Pessoas realizando reflorestamento ao plantarem mudas de árvores em um espaço verde
Foto: arek/ Shutterstock

Reflorestamento no setor produtivo é prioridade global para reduzir emissões

Apesar dos desafios, iniciativas para manter “florestas em pé” avançam em prol da preservação da biodiversidade e aceleração da economia

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 28/08/2025

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  • O reflorestamento e a regeneração natural assistida são estratégias essenciais para reduzir emissões de gases de efeito estufa, pois as florestas preservadas absorvem carbono, enquanto o desmatamento libera 2,4 gigatoneladas anuais de CO2.
  • O Brasil integra plataformas globais como o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20x20, comprometendo-se a restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 através do Planaveg revisado.
  • Setores como mineração enfrentam desafios técnicos na restauração pós-exploração, exigindo pesquisa contínua para seleção de espécies, monitoramento de invasoras e engajamento comunitário para viabilizar projetos em larga escala.
Resumo revisado pela redação.

O conceito de manutenção da “floresta em pé” está em linha com a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), uma vez que as árvores absorvem e armazenam carbono quando preservadas, mas o liberam quando derrubadas. A ideia, portanto, é não apenas preservar as florestas existentes, com ações para reduzir o desmatamento, mas também colocar em prática iniciativas para a recuperação de áreas degradadas, como o reflorestamento e a chamada regeneração natural. 

Segundo o instituto independente de pesquisa WRI Brasil, em artigo assinado por Lídia Duarte, Vinícius Dias Póvoa e Bruno Calixto, o tema é uma “emergência global”. Os autores citam que, segundo dados do Global Forest Watch, o mundo perdeu, em um ano, o equivalente a quase dez campos de futebol por minuto de florestas tropicais primárias. “Isso emitiu 2,4 gigatoneladas de CO2 na atmosfera, o que equivale a quase metade das emissões anuais dos Estados Unidos”, afirmaram os articulistas.

Além disso, eles destacaram que a manutenção das florestas é fundamental para a preservação da biodiversidade e da economia, uma vez que 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependem diretamente de recursos florestais para o sustento.

Iniciativas públicas para incentivar o reflorestamento

Bandeira da ONU sob um céu azul
Foto: Lolly66/ Shutterstock

Para estimular ações de preservação e reflorestamento mais ambiciosas, foram criadas algumas plataformas intergovernamentais, sendo que o Brasil integra grande parte delas. O Desafio de Bonn, que tem como objetivo a restauração de 350 milhões de hectares até 2030 no mundo, é um dos exemplos disso, citado no artigo do WRI Brasil. 

O país também integra a Iniciativa 20×20, cujo objetivo é iniciar o processo de restauração de 50 milhões de hectares na América Latina até 2030. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU também tem o Brasil como signatário, e prevê a restauração de 30% das áreas degradadas do mundo no mesmo prazo. 

O tema também foi alvo de discussões durante a COP16 da Biodiversidade, realizada na Colômbia e quando o Brasil lançou versão revista do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), reafirmando o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. 

Lídia, Póvoa e Calixto destacaram em seu artigo que “a restauração em larga escala, como prevista no Planaveg, no Desafio de Bonn e outras plataformas, pode trazer avanços importantes na mitigação das mudanças climáticas, impedir a extinção de diversas espécies e evitar catástrofes ambientais”. Porém, eles alertam que algumas técnicas, em função do alto custo, podem trazer dificuldades para atingir a grande escala necessária, principalmente em países em desenvolvimento – justamente aqueles que concentram a maior parte do potencial de regeneração. 

“Reduzir a ação humana e aproveitar a capacidade de regeneração dos próprios ecossistemas é uma forma de diminuir custos e garantir a restauração. Essa prática tem nome: a chamada Regeneração Natural Assistida (RNA)”, pontuam os especialistas, defendendo que ampliar as iniciativas de restauração é essencial para aproveitar o potencial de regeneração no Brasil e nos trópicos. 

Desafios exigem inovação 

A necessidade de recuperar e preservar áreas degradadas é relevante para todas as atividades que fazem uso do solo, como a agropecuária e a mineração. No caso do setor de extração mineral, que foi um dos primeiros a implantar métodos para restauração, o reflorestamento exige abordagens inovadoras por parte dos agentes. 

