BELO HORIZONTE – Após a palestra que deu na abertura do segundo dia da Exposibram 2026, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, detalhou os planos estratégicos da companhia para os próximos anos. O executivo pontuou um pipeline de megaprojetos desenhados para dobrar a produção de cobre até 2035 e destravar volumes massivos de minério de ferro de alto teor, além da análise, ainda iniciais, de oportunidades em novos minerais críticos.
Embora o minério de ferro mantenha sua posição como o carro-chefe histórico da mineradora, o cobre vem ganhando um protagonismo financeiro inegável. “Nesse último trimestre, por exemplo, [o cobre] foi quase um terço do nosso resultado”, afirmou Pimenta. A ambição da Vale é duplicar a atual capacidade de produção, que hoje gira em torno de 380 mil toneladas anuais.
Para sustentar essa expansão, a companhia aposta suas fichas em empreendimentos no Brasil. O destaque é o Projeto Alemão, em Carajás (PA), classificado pelo CEO como um “megaprojeto transformacional”. A iniciativa, que consiste na conversão de uma antiga mina de ouro, tem potencial para adicionar de 80 a 100 mil toneladas de cobre à produção anual da mineradora. Outra alavanca importante será o Projeto Bacaba, também no Pará, previsto para entrar em operação no ano que vem, injetando mais 40 a 50 mil toneladas ao ano.
O peso estratégico do minério de alto teor
No portfólio tradicional, o grande projeto futuro de expansão esbarra na regulação. Gustavo Pimenta defendeu que o minério de ferro de alto teor seja classificado oficialmente como mineral estratégico pelo governo brasileiro. O mineral é peça-chave para a descarbonização da cadeia siderúrgica global, que hoje responde por cerca de 8% das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
explicou o presidente, lembrando que a Austrália já adota essa premissa.A gente entende que o minério de ferro de alto teor é estratégico porque ele ajuda a descarbonizar”
Segundo Pimenta, a inclusão na lista de minerais estratégicos permitiria a criação de forças-tarefa, garantindo maior celeridade na análise de licenciamentos ambientais. Essa agilidade é o que falta para viabilizar projetos de altíssimo potencial, como o Corpo C de Serra Sul (hoje apenas o bloco D é explorado). O empreendimento, de médio a longo prazo, teria fôlego para adicionar de 40 a 50 milhões de toneladas à produção da empresa.
Novos mercados e disciplina de capital
Questionado sobre a possibilidade de a Vale investir em terras raras — uma expectativa já levantada por autoridades governamentais —, a companhia confirmou que está “sempre estudando outras commodities”, incluindo o lítio.
No entanto, o executivo ponderou que a Vale ainda não chegou a nenhuma decisão de investimento nesses setores. “Qualquer entrada em novos mercados seguirá uma rigorosa disciplina na alocação de capital”, cravou o CEO.
Preparativos para o El Niño
As operações frente aos extremos climáticos também pautaram a conversa. Com a previsão de um novo fenômeno El Niño — que historicamente causa secas na região Norte e chuvas intensas no Sul e Sudeste —, a Vale informou que já está implementando um “plano de chuva muito robusto”.
Na prática, as ações incluem um forte reforço no combate a incêndios na região amazônica e a preparação estrutural para suportar volumes pluviométricos muito acima da média nas operações do Sudeste, mantendo a segurança das barragens e dos trabalhadores como prioridade máxima.
** Especial para o Radar Mineração