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Grupo de participantes na conferência COP30, evento global sobre mudanças climáticas
Créditos: Viviane Kulczynski

Setor privado entrega 800 soluções climáticas e debate regulação com governo em Belém

Liderado por coalizões que envolvem também o setor mineral, movimento empresarial apresenta caminhos maduros para a descarbonização e agenda reunião com a presidência para destravar a implementação de projetos em maior escala

Por Viviane Kulczynski *, 4 min de leitura

Publicado em 19/11/2025

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Em um movimento estratégico para posicionar o Brasil não apenas como um demandante de recursos, mas como um provedor de tecnologias para a transição global, lideranças do setor privado brasileiro entregaram formalmente à presidência da COP30 o documento “Brasil, país de soluções climáticas para o clima, natureza e pessoas”.

A entrega simbólica foi feita pela economista Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), para Ana Toni, diretora executiva da COP30 e ex-secretária nacional de Mudança do Clima. Grossi celebrou o momento como um passo crucial para a implementação de ações concretas. Esses cases, colisões, coletivos, tudo isso é para que a gente tenha uma voz única. Minha tarefa é pegar alguns cases que a gente trabalhe mais minuciosamente para que alterem todo o ecossistema. Que sejam, de fato, alavancas”, declarou ela, elogiando o entusiasmo e a abertura do setor empresarial.

O evento simboliza uma virada de chave na conferência: o foco sai da negociação diplomática de “palavrinhas” que possam estar em documentos finais para a implementação prática de projetos industriais e ambientais.

O “Brasil, país de soluções climáticas” é fruto da união de três grandes forças empresariais: o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), a Sustainable Business COP (SB COP) — coletivo liderado por Ricardo Mussa com a função de ser o “B20” da COP — e a iniciativa C.A.S.E. (Corporações pela Ação Climática). Este último grupo reúne gigantes de setores críticos, incluindo a Vale, além de Bradesco, Itaú, Itaúsa, Marcopolo, Natura e Nestlé.

De pilotos à escala industrial

Patricia Feliciano apresentando destaque em evento COP30 focando em iniciativas de economia circular, agricultura, energia e infraestrutura.
Patricia Feliciano / Créditos: Viviane Kulczynski

O levantamento, compilado pela consultoria Accenture, mapeou mais de 800 soluções em cinco continentes, filtrando 110 iniciativas consideradas de “alto grau de maturidade e impacto”. Segundo Patrícia Feliciano, da Accenture, trata-se de “soluções robustas, com impacto ambiental e social, e que têm uma relevância importante em toda a cadeia produtiva do país”.

Para o setor mineral e industrial, a fase de testes acabou. Filipe Bottini, também da consultoria, enfatizou que o foco não está em estágios iniciais, mas em projetos que “já são viáveis, que já se sustentam”. As soluções abrangem temas transversais cruciais para a mineração, como biocombustíveis, restauração florestal e agricultura regenerativa — áreas onde várias das empresas já têm projetos de recuperação de áreas degradadas e descarbonização logística.

O gargalo regulatório e o diálogo com Lula

Apesar da maturidade tecnológica, o setor privado alerta que a escala depende de destravar a regulação. Durante as discussões, lideranças apontaram que “a gente já sabe que essas soluções existem, a gente tem agora de partir para o que está faltando para elas serem escaladas” .

O gargalo atual reside na interface com o governo. “Como é que conversa com quem faz regulamentação, quem é que faz as regulamentações de comércio, para a gente dar um passo além?”, questionou uma liderança do setor durante o evento.

Para endereçar essas travas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou uma reunião exclusiva com um pequeno grupo de representantes do setor privado, a ser realizada na tarde desta quarta-feira (19), incluindo as empresas da coalizão, para entender o papel empresarial na agenda. A intenção é mostrar ao presidente que a implementação depende de um alinhamento fino entre política pública e capital privado.

“Show de profissionalismo”

Ana Toni participa na COP30 apresentando soluções sustentáveis para acelerar a agenda do clima.
Ana Toni / Créditos: Viviane Kulczynski

Ana Toni recebeu o documento e elogiou a resposta das empresas. “Tínhamos três grandes objetivos: reforçar o multilateralismo, falar com as pessoas e trabalhar pela implementação. E o setor privado apareceu, deu show de profissionalismo e soluções concretas”, afirmou Toni.

