- A mineração emite até 92% de seu CO2 através da cadeia de valor (Escopo 3), fora do controle direto das empresas, exigindo rastreamento sistemático de fornecedores e clientes.
- A Vale aumentou o engajamento de fornecedores de 55% para 98% desde 2020 via parceria com Carbon Disclosure Project, alcançando 575 empresas e 350 milhões de toneladas de CO2 reportadas.
- A CVM exigirá divulgação de impacto ambiental nos três escopos a partir de 2027, incentivando ferramentas digitais que sincronizem emissões diretas e indiretas para evitar duplicação de dados.
Para a indústria de mineração, a gestão das emissões indiretas, ou de Escopo 3, é um desafio. Até 92% do dióxido de carbono (CO2) associado à atividade é emitido ao longo de sua cadeia de valor, em fontes fora do controle direto das empresas do setor.
Embora não sejam controladas diretamente pela organização, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de fornecedores e clientes estão associadas às suas atividades, o que reforça a necessidade de uma gestão eficaz do Escopo 3. Essas emissões podem surgir de diversas fontes, como a produção de matérias-primas, o transporte de mercadorias e o uso e descarte de produtos pelos consumidores.
Desde 2020, a Vale mantém um programa em parceria com o Carbon Disclosure Project, que estimula os fornecedores a medir e reportar suas emissões. Desde então, a parceria já teria contribuído para aumentar de 55% para 98% o engajamento de um grupo de fornecedores, resultando na adesão de 575 empresas de sua cadeia de valor, segundo reportagem do Neofeed. A iniciativa teria resultado no reporte de 350 milhões de toneladas de CO2 por parte dos fornecedores, um passo fundamental para ampliar a transparência e o controle dessas emissões.
Entenda o conceito de Escopo 3
O Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), padrão internacional para a contabilização de GEE, identificou 15 categorias dentro do Escopo 3, divididas em atividades upstream e downstream.
Atividades upstream
Neste caso, as emissões estão relacionadas a fornecedores, aquisição de materiais e pré-processamento, incluindo categorias como bens e serviços comprados, bens de capital, atividades relacionadas com uso de combustível e energia (não inclusas nos Escopos 1 e 2), transporte e distribuição upstream, resíduos gerados nas operações, viagens a negócios, deslocamento de funcionários (casa-trabalho) e bens arrendados pela organização.
Atividades downstream
As emissões downstream referem-se à distribuição e armazenamento, uso e fim da vida útil do produto. Incluem categorias como transporte e distribuição, processamento de produtos vendidos, uso de bens e serviços vendidos, tratamento de fim de vida dos itens, bens arrendados pela organização e investimentos.
Como rastrear emissões do Escopo 3?

É necessário mapear toda a cadeia de valor, tanto upstream quanto downstream, e buscar o engajamento de clientes e fornecedores para coletar dados sobre as suas emissões, e, com isso, calcular as emissões totais de GEE.
O Inventário de Carbono é uma ferramenta para o cálculo das emissões totais, incluindo as diretas e indiretas. As emissões diretas (Escopo 1) de uma empresa fornecedora representam emissões indiretas (Escopo 3) no inventário de carbono daquelas organizações que compram os seus serviços.
Assim, integrar e sincronizar os Escopos 1 e 3, envolvendo emissões diretas e indiretas entre clientes e fornecedores, é fundamental para entender, gerenciar e reduzir as emissões de GEE em toda a cadeia de valor. Os benefícios disso incluem redução de custos, melhoria da reputação e vantagem competitiva.
Ferramentas digitais podem realizar a integração do Inventário de Carbono, sincronizando o Escopo 1 de fornecedores com o Escopo 3 de clientes e vice-versa, o que facilita o engajamento e a elaboração do inventário de ambos, além de evitar a duplicação de dados. A partir de 2027, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais brasileiro, exigirá a divulgação do impacto ambiental nos três escopos.
Alternativas para reduzir emissões da cadeia de valor
A indústria da mineração, assim como outros setores, busca soluções sustentáveis. A redução de emissões pode ser alcançada por meio de iniciativas como a diminuição do consumo de combustíveis fósseis, o aumento da eficiência energética, a adoção de fontes de energia renováveis, a conservação de florestas, a gestão sustentável de resíduos e a economia circular.
Tecnologias como eletrificação de equipamentos e frotas, substituição de combustíveis fósseis por etanol, biometano e diesel verde (HVO – Óleo Vegetal Hidrotratado), uso de veículos autônomos para otimização logística e processos de produção mais eficientes são alguns exemplos de ações que contribuem para a redução de emissões.