O Serviço Geológico do Brasil (SGB) firmou uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para mapear minerais críticos no país, com investimento de US$ 890 mil ao longo de três anos. O projeto tem como foco ampliar o conhecimento geológico sobre insumos considerados estratégicos para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.
O acordo integra o projeto de cooperação técnica internacional BR-T1690, financiado com recursos do Fundo Especial do Japão, que deverá se estender por 36 meses (com data inicial de março de 2026). A iniciativa prevê a geração de dados geológicos em regiões com potencial mineral relevante, especialmente nos estados de Minas Gerais e Bahia.
Frentes de pesquisa e áreas prioritárias
Os recursos serão aplicados em quatro frentes principais. Entre elas estão estudos eletromagnéticos na Província Grafítica Minas-Bahia, levantamento geoquímico de elementos de terras raras na Bahia e prospecção de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O projeto também inclui ações voltadas ao fortalecimento institucional do SGB, com foco em governança e capacitação técnica.
Segundo o órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME), os dados produzidos serão disponibilizados em plataformas abertas, como sistemas geológicos e repositórios institucionais. A proposta é ampliar o acesso à informação para empresas, pesquisadores e investidores, reduzindo incertezas associadas à exploração mineral.
Mapeamento de minerais críticos contribui com cadeia produtiva

Os chamados minerais críticos são insumos considerados essenciais para cadeias industriais ligadas à economia de baixo carbono. Entre suas aplicações estão baterias, equipamentos de energia renovável, mobilidade elétrica e tecnologias digitais.
A demanda global por esses minerais tem crescido em função da eletrificação e da expansão de fontes renováveis. Elementos como lítio e terras raras, incluídos no escopo do projeto, são utilizados na fabricação de baterias, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos.
Nesse contexto, o mapeamento geológico é uma etapa inicial para identificar reservas, orientar políticas públicas e atrair investimentos privados. Ao gerar dados de caráter público, o projeto busca criar condições para o desenvolvimento de novas frentes de exploração mineral no país.
Brasil tem papel de destaque no cenário internacional
A parceria com o BID ocorre em um momento de maior competição global por minerais estratégicos. Países e blocos econômicos têm adotado políticas para garantir o fornecimento desses insumos, considerados essenciais para segurança energética e industrial.
O Brasil é apontado como uma das regiões com potencial relevante, especialmente em minerais associados à transição energética. Iniciativas de mapeamento e caracterização mineral, como a conduzida pelo SGB, são determinantes para posicionar o país em cadeias globais de fornecimento.
Além disso, acordos de cooperação internacional têm sido utilizados para compartilhar conhecimento técnico e financiar estudos geológicos. Projetos anteriores do SGB também indicam uma agenda voltada à caracterização de oferta e demanda de minerais críticos e ao desenvolvimento de tecnologias para seu aproveitamento.
De acordo com o SGB, a expectativa é de que o projeto contribua para ampliar a base de dados sobre o potencial mineral brasileiro e apoiar decisões de investimento no setor. O acesso público às informações pode reduzir riscos exploratórios e aumentar a previsibilidade para empresas interessadas em operar no país.
Ao mesmo tempo, a iniciativa se insere em uma estratégia mais ampla de integração do Brasil às cadeias produtivas ligadas à transição energética, com foco na produção e no fornecimento de matérias-primas consideradas estratégicas para a indústria global.