Da esquerda para a direita: Murilo Muller, Dr. Laura Brooks, Marcelo Bacci, Shaun Usmar, Alfredo Santana, Tina Gauthier e Chris McCleave
Da esquerda para a direita: Murilo Muller, Dr. Laura Brooks, Marcelo Bacci, Shaun Usmar, Alfredo Santana, Tina Gauthier e Chris McCleave. (Foto: Vale Base Metals)

Saltos de produtividade e crescimento disciplinado explicam resultados e expectativas da Vale Base Metals

Estratégia apresentada no VBM Day mostra foco em crescimento orgânico, disciplina de capital e expansão da produção para atender à demanda global pela transição energética

Por Vanderlei Campos , 7 min de leitura

Publicado em 02/04/2026

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A Vale Base Metals realizou, em 31 de março de 2026, em Toronto, no Canadá, a primeira edição do VBM Day. O evento marcou um novo momento da companhia, que passa a ocupar posição cada vez mais relevante importante nos planos de expansão de longo prazo da Vale. Diante de investidores e parceiros, a empresa apresentou plano de crescimento apoiado em execução operacional, disciplina de capital e foco em ativos competitivos. A leitura do mercado foi de antecipação de metas e entrega de resultados acima das expectativas iniciais.

A companhia indicou que supera a fase de reestruturação e passa a operar como uma plataforma integrada, com perspectiva de crescimento previsível no mercado de metais críticos. A projeção da empresa é elevar sua capacidade produtiva para 700 mil toneladas anuais até o ano de 2035. 

Na abertura, o CEO Shaun Usmar afirmou que a transformação avança em ritmo superior ao planejado. Segundo ele, a empresa está entre dois e três anos à frente do cronograma definido em 2024. O executivo associou esse avanço a mudanças na forma de operação e na execução de projetos.

Shaun Usmar, Diretor-Presidente da Vale Base Metals no palco
Shaun Usmar, Diretor-Presidente da Vale Base Metals. (Foto: Vale Base Metals)

Usmar disse também que a segregação de ativos permitiu evidenciar um potencial que não estava plenamente capturado.A nova estrutura  contribuiu para que a VBM superasse, pela primeira vez em mais de dez anos, suas próprias projeções de produção de cobre e níquel.

VBM como um dos  “motores” da Vale

Marcelo Bacci, CFO da Vale SA, definiu a Vale hoje como uma companhia com “dois motores”: um portfólio de minério de ferro líder global, focado em custos competitivos, escala e descarbonização do aço, e a VBM, um negócio de metais básicos de crescimento rápido. 

Marcelo Bacci, Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores da Vale S.A
Marcelo Bacci, Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores da Vale S.A (Foto: Vale Base Metals)

O executivo ressaltou que a VBM é hoje um pilar da estratégia da Vale e que o sucesso da segregação de ativos está criando opcionalidades valiosas, com o potencial de a subsidiária responder por 30% a 35% do Ebitda consolidado no longo prazo, aproximando a Vale de outras grandes mineradoras diversificadas globais.

A estratégia da VBM fundamenta-se em três aspectos: (1) concentração em um portfólio competitivo, (2) aumento de produção e (3) disciplina de capital. A companhia prioriza ativos com vantagens competitivas claras, especialmente em cobre e níquel, essenciais para a transição energética e infraestrutura digital, como os data centers.

No níquel, o foco é o ganho de eficiência e o reposicionamento competitivo diante da pressão de oferta vinda da Indonésia, utilizando ativos polimetálicos para diluir custos fixos e aumentar margens. Shaun Usmar reforçou a diretriz de focar na expansão orgânica, em vez de aquisições ou abertura de capital. “O crescimento orgânico é a melhor maneira de agregar valor para nós”, afirmou.

Destaques para cobre e níquel

O pilar do aumento de produção estará focado principalmente no cobre. A meta principal da companhia é quase dobrar a produção do metal até atingir 700 mil toneladas ao ano até 2035. 

