Pessoas realizando reflorestamento ao plantarem mudas de árvores em um espaço verde
Foto: arek/ Shutterstock

Reflorestamento no setor produtivo é prioridade global para reduzir emissões

Apesar dos desafios, iniciativas para manter “florestas em pé” avançam em prol da preservação da biodiversidade e aceleração da economia

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 28/08/2025 | Atualizado em 11/06/2026

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O conceito de manutenção da “floresta em pé” está em linha com a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), uma vez que as árvores absorvem e armazenam carbono quando preservadas, mas o liberam quando derrubadas. A ideia, portanto, é não apenas preservar as florestas existentes, com ações para reduzir o desmatamento, mas também colocar em prática iniciativas para a recuperação de áreas degradadas, como o reflorestamento e a chamada regeneração natural. 

Segundo o instituto independente de pesquisa WRI Brasil, em artigo assinado por Lídia Duarte, Vinícius Dias Póvoa e Bruno Calixto, o tema é uma “emergência global”. Os autores citam que, segundo dados do Global Forest Watch, o mundo perdeu, em um ano, o equivalente a quase dez campos de futebol por minuto de florestas tropicais primárias. “Isso emitiu 2,4 gigatoneladas de CO2 na atmosfera, o que equivale a quase metade das emissões anuais dos Estados Unidos”, afirmaram os articulistas.

Além disso, eles destacaram que a manutenção das florestas é fundamental para a preservação da biodiversidade e da economia, uma vez que 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependem diretamente de recursos florestais para o sustento.

Iniciativas públicas para incentivar o reflorestamento

Bandeira da ONU sob um céu azul
Foto: Lolly66/ Shutterstock

Para estimular ações de preservação e reflorestamento mais ambiciosas, foram criadas algumas plataformas intergovernamentais, sendo que o Brasil integra grande parte delas. O Desafio de Bonn, que tem como objetivo a restauração de 350 milhões de hectares até 2030 no mundo, é um dos exemplos disso, citado no artigo do WRI Brasil. 

O país também integra a Iniciativa 20×20, cujo objetivo é iniciar o processo de restauração de 50 milhões de hectares na América Latina até 2030. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU também tem o Brasil como signatário, e prevê a restauração de 30% das áreas degradadas do mundo no mesmo prazo. 

O tema também foi alvo de discussões durante a COP16 da Biodiversidade, realizada na Colômbia e quando o Brasil lançou versão revista do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), reafirmando o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. 

Lídia, Póvoa e Calixto destacaram em seu artigo que “a restauração em larga escala, como prevista no Planaveg, no Desafio de Bonn e outras plataformas, pode trazer avanços importantes na mitigação das mudanças climáticas, impedir a extinção de diversas espécies e evitar catástrofes ambientais”. Porém, eles alertam que algumas técnicas, em função do alto custo, podem trazer dificuldades para atingir a grande escala necessária, principalmente em países em desenvolvimento – justamente aqueles que concentram a maior parte do potencial de regeneração. 

“Reduzir a ação humana e aproveitar a capacidade de regeneração dos próprios ecossistemas é uma forma de diminuir custos e garantir a restauração. Essa prática tem nome: a chamada Regeneração Natural Assistida (RNA)”, pontuam os especialistas, defendendo que ampliar as iniciativas de restauração é essencial para aproveitar o potencial de regeneração no Brasil e nos trópicos. 

Desafios exigem inovação 

A necessidade de recuperar e preservar áreas degradadas é relevante para todas as atividades que fazem uso do solo, como a agropecuária e a mineração. No caso do setor de extração mineral, que foi um dos primeiros a implantar métodos para restauração, o reflorestamento exige abordagens inovadoras por parte dos agentes. 

Análise de amostras de solo em laboratório
Foto: H_Ko/ Shutterstock

Dentre os desafios está o fato de que, após a exploração mineral, o solo sofre mudanças, adquirindo novas características. Isso exige estudos específicos para a seleção das espécies a serem plantadas no local. 

O monitoramento das áreas reflorestadas também é importante, pois, com a mudança do solo, podem surgir espécies “invasoras”, que afetam o crescimento das nativas. Por isso, a pesquisa contínua é considerada vital para identificar e reverter as mudanças.

