- O setor mineral brasileiro projeta US$ 68,4 bilhões em investimentos até 2029, com crescimento de 6,6% em relação ao ciclo anterior, liderado por minério de ferro e minerais críticos.
- Minério de ferro concentra US$ 19,6 bilhões dos investimentos, enquanto minerais críticos como lítio, níquel e cobre somam US$ 18,45 bilhões, refletindo a demanda global por insumos da transição energética.
- Minas Gerais lidera geograficamente com US$ 16,5 bilhões (24,1% do total), enquanto investimentos socioambientais de US$ 11,33 bilhões demonstram compromisso com sustentabilidade no setor.
O setor mineral brasileiro projeta um volume de investimentos de US$ 68,4 bilhões entre 2025 e 2029, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O valor representa um acréscimo de US$ 4 bilhões em relação ao ciclo anterior (2024–2028), o que equivale a um crescimento de 6,6%.
A distribuição dos recursos evidencia a prioridade estratégica do país em consolidar sua posição como fornecedor global de insumos essenciais à transição energética. O minério de ferro lidera os aportes com US$ 19,6 bilhões, seguido pelos minerais críticos, que somam US$ 18,45 bilhões, incluindo cobre, níquel, lítio, nióbio, grafita e terras-raras.
A Vale, maior mineradora do país, planeja investir US$ 5,9 bilhões em 2025, dos quais US$ 3,9 bilhões serão destinados ao minério de ferro e US$ 2 bilhões aos metais voltados à transição energética. A Anglo American, por sua vez, está investindo cerca de R$ 5 bilhões em uma unidade de filtragem no Sistema Minas-Rio, com previsão de operação até 2026. O projeto visa reduzir em 85% o lançamento de rejeitos em barragens, ampliando a vida útil da estrutura e reforçando o compromisso ambiental da companhia.
A distribuição geográfica dos investimentos também revela tendências importantes. Minas Gerais lidera com US$ 16,5 bilhões, o equivalente a 24,1% do total, com destaque para o lítio, cuja demanda global deve crescer mais de 80% até 2040. O estado é seguido por Pará (US$ 13,48 bilhões) e Bahia (US$ 8,99 bilhões). No primeiro trimestre de 2025, Minas Gerais respondeu por 40% do faturamento do setor, com R$ 29,8 bilhões, enquanto o setor como um todo faturou R$ 73,8 bilhões, um crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024.
Os investimentos socioambientais somam US$ 11,33 bilhões, representando 16,6% do total previsto. As ações incluem substituição de combustíveis fósseis, uso de energia elétrica em minas, reaproveitamento de água e empilhamento a seco de rejeitos. Já os investimentos em logística estão estimados em US$ 10,9 bilhões, com foco em infraestrutura de transporte e escoamento da produção.

No primeiro semestre de 2025, o setor mineral brasileiro faturou R$ 139,2 bilhões, com 52,8% provenientes do minério de ferro. Foram exportadas 192,5 milhões de toneladas, das quais 68,1% foram destinadas à China, principal parceira comercial do Brasil nesse segmento. Apesar da queda de 13% no valor das exportações, atribuída à desvalorização do minério de ferro, o volume exportado cresceu 0,3% em relação ao ano anterior.
A crescente demanda por minerais críticos é impulsionada pela transição energética global. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda por cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras deve aumentar mais de 80% até 2040. O Brasil ocupa posições estratégicas nos rankings mundiais: é o 5º maior produtor de lítio, 3º em reservas de níquel, 1º em nióbio e 4º em grafita, o que reforça seu papel como fornecedor chave para tecnologias limpas.
Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios como a volatilidade da economia chinesa, as tarifas impostas pelos Estados Unidos e a necessidade de diversificação de mercados. Especialistas da EY e da KPMG apontam que o apetite por investimentos está mais seletivo, com foco em projetos resilientes e alinhados às exigências ambientais e geopolíticas.