No encerramento de 2025, a VBM já demonstrou força ao atingir uma produção recorde de 382 mil toneladas de cobre, superando o patamar de 350 mil toneladas registrado no ano anterior e ficando no topo da faixa de projeção inicial, que era de 350 a 380 mil toneladas. Esse avanço consolida a VBM como um player de relevância global em um mercado marcado por restrições de oferta e aumento estrutural da demanda.

A gestão demonstrou um uso mais eficiente do capital desde o carve-out, permitindo maior autonomia operacional e foco estratégico. A revisão de projetos levou a uma redução na intensidade de capital, que passou de patamares de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões por milhão de toneladas, para uma faixa entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões, alinhando a VBM aos melhores benchmarks globais.

Em 2025, a VBM registrou um aumento de aproximadamente US$ 2 bilhões no seu Ebitda em relação a 2024. Deste montante, cerca de US$ 800 milhões decorrem de iniciativas internas de volume e eficiência, enquanto os outros US$ 1,2 bilhão refletem fatores externos como preços e câmbio. 

Murilo Muller, diretor de Finanças e RI, reforçou que a VBM passa a operar com maior autonomia e capacidade de financiar seu próprio crescimento, tendo terminado 2025 em posição de equilíbrio de fluxo de caixa.

Murilo Muller, diretor de Finanças e RI
Murilo Muller, diretor de Finanças e RI (Foto: Vale Base Metals)

Já Tina Gauthier, diretora comercial, destacou o cenário estrutural de demanda por cobre e níquel, impulsionado pela convergência de sistemas de energia e política industrial. Segundo ela, a eletrificação e a digitalização devem impulsionar um crescimento de cerca de 50% na demanda por cobre até 2040. A executiva ressaltou o posicionamento da VBM como fornecedora estratégica para mercados ocidentais, com um portfólio diversificado e produtos de alta pureza que apresentam menor intensidade de carbono.

Tina Gauthier, Diretora Comercial da Vale Base Metals.
Tina Gauthier, Diretora Comercial da Vale Base Metals (Foto: Vale Base Metals)

Laura Brooks, diretora global de sustentabilidade, enfatizou que a agenda ESG é parte central da competitividade. Brooks detalhou iniciativas de rastreabilidade e certificação, destacando que 92% do cobre e 69% do níquel produzidos já estão no primeiro quartil de intensidade de carbono, e que o licenciamento ambiental é um fator crítico para viabilizar novos projetos de forma responsável.

Laura Brooks, Diretora de Sustentabilidade da Vale Base Metals.
Laura Brooks, Diretora de Sustentabilidade da Vale Base Metals (Foto: Vale Base Metals)

Replicação de melhores práticas e resultados

A consistência operacional foi o tema central da apresentação de Alfredo Santana, diretor de Operações da VBM. “O mais difícil na mineração não é ter um trimestre ou um ano forte. Temos que fazer com que esse desempenho se repita”, enfatizou. Ele destacou como pilares operacionais as estratégias de saúde e segurança; excelência na produção; e eficiência no uso dos recursos. “Na VBM, temos um sistema desenhado para gerar consistência na realização dessa estratégia”, acrescentou.

Alfredo Santana, diretor de Operações da VBM no palco
Alfredo Santana, diretor de Operações da VBM (Foto: Vale Base Metals)

O diretor de operações destacou que esse modelo sistêmico permitiu ganhos simultâneos em diferentes geografias. O projeto Salobo aumentou o desempenho de processamento em 40%, enquanto Sudbury, no Canadá, registrou melhorias similares na mineração, demonstrando que o novo modelo de operação descentralizado está funcionando de forma estrutural. Para 2026, a prioridade operacional é tornar essa performance repetitiva para que o Ebitda da companhia gere cada vez mais credibilidade no mercado.

