- A Vale Base Metals superou metas de produção em 2025 e apresenta plano de dobrar produção de cobre para 700 mil toneladas até 2035, operando com autonomia financeira e foco em crescimento orgânico.
- A segregação de ativos permitiu ganhos operacionais simultâneos em múltiplas geografias, reduzindo custos de capital de US$ 80-100 milhões para US$ 30-50 milhões por milhão de toneladas, alinhando a companhia aos melhores benchmarks globais.
- Analistas de grandes bancos reconhecem a VBM como vetor crível de crescimento, com potencial de representar 30% a 35% do Ebitda consolidado da Vale no longo prazo e justificar a reprecificação recente das ações.
A Vale Base Metals realizou, em 31 de março de 2026, em Toronto, no Canadá, a primeira edição do VBM Day. O evento marcou um novo momento da companhia, que passa a ocupar posição cada vez mais relevante importante nos planos de expansão de longo prazo da Vale. Diante de investidores e parceiros, a empresa apresentou plano de crescimento apoiado em execução operacional, disciplina de capital e foco em ativos competitivos. A leitura do mercado foi de antecipação de metas e entrega de resultados acima das expectativas iniciais.
A companhia indicou que supera a fase de reestruturação e passa a operar como uma plataforma integrada, com perspectiva de crescimento previsível no mercado de metais críticos. A projeção da empresa é elevar sua capacidade produtiva para 700 mil toneladas anuais até o ano de 2035.
Na abertura, o CEO Shaun Usmar afirmou que a transformação avança em ritmo superior ao planejado. Segundo ele, a empresa está entre dois e três anos à frente do cronograma definido em 2024. O executivo associou esse avanço a mudanças na forma de operação e na execução de projetos.

Usmar disse também que a segregação de ativos permitiu evidenciar um potencial que não estava plenamente capturado.A nova estrutura contribuiu para que a VBM superasse, pela primeira vez em mais de dez anos, suas próprias projeções de produção de cobre e níquel.
VBM como um dos “motores” da Vale
Marcelo Bacci, CFO da Vale SA, definiu a Vale hoje como uma companhia com “dois motores”: um portfólio de minério de ferro líder global, focado em custos competitivos, escala e descarbonização do aço, e a VBM, um negócio de metais básicos de crescimento rápido.

O executivo ressaltou que a VBM é hoje um pilar da estratégia da Vale e que o sucesso da segregação de ativos está criando opcionalidades valiosas, com o potencial de a subsidiária responder por 30% a 35% do Ebitda consolidado no longo prazo, aproximando a Vale de outras grandes mineradoras diversificadas globais.
A estratégia da VBM fundamenta-se em três aspectos: (1) concentração em um portfólio competitivo, (2) aumento de produção e (3) disciplina de capital. A companhia prioriza ativos com vantagens competitivas claras, especialmente em cobre e níquel, essenciais para a transição energética e infraestrutura digital, como os data centers.
No níquel, o foco é o ganho de eficiência e o reposicionamento competitivo diante da pressão de oferta vinda da Indonésia, utilizando ativos polimetálicos para diluir custos fixos e aumentar margens. Shaun Usmar reforçou a diretriz de focar na expansão orgânica, em vez de aquisições ou abertura de capital. “O crescimento orgânico é a melhor maneira de agregar valor para nós”, afirmou.
Destaques para cobre e níquel
O pilar do aumento de produção estará focado principalmente no cobre. A meta principal da companhia é quase dobrar a produção do metal até atingir 700 mil toneladas ao ano até 2035.
No encerramento de 2025, a VBM já demonstrou força ao atingir uma produção recorde de 382 mil toneladas de cobre, superando o patamar de 350 mil toneladas registrado no ano anterior e ficando no topo da faixa de projeção inicial, que era de 350 a 380 mil toneladas. Esse avanço consolida a VBM como um player de relevância global em um mercado marcado por restrições de oferta e aumento estrutural da demanda.
A gestão demonstrou um uso mais eficiente do capital desde o carve-out, permitindo maior autonomia operacional e foco estratégico. A revisão de projetos levou a uma redução na intensidade de capital, que passou de patamares de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões por milhão de toneladas, para uma faixa entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões, alinhando a VBM aos melhores benchmarks globais.
Em 2025, a VBM registrou um aumento de aproximadamente US$ 2 bilhões no seu Ebitda em relação a 2024. Deste montante, cerca de US$ 800 milhões decorrem de iniciativas internas de volume e eficiência, enquanto os outros US$ 1,2 bilhão refletem fatores externos como preços e câmbio.
Murilo Muller, diretor de Finanças e RI, reforçou que a VBM passa a operar com maior autonomia e capacidade de financiar seu próprio crescimento, tendo terminado 2025 em posição de equilíbrio de fluxo de caixa.

Já Tina Gauthier, diretora comercial, destacou o cenário estrutural de demanda por cobre e níquel, impulsionado pela convergência de sistemas de energia e política industrial. Segundo ela, a eletrificação e a digitalização devem impulsionar um crescimento de cerca de 50% na demanda por cobre até 2040. A executiva ressaltou o posicionamento da VBM como fornecedora estratégica para mercados ocidentais, com um portfólio diversificado e produtos de alta pureza que apresentam menor intensidade de carbono.

Laura Brooks, diretora global de sustentabilidade, enfatizou que a agenda ESG é parte central da competitividade. Brooks detalhou iniciativas de rastreabilidade e certificação, destacando que 92% do cobre e 69% do níquel produzidos já estão no primeiro quartil de intensidade de carbono, e que o licenciamento ambiental é um fator crítico para viabilizar novos projetos de forma responsável.

