Esteira sensorial de minérios fazendo a filtragem em um ambiente de produção e separação de minerais.
Foto: Velem / Adobe Stock

Separação por sensores eleva eficiência e sustentabilidade na mineração

Inovação permite classificar minérios no início do processo, reduzindo custos, consumo de recursos e valorizando reservas antes consideradas inviáveis

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 02/09/2025

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Em meio às transformações tecnológicas que moldam o futuro da mineração, a separação por sensores surge como uma das frentes mais promissoras. A tecnologia, que permite identificar e classificar minérios logo após a extração — antes mesmo das etapas de moagem e flotação —, foi o tema central de um debate técnico promovido pela revista Minérios & Minerais em seu  13º Workshop Opex, com a participação da Steinert, uma das líderes globais no desenvolvimento desses equipamentos.

Matheus Chianca, gerente de Vendas da Steinert, explicou que, embora a separação magnética seja uma tecnologia consolidada, a solução por sensores está ganhando tração agora, com aplicações de sucesso no Brasil e em outros países da América do Sul.

Segundo ele, a grande vantagem está em separar o material de interesse logo no início da linha de produção. “Com sensores de cor, laser 3D, indução, infravermelho e raios X, conseguimos classificar o minério ainda em estágio bruto. Isso evita que material de baixo valor seja transportado, moído e processado, gerando economia de energia, água e reagentes químicos”, detalhou Chianca.

Processos mais limpos e agregação de valor

A capacidade da tecnologia de tornar a mineração mais limpa e eficiente também tem sido destaque em importantes eventos do setor. Priscila Esteves, head de Aplicação e Laboratório da Steinert, reforça que um dos maiores ganhos é a remoção da ganga (material sem valor) em sua forma mais grosseira. “Isso reduz a geração de rejeitos finos e diminui drasticamente o consumo de água e energia, representando uma mudança significativa para as operações”, explicou.

Além do benefício ambiental, a tecnologia permite valorizar reservas antes descartadas. “Materiais de baixo teor, que antes não tinham viabilidade econômica, agora podem ser aproveitados. Também conseguimos ajustar o teor de produtos mais grosseiros, como o granulado, simplificando as rotas de processo e agregando ganhos financeiros importantes”, completou Esteves, ressaltando que esses resultados alinham as operações às metas de sustentabilidade exigidas pelo mercado.

Ela destacou ainda que a aplicação da tecnologia permite valorizar reservas antes descartadas. “É possível dar aproveitamento econômico a materiais de baixo teor que antes não tinham valor. Além disso, conseguimos ajustar o teor de materiais mais grosseiros, como o granulado, simplificando rotas de processo e agregando ganhos financeiros importantes”, completou.

A nova fronteira da separação mineral

Foto: Creativevikas / Shutterstock

A evolução da tecnologia é contínua. Em seu centro de pesquisa e desenvolvimento na Alemanha, a Steinert tem expandido as aplicações dos sensores para novos desafios, incluindo o minério de ferro. Hoje, os sistemas podem ser programados para atuar desde a pré-concentração até as etapas finais de beneficiamento, oferecendo flexibilidade para diferentes tipos de minério e demandas.

Camila Senna, do departamento de Vendas da empresa, reforça o papel estratégico da inovação. “Não podemos prescindir da mineração, mas temos como torná-la mais sustentável. O uso de sensores reduz emissões de CO₂, pode eliminar o consumo de água no processo e gera ganhos econômicos significativos. É uma forma concreta de minimizar os impactos da atividade”, observou.

O potencial da tecnologia já é comprovado em escala comercial. Em Vazante (MG), a Nexa instalou sistemas de separação por sensores para processar material marginal, registrando ganhos de aproveitamento que antes seriam inviáveis. Segundo a empresa, o próximo passo será integrar a tecnologia de forma online a toda a linha de produção, apostando na sua eficácia e escalabilidade.