Chris McCleave, diretor de tecnologia, reforçou que o roadmap para as 700 mil toneladas de cobre é executável e sustentado por rigor técnico, citando o projeto Bacaba, que já apresenta redução de capital 50% maior do que os objetivos iniciais e 23% de conclusão física. A empresa também foca em inovações como a Flotação de Partículas Grossas (CPF), capaz de desbloquear 30 mil toneladas anuais adicionais com baixo investimento.

Christopher McCleave, Diretor Técnico da Vale Base Metals.
Christopher McCleave, Diretor Técnico da Vale Base Metals (Foto: Vale Base Metals)

Análise do mercado e visão dos analistas

O evento foi amplamente reconhecido no mercado financeiro pela clareza da estratégia e melhora na execução.

Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, analistas do Banco Safra, afirmaram que a administração enfatizou como a segregação de ativos permitiu à VBM operar com uma mentalidade focada em metais base, melhorando a entrega e restaurando a credibilidade após uma década de metas não cumpridas. 

“A estratégia polimetálica no Canadá visa diluir custos fixos e melhorar créditos de coprodutos, reduzindo custos all-in sustaining de aproximadamente US$ 25 mil para US$ 17 mil por tonelada, com reduções adicionais direcionadas para alcançar breakeven de fluxo de caixa em níveis de preços conservadores”, destacam os analistas do Safra.

O Itaú BBA avaliou positivamente a visibilidade de expansão. “O Itaú BBA mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações da Vale (VALE3) e projeta preço-alvo de US$ 19,50 para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) para o fim de 2026”, informa a Info Money.

A XP Investimentos reforçou que a Vale Base Metals (VBM) se consolida como um vetor crível de crescimento para os próximos anos, o que ajuda a justificar o recente processo de re-rating (reprecificação) do valuation da Vale. Durante o VBM Day 2026, a instituição destacou o compromisso da companhia com o aumento da produção de cobre e o alcance de retornos marginais superiores, aliados à melhoria da lucratividade das operações atuais.

Entre os pontos centrais, a XP citou o fortalecimento do roteiro (roadmap) para atingir aproximadamente 700 mil toneladas (kt) de cobre e entre 210 e 250 kt de níquel até 2035, contando ainda com diversas opcionalidades de longo prazo, como o depósito de Hu’u. Além disso, foram detalhadas iniciativas de melhoria operacional traduzidas em maior capacidade de processamento (throughput), aumento da disponibilidade das plantas e maior eficiência dos ativos, gerando reduções de custos expressivas em relação a anos anteriores. 

A análise também enfatizou o perfil autofinanciado da unidade, que apresenta uma relação dívida líquida/Ebitda de cerca de 0,4x e uma dívida líquida de aproximadamente US$ 1,2 bilhão. Esse cenário sugere uma pressão limitada sobre o balanço no curto prazo, mesmo com a companhia em plena fase de expansão. 

“Acredita-se que o bom momento do cobre favorece essa trajetória, com a XP projetando um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) entre 7,0% e 7,5% para o ano de 2026, diz o comunicado da gestora de investimentos.

A mídia internacional, incluindo veículos como The Globe and Mail e Financial Post, destacou o foco da VBM no crescimento orgânico em detrimento de fusões ou ofertas públicas imediatas.

Destaques e prioridades da Vale Base Metals

Com base nos resultados apresentados e no planejamento estratégico, os principais marcos da companhia incluem:

Destaques de 2025

  • Superação das metas operacionais de produção em cobre (382 kt) e níquel.
  • Aumento de 6% nas reservas e recursos minerais de cobre, atingindo 53 milhões de toneladas.
  • Crescimento de 13% nas reservas de níquel, totalizando 14 milhões de toneladas.
  • Melhoria de aproximadamente US$ 1,9 bilhão no Ebitda ano a ano, com US$ 800 milhões advindos de ações internas de gestão.
  • Redução de 34% no custo unitário de engenharia e avanço de 23% na conclusão física de Bacaba.

