Uma grande instalação industrial de mineração, com edifícios e maquinário de cor verde, está situada entre colinas e montanhas cobertas de mata, sob um céu parcialmente nublado. Estradas de terra e pilhas de terra são visíveis ao redor do local.
Mina de Germano, da Samarco. Crédito: Divulgação Samarco

Samarco recupera volume de vendas, mas tem prejuízo líquido de US$ 328,5 mi no trimestre

Com produção estável e avanço na Fase 3, mineradora reduz prejuízo contábil anualizado, enquanto obrigações de reparação continuam a impactar o resultado líquido

Por Redação, com Estadão Conteúdo, 2 min de leitura

Publicado em 14/08/2026

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A Samarco divulgou nesta sexta-feira (14) os seus resultados operacionais e financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026 (2Q26). O período foi marcado pela recuperação nas vendas de pellet e concentrado de minério de ferro e pela estabilidade na produção, consolidando o nível operacional alcançado após a conclusão da Fase 2 de sua retomada. No ambiente externo, a mineradora enfrentou volatilidade geopolítica e custos de frete mais elevados, mantendo a geração positiva de caixa operacional e a disciplina financeira.

Desempenho Operacional e Operações Financeiras

A receita líquida da joint venture pertencente à Vale e à BHP somou US$ 469,7 milhões no trimestre — avanço de 16% na comparação com o primeiro trimestre de 2026 (US$ 404,9 milhões) e em linha com os US$ 469,9 milhões registrados no mesmo período de 2025 (-0,04%).

As vendas de produtos alcançaram 3,9 milhões de toneladas entre abril e junho, alta de 23% em relação ao trimestre anterior, superando a sazonalidade vista no início do ano. Frente ao segundo trimestre do ano passado, as vendas registraram leve variação de -1%.

O Ebitda ajustado da companhia atingiu US$ 234,7 milhões no 2Q26, um crescimento de 22% frente ao 1Q26. Em relação ao mesmo período de 2025, houve queda de 18%, explicada principalmente por custos operacionais mais elevados na cadeia global de suprimentos e pelo aumento nos valores de frete marítimo decorrente das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Resultado Contábil e Passivos Ambientais
No resultado líquido final, a Samarco reportou um prejuízo líquido de US$ 328,5 milhões no trimestre. Embora permaneça no terreno negativo, o indicador demonstra uma expressiva redução das perdas contábeis quando comparado ao prejuízo de US$ 1,69 bilhão registrado no 2Q25 (redução de 80,6%) e ao prejuízo de US$ 1,12 bilhão apurado no 1Q26 (redução de 70,7%).

Segundo a mineradora, a linha do resultado líquido continua sendo fortemente impactada pelas despesas do resultado financeiro e pelas atualizações monetárias relativas às obrigações do acordo de reparação socioambiental de Mariana, além das variações cambiais sobre seus passivos financeiros.

Fase 3 e Compromissos Socioambientais
Paralelamente à produção, a Samarco manteve a execução de seu plano estratégico de expansão da capacidade produtiva. O projeto da Fase 3 segue dentro do planejamento: a engenharia detalhada foi concluída, as licenças necessárias foram obtidas e as obras de construção estão avançando conforme os marcos contratuais.

No campo socioambiental e de governança (ESG), a empresa destacou o cumprimento do Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos (GISTM) e o registro de zero fatalidades nas operações. Quanto às obrigações de reparação do Rio Doce, a mineradora ressaltou que todos os aportes financeiros do primeiro semestre continuam sendo integralmente custeados pelos seus acionistas (Vale e BHP), assegurando o fluxo dos programas de reassentamento e restauração ambiental.