualização elevou o recurso mineral para 77,7 milhões de toneladas, demonstrando o potencial significativo do depósito.

A produção de lítio no Brasil está localizada principalmente em Minas Gerais, especialmente no Vale do Jequitinhonha. Empresas como a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) atuam em cidades como Araçuaí e Itinga. O Projeto Colina, desenvolvido pela PLS Brasil em Salinas, representa um dos maiores empreendimentos recentes na região, consolidando o Vale do Jequitinhonha como a maior província de extração de lítio do Brasil.

O lítio é utilizado principalmente na fabricação de baterias para celulares, veículos elétricos e sistemas estacionários de armazenamento de energia. O mineral é considerado o coração da recarga de energia no mundo e representa a principal matriz de armazenamento de energia atualmente, sendo essencial para a transição energética global e a mobilidade elétrica.

O Projeto Colina utiliza tecnologia de alta precisão em suas operações, incluindo mapeamento geológico, amostragem de solo, sondagens diamantadas, análises laboratoriais e modelagem geológica. O projeto contabiliza 171 mil metros de sondagem, cerca de 59 mil caixas de testemunhos geológicos, aproximadamente 33 mil amostras de testemunhos e mais de 8 mil amostras de solo, demonstrando o rigor científico da exploração.

A PLS Brasil recebeu o prêmio de Melhor Projeto de Mineração do Mundo concedido pela Mining IQ, após avaliação de 656 projetos de mineração em diferentes minerais. A premiação considerou informações públicas como recursos minerais, governança corporativa, aspectos legais e transparência da empresa, consolidando o Projeto Colina como referência global em excelência mineradora.

O município de Salinas está estruturando serviços públicos e infraestrutura para acompanhar o crescimento esperado com novos investimentos em mineração. A administração trabalha em parceria com governos estadual e federal para ampliar capacidades em saúde, educação, habitação e segurança pública. Além disso, busca fortalecer infraestrutura logística, incluindo melhorias no aeroporto, e consolidar outras vocações econômicas como turismo e produção de cachaça.

O Projeto Colina mantém atualmente 212 trabalhadores, dos quais 77 são moradores de Salinas e região. Durante o pico das atividades, o empreendimento chegou a empregar 283 pessoas. Além disso, a PLS Brasil oferece 200 bolsas de estudo para filhos de funcionários e apoia a implantação de uma unidade do SENAI em Salinas para qualificação de mão de obra local.