Replicação de melhores práticas e resultados
A consistência operacional foi o tema central da apresentação de Alfredo Santana, diretor de Operações da VBM. “O mais difícil na mineração não é ter um trimestre ou um ano forte. Temos que fazer com que esse desempenho se repita”, enfatizou. Ele destacou como pilares operacionais as estratégias de saúde e segurança; excelência na produção; e eficiência no uso dos recursos. “Na VBM, temos um sistema desenhado para gerar consistência na realização dessa estratégia”, acrescentou.

O diretor de operações destacou que esse modelo sistêmico permitiu ganhos simultâneos em diferentes geografias. O projeto Salobo aumentou o desempenho de processamento em 40%, enquanto Sudbury, no Canadá, registrou melhorias similares na mineração, demonstrando que o novo modelo de operação descentralizado está funcionando de forma estrutural. Para 2026, a prioridade operacional é tornar essa performance repetitiva para que o Ebitda da companhia gere cada vez mais credibilidade no mercado.
Chris McCleave, diretor de tecnologia, reforçou que o roadmap para as 700 mil toneladas de cobre é executável e sustentado por rigor técnico, citando o projeto Bacaba, que já apresenta redução de capital 50% maior do que os objetivos iniciais e 23% de conclusão física. A empresa também foca em inovações como a Flotação de Partículas Grossas (CPF), capaz de desbloquear 30 mil toneladas anuais adicionais com baixo investimento.

Análise do mercado e visão dos analistas
O evento foi amplamente reconhecido no mercado financeiro pela clareza da estratégia e melhora na execução.
Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Banco Safra, afirmaram que a administração enfatizou como a segregação de ativos permitiu à VBM operar com uma mentalidade focada em metais base, melhorando a entrega e restaurando a credibilidade após uma década de metas não cumpridas.
“A estratégia polimetálica no Canadá visa diluir custos fixos e melhorar créditos de coprodutos, reduzindo custos all-in sustaining de aproximadamente US$ 25 mil para US$ 17 mil por tonelada, com reduções adicionais direcionadas para alcançar breakeven de fluxo de caixa em níveis de preços conservadores”, destacam os analistas do Safra.
O Itaú BBA avaliou positivamente a visibilidade de expansão. “O Itaú BBA mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações da Vale (VALE3) e projeta preço-alvo de US$ 19,50 para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) para o fim de 2026”, informa a Info Money.
A XP Investimentos reforçou que a Vale Base Metals (VBM) se consolida como um vetor crível de crescimento para os próximos anos, o que ajuda a justificar o recente processo de re-rating (reprecificação) do valuation da Vale. Durante o VBM Day 2026, a instituição destacou o compromisso da companhia com o aumento da produção de cobre e o alcance de retornos marginais superiores, aliados à melhoria da lucratividade das operações atuais.
Entre os pontos centrais, a XP citou o fortalecimento do roteiro (roadmap) para atingir aproximadamente 700 mil toneladas (kt) de cobre e entre 210 e 250 kt de níquel até 2035, contando ainda com diversas opcionalidades de longo prazo, como o depósito de Hu’u. Além disso, foram detalhadas iniciativas de melhoria operacional traduzidas em maior capacidade de processamento (throughput), aumento da disponibilidade das plantas e maior eficiência dos ativos, gerando reduções de custos expressivas em relação a anos anteriores.
A análise também enfatizou o perfil autofinanciado da unidade, que apresenta uma relação dívida líquida/Ebitda de cerca de 0,4x e uma dívida líquida de aproximadamente US$ 1,2 bilhão. Esse cenário sugere uma pressão limitada sobre o balanço no curto prazo, mesmo com a companhia em plena fase de expansão.
“Acredita-se que o bom momento do cobre favorece essa trajetória, com a XP projetando um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) entre 7,0% e 7,5% para o ano de 2026, diz o comunicado da gestora de investimentos.
A mídia internacional, incluindo veículos como The Globe and Mail e Financial Post, destacou o foco da VBM no crescimento orgânico em detrimento de fusões ou ofertas públicas imediatas.
Destaques e prioridades da Vale Base Metals
Com base nos resultados apresentados e no planejamento estratégico, os principais marcos da companhia incluem:
Destaques de 2025
- Superação das metas operacionais de produção em cobre (382 kt) e níquel.
- Aumento de 6% nas reservas e recursos minerais de cobre, atingindo 53 milhões de toneladas.
- Crescimento de 13% nas reservas de níquel, totalizando 14 milhões de toneladas.
- Melhoria de aproximadamente US$ 1,9 bilhão no Ebitda ano a ano, com US$ 800 milhões advindos de ações internas de gestão.
- Redução de 34% no custo unitário de engenharia e avanço de 23% na conclusão física de Bacaba.
Prioridades para 2026
- Consolidação da estabilidade e repetibilidade operacional em todo o portfólio.
- Execução disciplinada de projetos brownfield, com foco em ativos existentes.
- Dobrar a intensidade de perfuração na região de Carajás, com meta superior a 120.000 metros.
- Avanço na agenda de sustentabilidade, incluindo a conclusão da conformidade com o padrão global de gestão de rejeitos (GISTM) até maio.
- Implementação da tecnologia de Flotação de Partículas Grossas (CPF) para expansão de capacidade com baixa intensidade de capital.