Prioridades para 2026

  • Consolidação da estabilidade e repetibilidade operacional em todo o portfólio.
  • Execução disciplinada de projetos brownfield, com foco em ativos existentes.
  • Dobrar a intensidade de perfuração na região de Carajás, com meta superior a 120.000 metros.
  • Avanço na agenda de sustentabilidade, incluindo a conclusão da conformidade com o padrão global de gestão de rejeitos (GISTM) até maio.
  • Implementação da tecnologia de Flotação de Partículas Grossas (CPF) para expansão de capacidade com baixa intensidade de capital.

Dúvidas mais comuns

A Vale Base Metals (VBM) é uma subsidiária da Vale S.A. voltada para a produção de minerais não ferrosos, especialmente cobre e níquel. A empresa é controlada pela Vale (90% de participação) e pela Manara Minerals Investment Company (10%). A VBM é considerada um dos dois principais 'motores' da Vale, com potencial de responder por 30% a 35% do Ebitda consolidado no longo prazo, aproximando a Vale de outras grandes mineradoras diversificadas globais.

A Vale Base Metals tem como meta principal quase dobrar sua produção de cobre, atingindo 700 mil toneladas anuais até 2035, além de expandir a produção de níquel para entre 210 e 250 mil toneladas. Em 2025, a empresa já demonstrou força ao atingir uma produção recorde de 382 mil toneladas de cobre, superando suas projeções iniciais de 350 a 380 mil toneladas.

A segregação de ativos permitiu à VBM evidenciar um potencial que não estava plenamente capturado, resultando em melhorias significativas. A empresa superou pela primeira vez em mais de dez anos suas próprias projeções de produção de cobre e níquel, e o CEO Shaun Usmar afirmou que a transformação avança entre dois e três anos à frente do cronograma definido em 2024, graças a mudanças na forma de operação e execução de projetos.

A VBM prioriza o crescimento orgânico em vez de aquisições ou abertura de capital, focando em expansão de ativos existentes. A empresa reduziu significativamente a intensidade de capital de US$ 80-100 milhões por milhão de toneladas para US$ 30-50 milhões, alinhando-se aos melhores benchmarks globais. Além disso, a VBM terminou 2025 em posição de equilíbrio de fluxo de caixa, com capacidade de financiar seu próprio crescimento.

A VBM é fornecedora estratégica para mercados ocidentais, com um portfólio diversificado e produtos de alta pureza com menor intensidade de carbono. A demanda por cobre deve crescer cerca de 50% até 2040, impulsionada pela eletrificação e digitalização. Atualmente, 92% do cobre e 69% do níquel produzidos já estão no primeiro quartil de intensidade de carbono, posicionando a empresa como competitiva em sustentabilidade.

A VBM registrou um aumento de aproximadamente US$ 2 bilhões no seu Ebitda em relação a 2024, sendo cerca de US$ 800 milhões provenientes de iniciativas internas de volume e eficiência, e US$ 1,2 bilhão de fatores externos como preços e câmbio. A empresa também aumentou suas reservas de cobre em 6% (atingindo 53 milhões de toneladas) e suas reservas de níquel em 13% (totalizando 14 milhões de toneladas).

A VBM implementou um sistema desenhado para gerar consistência operacional, com pilares em saúde e segurança, excelência na produção e eficiência no uso de recursos. O modelo sistêmico descentralizado permitiu ganhos simultâneos em diferentes geografias: o projeto Salobo aumentou o desempenho de processamento em 40%, enquanto Sudbury registrou melhorias similares na mineração, demonstrando a efetividade da nova estrutura operacional.

A VBM está focando em inovações como a Flotação de Partículas Grossas (CPF), capaz de desbloquear 30 mil toneladas anuais adicionais de cobre com baixo investimento. O projeto Bacaba já apresenta redução de capital 50% maior do que os objetivos iniciais e 23% de conclusão física. Para 2026, a empresa planeja dobrar a intensidade de perfuração na região de Carajás, com meta superior a 120 mil metros.