Outro ponto relevante é o engajamento. É preciso envolver as pessoas no processo, por meio da educação ambiental e da conscientização. Sem o comprometimento das populações locais, os projetos de reflorestamento podem não se concretizar ou enfrentar problemas.Esses desafios foram discutidos em webinar promovido pela MORFO Brasil, que contou com a participação de alguns agentes do mercado, como a Vale. Diego Balestrin, doutor em Silvicultura pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e especialista da empresa, mencionou, na ocasião, que a Vale já realiza ações de proteção e recuperação com comunidades em áreas remotas, além de implementar sistemas agroflorestais na região amazônica. Ele citou também o desenvolvimento de tecnologia de micro cavernas em aterros, indicado para reduzir riscos humanos em ambientes de difícil acesso.

Dúvidas mais comuns

Reflorestamento é a prática de recuperação de áreas degradadas através do plantio de árvores, complementando ações de preservação de florestas existentes. As árvores absorvem e armazenam carbono quando preservadas, mas liberam esse carbono quando derrubadas. Portanto, manter florestas em pé e reflorestar áreas degradadas é fundamental para reduzir emissões de gases de efeito estufa e frear as mudanças climáticas, sendo considerado uma emergência global.

As florestas funcionam como sumidouros de carbono imprescindíveis para o ciclo do carbono. Quando as árvores crescem, absorvem dióxido de carbono da atmosfera através da fotossíntese e armazenam esse carbono em sua biomassa. Metade dos gases de efeito estufa fica na atmosfera contribuindo para o aquecimento global, enquanto a outra metade é absorvida pelas florestas e oceanos, tornando o reflorestamento fundamental para nossa subsistência e para frear as mudanças climáticas.

O Brasil integra várias plataformas intergovernamentais de reflorestamento, incluindo o Desafio de Bonn (objetivo de restaurar 350 milhões de hectares até 2030), a Iniciativa 20x20 (restauração de 50 milhões de hectares na América Latina até 2030) e a Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (restauração de 30% das áreas degradadas até 2030). O Brasil também lançou o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), comprometendo-se a restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

A Regeneração Natural Assistida (RNA) é uma prática que reduz a ação humana e aproveita a capacidade de regeneração dos próprios ecossistemas para restauração de áreas. Essa abordagem é uma forma de diminuir custos e garantir a restauração em larga escala, sendo especialmente importante para países em desenvolvimento que concentram a maior parte do potencial de regeneração, mas enfrentam limitações financeiras para técnicas de reflorestamento convencionais.

Segundo dados do Global Forest Watch, o mundo perde o equivalente a quase dez campos de futebol por minuto de florestas tropicais primárias. Essa perda emitiu 2,4 gigatoneladas de CO2 na atmosfera em um ano, o que equivale a quase metade das emissões anuais dos Estados Unidos. Além das emissões, essa perda afeta 1,6 bilhão de pessoas no mundo que dependem diretamente de recursos florestais para o sustento.

Os principais desafios incluem o alto custo das técnicas de restauração, especialmente em países em desenvolvimento, e as mudanças nas características do solo após exploração (como em áreas de mineração), que exigem estudos específicos para seleção de espécies. Além disso, o monitoramento contínuo é vital para identificar e controlar espécies invasoras que afetam o crescimento das nativas, e é fundamental o engajamento das comunidades locais através de educação ambiental e conscientização para o sucesso dos projetos.

O setor de extração mineral foi um dos primeiros a implantar métodos para restauração e reflorestamento. Empresas como a Vale realizam ações de proteção e recuperação com comunidades em áreas remotas, implementam sistemas agroflorestais na região amazônica e desenvolvem tecnologias inovadoras, como micro cavernas em aterros, para reduzir riscos humanos em ambientes de difícil acesso. Essas abordagens inovadoras são necessárias porque o solo sofre mudanças significativas após a exploração mineral.

Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa, a manutenção das florestas é fundamental para a preservação da biodiversidade e da economia. Aproximadamente 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependem diretamente de recursos florestais para o sustento. A restauração em larga escala pode impedir a extinção de diversas espécies, evitar catástrofes ambientais e trazer avanços importantes na mitigação das mudanças climáticas.