Em média, as mineradoras se propõem a reduzir um terço de suas emissões de carbono até 2030, caminhando para o net zero até 2050. Na maioria dos países, a redução nesta primeira fase se concentra no escopo 2 de emissões do GHG Protocol, ou seja, aquelas referentes ao uso de energia elétrica. Já no Brasil, cuja matriz elétrica é mais de 90% renovável, o impacto do uso de energia elétrica é menor e, portanto, as buscas são por soluções que reduzam a pegada de carbono das próprias atividades das companhias, ou seja, do escopo 1 de emissões.
Para Lucca Machado, coordenador de projetos da U&M Construção e Mineração, isso explica a necessidade das mineradoras com atuação local substituírem equipamentos movidos a combustíveis fósseis – majoritariamente o diesel. Ocorre que a substituição de frotas antigas por novas demanda investimentos altos e, nem sempre possíveis, e é nessa linha que a U&M propôs, em painel na Exposibram, uma solução para modernizar modelos mais antigos de equipamentos.
Dedicada à prestação de serviços e locação de máquinas para mineração e construção, a U&M agora se propõe a aplicar retrofit em caminhões fora de estrada, com foco em torná-los autônomos e elétricos.
Desde 2020, a empresa conduz internamente o desenvolvimento das soluções de retrofit. A proposta é adaptar equipamentos existentes, estendendo sua vida útil e reduzindo o uso de combustíveis fósseis. “Estamos em fase de testes com caminhão de 200 toneladas, equipado com bateria. É um trabalho de upcycle, no qual o veículo passa por um processo de modernização técnica”, explica Machado, pontuando que a iniciativa também tem relação com o aproveitamento de ativos já instalados, reduzindo a necessidade de novos equipamentos e otimizando recursos disponíveis.
Retrofit e autonomia
Luiza Bartels, também coordenadora de projetos da U&M, atua no desenvolvimento e na aplicação do kit de retrofit que habilita caminhões fora de estrada a operarem de forma autônoma. Ela defendeu que – junto com a eletrificação promovida pela equipe de Machado – a solução autônoma promove segurança, eficiência, produtividade e sustentabilidade às operações de mineração.
“A segurança vem da retirada de pessoas das áreas de operação. A eficiência está relacionada à maior disponibilidade dos equipamentos. A produtividade advém da regularidade dos ciclos e a sustentabilidade está ligada ao uso mais racional dos ativos, além da redução de emissões”, disse.
Segundo ela, em testes realizados até o momento, o caminhão com retrofit apresentou variações de 8% a 25% em eficiência, 5% a 30% em produtividade e 10% a 30% em sustentabilidade, com economia de investimento que chega a 60% (ao evitar a compra de um equipamento novo). “As faixas variam conforme o tipo de mina e as condições operacionais”, pontuou Luiza.
O processo de retrofit – da instalação à calibração da bateria e tecnologias para tornar o caminhão autônomo – leva cerca de um mês por veículo. Segundo a especialista da U&M, o avanço depende também das condições de custos de implementação, uma vez que os sensores utilizados precisam ter resistência à poeira, graxa e variações de temperatura. “A conectividade também é um ponto de atenção que, inclusive, pode ser minimizado com uso de sensores avançados”, concluiu Machado.
Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.
Dúvidas mais comuns
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Retrofit é uma técnica de modernização que transforma equipamentos antigos e defasados em estruturas mais modernas. No caso de caminhões fora de estrada, o retrofit envolve a conversão de veículos movidos a diesel para modelos elétricos e autônomos, estendendo sua vida útil e reduzindo o uso de combustíveis fósseis sem necessidade de substituição completa da frota.
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O retrofit permite que as mineradoras reduzam suas emissões do escopo 1 (atividades próprias da empresa), que é o foco principal no Brasil devido à matriz elétrica já ser 90% renovável. Ao converter caminhões a diesel para modelos elétricos, a solução elimina o uso de combustíveis fósseis nas operações, alinhando-se com as metas de redução de um terço das emissões até 2030 e net zero até 2050.
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O retrofit autônomo promove segurança ao retirar pessoas das áreas de operação, aumenta a eficiência pela maior disponibilidade dos equipamentos, melhora a produtividade através da regularidade dos ciclos e contribui para a sustentabilidade com uso mais racional dos ativos. Testes realizados demonstraram variações de 8% a 25% em eficiência, 5% a 30% em produtividade e 10% a 30% em sustentabilidade.
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O processo completo de retrofit, que inclui instalação, calibração da bateria e implementação das tecnologias para tornar o caminhão autônomo, leva aproximadamente um mês por veículo. O tempo pode variar conforme as condições operacionais e a complexidade específica de cada equipamento.
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O retrofit oferece uma economia de investimento que chega a 60% em comparação com a compra de um equipamento novo. Essa redução significativa de custos torna a solução mais acessível para mineradoras que enfrentam limitações orçamentárias, permitindo modernização da frota sem investimentos altos.
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Os principais desafios incluem a resistência dos sensores à poeira, graxa e variações de temperatura, bem como questões de conectividade nas operações. A U&M trabalha no desenvolvimento de sensores avançados que possam minimizar esses problemas e garantir o funcionamento confiável do sistema autônomo em ambientes de mineração.
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O retrofit é um processo de upcycle que moderniza equipamentos existentes, aproveitando ativos já instalados e estendendo sua vida útil. Diferentemente da compra de novos caminhões, o retrofit reduz a necessidade de novos equipamentos, otimiza recursos disponíveis e oferece economia de até 60%, tornando-o uma solução mais sustentável e economicamente viável para modernização de frotas.
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A U&M está em fase de testes com caminhões de 200 toneladas equipados com bateria, demonstrando que o retrofit pode ser aplicado em equipamentos de grande porte. A solução é desenvolvida especificamente para caminhões fora de estrada utilizados em operações de mineração, adaptando-se às necessidades de diferentes tipos de minas e condições operacionais.

