Vice presidente executivo Técnico da Valle, Rafael Bittar, participa de painel no Web Summit
Vice presidente executivo Técnico da Valle, Rafael Bittar, participa de painel no Web Summit (Divulgação Web Summit)

Tecnologia e minerais críticos sustentam transição energética, diz Vale

Adoção de inteligência artificial, automação e oferta de insumos de alta pureza fundamentam estratégia de descarbonização da companhia

Por Roberto Francellino, 4 min de leitura

Publicado em 10/06/2026

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Os minerais críticos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas de precisão são as bases para viabilizar a transição energética global, a inovação tecnológica e a infraestrutura industrial de baixo carbono. A afirmação foi feita pelo vice-presidente Técnico da Vale, Rafael Bittar, durante o painel “Da Terra à exploração espacial: como a mineração molda as tecnologias da próxima era”, realizado na quarta-feira (10/6) no Web Summit Rio 2026. O executivo detalhou as metas de descarbonização da companhia, os investimentos em inteligência artificial (IA) e a centralidade de minerais como cobre e níquel para a eletrificação e o avanço tecnológico.

Bittar afirmou que a empresa executa um plano para duplicar a produção de cobre no Brasil. Segundo o executivo, a demanda para o cobre deve ser robusta para os próximos anos. A previsão é de que isso resulte em escalada nos preços, uma vez que o mineral é fundamental para a transição energética, estando presente na fabricação de veículos elétricos, usinas eólicas e painéis solares.

A empresa atua ainda como a maior produtora de níquel do Ocidente, posição apontada como estratégica para garantir a segurança do suprimento de cadeias globais. Em relação ao lítio, Bittar destaca o minério como “essencial para as baterias” e afirma que a empresa está atenta à demanda por esse mineral crítico, estudando o mercado, embora ainda não tenha planos concretos de produção.

Sobre investimentos no Oriente Médio, Bittar afirmou que a empresa segue avaliando planos de criar mega hubs para mistura e venda de minério. Mesmo com a instabilidade política global e os acontecimentos recentes na região, a companhia continua apostando na criação dessas estruturas logísticas para ter uma cadeia de distribuição flexível e bem posicionada globalmente.

Minério de ferro como essencial para descarbonização siderúrgica

O executivo também reforçou o minério de ferro como estratégico e uma oportunidade relevante para a empresa, principalmente pelo seu papel na descarbonização da indústria siderúrgica. Essa frente depende do fornecimento de minério de ferro de alta pureza, com teor acima de 65%. Atualmente, 90% das emissões da cadeia do aço não vêm da mineração em si, mas do processo de produção do aço pelos clientes.

Segundo Bittar, a companhia está bem posicionada globalmente em minério de ferro, tendo retomado no ano passado a posição de maior produtora do mundo, garantindo escala e qualidade. A expectativa é de que, com o avanço acelerado da transição energética — especialmente puxada por países como a China, visando à segurança energética —, o minério de alta qualidade seja reprecificado pelo mercado, passando a receber prêmios maiores por apresentar menores níveis de emissão na produção.

O principal concorrente da Vale em minério de ferro é a Austrália, que fica geograficamente ao lado da China, o maior cliente. Por isso, a empresa precisou inovar e criar uma cadeia de distribuição sofisticada, utilizando navios de 400 mil toneladas para fazer o transporte global de forma competitiva.

Nessa equação está ainda a mineração circular. Como parte das iniciativas de sustentabilidade, a empresa produziu recentemente 26 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de fontes circulares, uma inovação que gerou economia de emissões equivalente a tirar 20 mil carros das ruas.

No âmbito operacional interno, a empresa atingiu o índice de 100% de consumo de energia renovável para o Escopo 2 no Brasil. Para reduzir o consumo de diesel na frota rodoviária, estão sendo testados motores dual-fuel que operam simultaneamente com etanol e diesel. Na logística marítima, os novos navios da classe Guaibamax serão equipados com sistemas multicombustível, o que permite flexibilidade econômica e redução de emissões no transporte de longo curso até a Ásia.

Levando em conta os Escopos 1 e 2, a companhia mantém o objetivo de reduzir em 50% suas emissões até 2030, além de atingir o net-zero até 2050. De acordo com o executivo, o cumprimento dessas metas está atrelado a um orçamento anual de US$ 700 milhões destinado a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI). Desse montante, um terço é direcionado para tecnologias de IA e automação, enquanto 25% financiam projetos de descarbonização e novos combustíveis.

Soluções tecnológicas para aumentar a produtividade

Bittar destacou que o uso da inteligência artificial é considerado um “caminho sem volta” na companhia. O primeiro projeto da empresa nessa área começou em 2017 e, atualmente, há entre 70 e 80 projetos de IA em andamento, a grande maioria voltada para eficiência operacional.

