- Mineradoras instalam redes privativas 5G e LTE em áreas remotas para viabilizar operações autônomas, monitoramento remoto e controle de equipamentos sem depender de infraestrutura de celular convencional.
- A rede 5G privativa da Newmont em Cadia Valley ampliou cobertura em 30 vezes comparada ao Wi-Fi e eliminou zonas mortas, permitindo transmissão simultânea de múltiplos vídeos de alta definição para monitoramento.
- Vale, Newmont e Usiminas já implementam essas redes para otimizar segurança operacional, reduzir acidentes e ativar tecnologias como IoT, caminhões autônomos e inspeções inteligentes na mineração brasileira.
Apesar de estarem localizadas em áreas remotas – e sem acesso ou com acesso restrito às redes convencionais de celular – as mineradoras estão entre os setores de vanguarda na instalação das redes privativas móveis (MPN, sigla em inglês para Mobile Private Network). Como o nome diz, as redes privativas são como uma infraestrutura particular, instalada nas minas e nas plantas de processamento mineral.
Atualmente os projetos envolvem duas gerações de tecnologia: o 5G e o 4G LTE – ou simplesmente LTE, que é uma evolução da rede de quarta geração comum, mas sem os diferenciais de velocidade e latência (atraso entre envio e recebimento de dados) do 5G. As redes 5G, por sua vez, são reconhecidas pela alta velocidade e latência ultrabaixa e ampla cobertura, três características importantes na ativação de projetos de mineração 4.0.
Casos práticos: a eficiência do 5G
Um exemplo de aplicação é a ativação de uma rede 5G privativa na mina Cadia Valley, da Newmont, na Austrália. A infraestrutura ampliou o alcance de cobertura em 30 vezes quando comparada a uma rede convencional de Wi-Fi. Ou seja, 3 mil metros de raio contra 100 metros do Wi-Fi.
Além de cobrir uma área maior, a infraestrutura permite a transmissão simultânea de vários vídeos de alta definição, o que amplifica os ganhos de monitoramento remoto das minas. A ativação também eliminou zonas mortas – que não tinham cobertura – e resiste a interferências em todo o ambiente coberto.
No México, a mesma Newmont usou o 5G para substituir as redes Wi-Fi móveis que tinha em sua operação em Penasquito. Antes de adotar a tecnologia, a empresa precisava deslocar dezenas de redes móveis montadas em trailers. Com o 5G privativo, eles foram trocados por seis estações rádio base com tecnologia de quinta geração.
Os exemplos se multiplicam, incluindo casos de aplicação no Brasil. A Vale está entre as pioneiras, com a ativação de uma rede privativa em 4G LTE em 2020 e depois em 5G, projeto em parceria com a Vivo e Nokia.
O projeto também inclui a instalação de 49 novas torres de telefonia e ativação de sinal em outras 27 torres já existentes na Estrada de Ferro Carajás (EFC), que liga Parauapebas (PA) à São Luís (MA). Além de modernizar a comunicação da operação ferroviária, a iniciativa leva conectividade às comunidades próximas e aos usuários do Trem de Passageiros, com inclusão digital e acesso à informação.
Em apresentação no MPN Forum de 2025, evento focado em redes privativas, a mineradora mostrou aplicações da tecnologia para controle remoto de caminhões e perfuratrizes autônomas e para inspeções inteligentes. A tecnologia também vem sendo usada para iniciativas de geotecnia (estudo do comportamento dos solos e das rochas) e para ampliar a segurança das operações.
Glossário da Mineração
Geotecnia
Ramo da engenharia que estuda comportamento de solos e rochas aplicado a obras minerárias. Analisa estabilidade de taludes, pilhas de estéril, barragens e escavações subterrâneas. Realiza investigações geológicas, ensaios laboratoriais e modelagens para garantir segurança estrutural, prevenir rupturas e otimizar projetos de mineração durante toda vida útil da operação.
Aliás, a tecnologia tem um impacto significativo na segurança dos trabalhadores, questão mais crucial na mineração, estabelecendo a base para uma mina otimizada onde acidentes podem ser minimizados.
A Usiminas é outra empresa do setor mínero-metalúrgico que investe no 5G privativo, uma iniciativa em parceria com a Claro. A siderúrgica começou a implantar o recurso em sua planta de Ipatinga (MG), com cobertura de 7 km². Entre as aplicações viabilizadas está o uso de Internet das Coisas (IoT) e recursos que reforçam a segurança da unidade industrial e que devem ser replicados na sua operação em Cubatão (SP).
Os casos da Vale, Newmont e Usiminas demonstram que o investimento em infraestrutura própria de conectividade é fundamental para transformar o potencial das tecnologias digitais em resultados práticos, posicionando a mineração brasileira na vanguarda da transformação digital na indústria.