Análise de amostras de solo em laboratório
Foto: H_Ko/ Shutterstock

Dentre os desafios está o fato de que, após a exploração mineral, o solo sofre mudanças, adquirindo novas características. Isso exige estudos específicos para a seleção das espécies a serem plantadas no local. 

O monitoramento das áreas reflorestadas também é importante, pois, com a mudança do solo, podem surgir espécies “invasoras”, que afetam o crescimento das nativas. Por isso, a pesquisa contínua é considerada vital para identificar e reverter as mudanças.

Outro ponto relevante é o engajamento. É preciso envolver as pessoas no processo, por meio da educação ambiental e da conscientização. Sem o comprometimento das populações locais, os projetos de reflorestamento podem não se concretizar ou enfrentar problemas.Esses desafios foram discutidos em webinar promovido pela MORFO Brasil, que contou com a participação de alguns agentes do mercado, como a Vale. Diego Balestrin, doutor em Silvicultura pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e especialista da empresa, mencionou, na ocasião, que a Vale já realiza ações de proteção e recuperação com comunidades em áreas remotas, além de implementar sistemas agroflorestais na região amazônica. Ele citou também o desenvolvimento de tecnologia de micro cavernas em aterros, indicado para reduzir riscos humanos em ambientes de difícil acesso.

Dúvidas mais comuns

Reflorestamento é a prática de plantar árvores em áreas degradadas ou desmatadas, complementando ações de preservação de florestas existentes. As árvores absorvem e armazenam carbono quando preservadas, mas liberam esse carbono quando derrubadas. Estudos mostram que árvores jovens capturam o dobro de CO2 comparadas às mais velhas, e o reflorestamento pode aumentar o estoque de carbono total das florestas maduras em aproximadamente 10%, desempenhando um papel importante no combate ao efeito estufa.

O reflorestamento promove a remoção ou 'sequestro' de CO2 da atmosfera, diminuindo a concentração deste gás de efeito estufa. A cada 7 árvores plantadas, é possível sequestrar 1 tonelada de carbono nos seus primeiros 20 anos de idade. Essa captura de carbono é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar as mudanças climáticas globais.

Enquanto o reflorestamento envolve o plantio ativo de árvores em áreas degradadas, a Regeneração Natural Assistida (RNA) reduz a ação humana e aproveita a capacidade de regeneração dos próprios ecossistemas. A RNA é uma prática mais econômica que pode diminuir custos e garantir a restauração em larga escala, sendo especialmente importante para países em desenvolvimento que concentram o maior potencial de regeneração nos trópicos.

Após a exploração mineral, o solo sofre mudanças significativas que adquirem novas características, exigindo estudos específicos para a seleção das espécies a serem plantadas. Além disso, o monitoramento contínuo é vital para identificar e reverter mudanças, pois podem surgir espécies 'invasoras' que afetam o crescimento das nativas. O engajamento das comunidades locais através de educação ambiental também é fundamental para o sucesso dos projetos.

O Brasil integra várias plataformas intergovernamentais de reflorestamento, incluindo o Desafio de Bonn (restauração de 350 milhões de hectares no mundo), a Iniciativa 20x20 (50 milhões de hectares na América Latina) e a Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (30% das áreas degradadas globalmente). O Brasil reafirmou seu compromisso através do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), visando restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

A manutenção das florestas é fundamental para a preservação da biodiversidade e da economia global. Aproximadamente 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependem diretamente de recursos florestais para o sustento. A restauração em larga escala pode impedir a extinção de diversas espécies, evitar catástrofes ambientais e trazer avanços importantes na mitigação das mudanças climáticas.

Segundo dados do Global Forest Watch, o mundo perdeu o equivalente a quase dez campos de futebol por minuto de florestas tropicais primárias em um ano. Essa perda emitiu 2,4 gigatoneladas de CO2 na atmosfera, o que equivale a quase metade das emissões anuais dos Estados Unidos, demonstrando a urgência de ações de reflorestamento e preservação.

Empresas como a Vale estão desenvolvendo abordagens inovadoras para reflorestamento, incluindo a implementação de sistemas agroflorestais na região amazônica e o desenvolvimento de tecnologia de micro cavernas em aterros, indicada para reduzir riscos humanos em ambientes de difícil acesso. Além disso, a pesquisa contínua é vital para identificar as melhores espécies a serem plantadas em diferentes tipos de solo e para monitorar o sucesso das áreas reflorestadas.