Ela reforçou que a ambição da presidência da COP é transformar exceções em regras. “A gente não quer, daqui a alguns anos, olhar para a agricultura regenerativa, os biocombustíveis e a restauração florestal apenas como cases, mas como o novo normal”, disse Toni.

Balanço e próximos passos

O movimento empresarial visa a garantir que o legado da COP30 se estenda ainda por 2026, consolidando o Brasil como hub de economia verde e reforçando os compromissos com implementação, palavrinha-chave desta 30ª Conferência. Ana Toni também fez um balanço prévio do evento, rebatendo o ceticismo inicial sobre a realização da COP30 em Belém e a instabilidade geopolítica. “Havia questões sobre a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Mas, no fim, nenhum outro país anunciou a saída. Temos representantes oficiais de 195 nações”, destacou, celebrando a apresentação de 118 NDCs (metas climáticas nacionais).

Para a mineração, que opera em prazos longos e sob intensa pressão por licenciamento e conformidade, a mensagem final do encontro é de pragmatismo. As soluções técnicas existem, o capital está mobilizado, mas a velocidade da implementação agora depende de Brasília e das regras do comércio global.

** Enviada especial à COP30 | Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

É um documento formal entregue pelo setor privado brasileiro à presidência da COP30 que apresenta mais de 800 soluções climáticas mapeadas em cinco continentes, com foco em 110 iniciativas de alto grau de maturidade e impacto. O documento é fruto da união de três grandes forças empresariais: o Cebds, a Sustainable Business COP (SB COP) e a iniciativa C.A.S.E., reunindo empresas como Vale, Bradesco, Itaú, Natura e Nestlé. O objetivo é posicionar o Brasil não apenas como demandante de recursos, mas como provedor de tecnologias para a transição climática global.

As soluções abrangem temas transversais cruciais para a mineração e indústria, incluindo biocombustíveis, restauração florestal e agricultura regenerativa. Todas as 110 iniciativas selecionadas são robustas, com impacto ambiental e social comprovado, e já se sustentam economicamente. Muitas das empresas já têm projetos de recuperação de áreas degradadas e descarbonização logística em andamento, representando soluções viáveis e não apenas em estágios iniciais de desenvolvimento.

O gargalo atual reside na interface com o governo e na regulação. Apesar da maturidade tecnológica das soluções, o setor privado alerta que a escala depende de destravar questões regulatórias, incluindo regulamentações de comércio e políticas públicas. Por isso, o presidente Lula solicitou uma reunião exclusiva com representantes do setor privado para alinhar a implementação entre política pública e capital privado.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) é uma das três grandes forças empresariais que se uniram para apresentar as soluções climáticas na COP30. Liderado pela economista Marina Grossi, o Cebds trabalha para dar uma voz única ao setor privado e identificar cases que funcionem como alavancas para transformar todo o ecossistema de sustentabilidade no Brasil.

O Brasil tem a missão de reduzir o desmatamento da floresta Amazônica e buscar fontes mais sustentáveis para a geração de energia. Na COP30, o país apresentou 118 NDCs (metas climáticas nacionais) e mobilizou o setor privado para demonstrar soluções concretas e viáveis. A ambição é transformar exceções em regras, tornando a agricultura regenerativa, os biocombustíveis e a restauração florestal o novo normal, consolidando o Brasil como hub de economia verde.

As 800 soluções mapeadas pela Accenture foram filtradas para 110 iniciativas de alto grau de maturidade e impacto, que já são viáveis e se sustentam economicamente. Diferentemente de projetos piloto ou em estágios iniciais, essas soluções já demonstraram impacto ambiental e social comprovado e têm relevância importante em toda a cadeia produtiva do país, estando prontas para escalabilidade.

O movimento empresarial visa consolidar o Brasil como hub de economia verde e reforçar os compromissos com implementação além da conferência. A intenção é que o legado da COP30 se estenda até 2026, transformando as soluções climáticas apresentadas em práticas normalizadas e sustentáveis. Isso requer um alinhamento fino entre política pública, regulação e capital privado para garantir a viabilidade econômica e ambiental das iniciativas.

Os principais atores incluem empresas de setores críticos como Vale, Bradesco, Itaú, Itaúsa, Marcopolo, Natura e Nestlé, reunidas na iniciativa C.A.S.E. (Corporações pela Ação Climática). Essas empresas trabalham em conjunto com o Cebds e a Sustainable Business COP (SB COP), liderada por Ricardo Mussa, que funciona como o 'B20' da COP, representando os interesses empresariais nas negociações climáticas globais.