O executivo detalhou o uso prático da IA em quatro frentes principais: otimização de caminhões, frota autônoma, eficiência em ferrovias e operações logísticas. Na primeira frente, a empresa utiliza IA para monitorar detalhadamente a performance de caminhões de 400 toneladas. O sistema cruza dados do trajeto e da aceleração para identificar em quais pontos o veículo desperdiça mais combustível e, a partir disso, emite recomendações diretas ao operador sobre a velocidade ideal em determinados trechos.

No que se refere à frota autônoma, a IA envia os comandos diretamente para o veículo. Esse nível de automação gera uma produtividade de 20% a 25% superior à dos caminhões tripulados, reduzindo simultaneamente a exposição humana a riscos e o consumo de pneus e combustível.

Já nas operações ferroviárias, a IA é empregada para entender o relevo do terreno e mapear os pontos exatos onde o trem deve frear ou usar melhor a potência do motor. Apenas no ano passado, o uso dessa tecnologia gerou uma economia de 11 milhões de litros de diesel, o que equivale à economia de 250 mil carros.

Na logística naval, a companhia possui uma IA dedicada a monitorar sua frota global de navios para reduzir os tempos de espera das embarcações. Como um navio parado aguardando operação continua gerando custos e consumindo combustível, a tecnologia é usada para otimizar essa logística e melhorar a performance.

A segurança do trabalho nas operações industriais foi associada ao avanço da teleoperação de equipamentos de grande porte. Bittar citou o exemplo de intervenções em minas localizadas a 200 quilômetros de distância do centro de controle centralizado em Belo Horizonte (MG). A transferência de operadores humanos de áreas de risco para ambientes de escritório foi apontada como prioridade técnica.

Dúvidas mais comuns

Os minerais críticos fundamentais para a transição energética incluem cobre, níquel e lítio. O cobre é essencial para a fabricação de veículos elétricos, usinas eólicas e painéis solares. O níquel é estratégico para garantir a segurança do suprimento de cadeias globais, sendo a Vale a maior produtora do Ocidente. O lítio é essencial para as baterias, embora a Vale ainda esteja estudando o mercado para possível produção futura.

A Vale possui entre 70 e 80 projetos de IA em andamento, com a maioria voltada para eficiência operacional. A IA é aplicada em quatro frentes principais: otimização de caminhões através do monitoramento de performance e recomendações de velocidade; frota autônoma que aumenta a produtividade em 20% a 25%; operações ferroviárias para otimizar frenagem e potência do motor; e logística naval para reduzir tempos de espera das embarcações e consumo de combustível.

O minério de ferro é estratégico para a descarbonização siderúrgica, especialmente quando fornecido com alta pureza (teor acima de 65%). Atualmente, 90% das emissões da cadeia do aço vêm do processo de produção pelos clientes, não da mineração em si. A Vale, como maior produtora mundial de minério de ferro, está bem posicionada para fornecer minério de alta qualidade que gera menores níveis de emissão, esperando que o mercado reprecifique esses produtos com prêmios maiores.

A Vale mantém o objetivo de reduzir em 50% suas emissões (Escopos 1 e 2) até 2030 e atingir o net-zero até 2050. A companhia investe anualmente US$ 700 milhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, sendo um terço direcionado para tecnologias de IA e automação, e 25% para projetos de descarbonização e novos combustíveis. Além disso, a empresa atingiu 100% de consumo de energia renovável para o Escopo 2 no Brasil.

A mineração circular é uma iniciativa de sustentabilidade que permite produzir minério de ferro a partir de fontes circulares. Recentemente, a Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro dessa forma, gerando economia de emissões equivalente a tirar 20 mil carros das ruas. Essa inovação demonstra como a reutilização de materiais pode reduzir significativamente o impacto ambiental da operação de mineração.

A Vale executa um plano para duplicar a produção de cobre no Brasil, respondendo à demanda robusta esperada para os próximos anos. O cobre é fundamental para a transição energética, estando presente em veículos elétricos, usinas eólicas e painéis solares. A previsão é de que essa maior oferta resulte em escalada nos preços do mineral, refletindo sua importância estratégica.

A Vale está implementando a teleoperação de equipamentos de grande porte para aumentar a segurança do trabalho. Um exemplo prático é a intervenção em minas localizadas a 200 quilômetros de distância, controladas por um centro de controle centralizado em Belo Horizonte. A transferência de operadores humanos de áreas de risco para ambientes de escritório é considerada uma prioridade técnica, reduzindo a exposição a perigos.

A Vale está testando motores dual-fuel que operam simultaneamente com etanol e diesel para reduzir o consumo de diesel na frota rodoviária. Na logística marítima, os novos navios da classe Guaibamax serão equipados com sistemas multicombustível, permitindo flexibilidade econômica e redução de emissões no transporte de longo curso até a Ásia. Essas inovações complementam o uso de navios de 400 mil toneladas para transporte global competitivo.