Da esquerda para a direita: Ruben Fernandes, Henrique Oliveira, Paul Mitchell, René Muga Escobar e Sebastian Gatica
Da esquerda para a direita: Ruben Fernandes, Henrique Oliveira, Paul Mitchell, René Muga Escobar e Sebastian Gatica (Foto: IBRAM via Flickr)

Queda dos teores amplia complexidade operacional na mineração

Executivos destacam necessidade de movimentar mais material, rever processos e adotar novas soluções sem perder eficiência

Por Rodrigo Conceição Santos, 3 min de leitura

Publicado em 26/08/2026

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BELO HORIZONTE – Com concentrações cada vez menores dos minerais de interesse no material extraído (queda/redução dos teores), as mineradoras precisam ser mais produtivas. O tema foi discutido durante painel com executivos da Mosaic, EY, BHP e CRU Group e Anglo American na tarde desta terça-feira (25), durante a Exposibram 2026.

Paul Mitchell, sócio-líder global da área de Mineração e Metais da EY, revelou que a complexidade operacional foi apontada como o principal risco para a mineração em uma pesquisa global realizada pela consultoria com cerca de 1.200 empresas do setor. O resultado estaria relacionado à redução dos teores e à maior complexidade dos corpos de minério.

O problema é que teores menores exigem a movimentação de volumes maiores de material para produzir a mesma quantidade de minério. A situação fica mais complexa em operações mais profundas, remotas e com condições geológicas diferentes das encontradas em projetos tradicionais.

Mineração de maneira diferente

Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais da Anglo American, exemplificou com a evolução dos teores de cobre. Segundo ele, projetos que no passado apresentavam concentrações próximas de 1,2% eram considerados muito atrativos, enquanto atualmente existem operações com teores de aproximadamente 0,34%.

Para Mitchell, a queda dos teores exige uma mudança na forma como as minas são projetadas e operadas.

Grandes corpos minerais que foram desenvolvidos no passado provavelmente não seriam concebidos da mesma maneira atualmente”

Um dos desafios está na movimentação de materiais. Caminhões podem ser eficientes em determinadas condições, mas perdem produtividade quando os ciclos de transporte se tornam muito longos. Por isso, o setor precisa avaliar alternativas para transportar e processar o minério de maneira mais eficiente.

A mesma lógica vale para as plantas de processamento. Segundo Mitchell, tornou-se necessário questionar modelos baseados em uma única linha de produção quando o teor de alimentação pode cair para 0,2%, 0,3% ou até 0,1%.

Ruben Fernandes

Precisamos fazer mineração de uma maneira diferente”

Ruben Fernandes

A mudança, porém, é mais difícil em operações existentes. Investir grandes volumes de capital para alterar métodos de lavra, transporte ou processamento depois que uma mina já está implantada pode comprometer a economia do ativo.

Produtividade além do corte de custos

Na avaliação de Mitchell, “a produtividade é a verdadeira resposta para o desenvolvimento sustentável”.

Isso significa reduzir desperdícios, repensar a movimentação de materiais e buscar formas de processar o minério com menor necessidade de transporte. Também envolve avaliar novas tecnologias e modelos operacionais, em vez de simplesmente reproduzir processos tradicionais.

A inteligência artificial aparece nesse contexto como uma ferramenta para melhorar a tomada de decisões e otimizar processos, mas Mitchell defendeu uma abordagem mais ampla. Para ele, não basta aplicar IA a um problema isolado. A tecnologia precisa contribuir para resolver desafios de ponta a ponta.

Inovação sem fronteiras

A IA está no contexto da mineração do futuro, conforme classificou Mitchell. “E isso considera que os depósitos mais complexos exigirão novas formas de lavra, transporte e processamento”, resumiu.

René Muga Escobar, vice-presidente de Assuntos Corporativos da BHP na América Latina
René Muga Escobar (Foto: IBRAM via Flickr)

René Muga Escobar, vice-presidente de Assuntos Corporativos da BHP na América Latina, avaliou que a indústria precisa também mudar a própria maneira de inovar. Para ele, as empresas devem buscar soluções fora de seus setores tradicionais e estabelecer parcerias com organizações que possam contribuir para enfrentar problemas específicos.

Sebastian Gatica, consultor Sênior de Mineração do CRU Group
Sebastian Gatica (Foto: IBRAM via Flickr)

A colaboração já é realidade, segundo Sebastian Gatica, consultor Sênior de Mineração do CRU Group. Durante o painel, ele comentou que mineradoras já começam a trabalhar conjuntamente em alguns mercados para compartilhar esforços e infraestrutura.

* Acompanhe a cobertura da Exposibram 2026 no Radar Mineração.