Mineração com caminhões em uma mina ao ar livre e, ao lado, visualização de gêmeos digitais com mapas, rotas e dados de monitoramento em tempo real por IA e sensores IoT.
Mineração com caminhões em uma mina ao ar livre e, ao lado, visualização de gêmeos digitais com mapas (Imagem gerada digitalmente)

Novas tecnologias elevam eficiência energética na mineração global

De machine learning a redes híbridas de energia, setor avança na digitalização para reduzir consumo e emissões

Por Nelson Valencio, 2 min de leitura

Publicado em 22/06/2026

Baixar PDF Copiar link

A extração de minérios responde por cerca de 10% do consumo total da energia industrial global, e as etapas de britagem e moagem chegam a representar entre 50% e 60% do uso total de energia em uma mina. Os dados são do estudo dos departamentos de engenharia elétrica e de engenharia de minas da Botswana International University of Science and Technology.

O levantamento mostra que o setor passa por uma mudança importante, ao abandonar abordagens reativas do passado para adotar a digitalização e a cultura orientada por dados.

Tecnologias em prol da eficiência energética

Tela de tablet sendo usada por mãos com sistema de monitoramento de microrrede e dados de infraestrutura energética, com mapas, gráficos e indicadores em painéis de controle.
Monitoramento inteligente de operações de mineração em tempo real. (Imagem gerada digitalmente)

Na prática, isso significa o uso integrado de tecnologias como aprendizado de máquina, inteligência artificial, gêmeos digitais e microrredes de energia híbrida, entre outras. Os recursos são aplicados para aumentar a eficiência energética das operações minerais.

Na frota, essas tecnologias são utilizadas para a manutenção preditiva, que usa dados históricos para antecipar problemas. É o caso de algoritmos modernos que analisam dados contínuos de sensores da internet das coisas (IoT), identificando vibrações e comportamentos anormais nas máquinas, de forma a antecipar paralisações.

Isso é importante porque, quando equipamentos falham repentinamente, o tempo de inatividade e os arranques pesados para retomá-los geram grandes desperdícios energéticos.

Casos de sucesso do Brasil à África do Sul

O uso de novas tecnologias tem exemplos reais em vários países mineradores. Um deles envolve os modelos de redes de memória de longo e curto prazo (LSTM), um tipo de arquitetura de rede neural, aplicados em minas de minério de ferro no Brasil.

Nesse caso, o uso da LSTM foi feito com a meta de prever, com antecipação média de duas semanas, anomalias em moinhos de minério. A tecnologia conseguiu uma redução de 18% no tempo de inatividade dos equipamentos e um corte de 10% nos custos gerais de energia.

Na avaliação dos pesquisadores, as redes LSTM são excepcionais no tratamento de séries temporais e evitam o superconsumo de energia ao prever picos de carga com extrema precisão.

Outra aplicação envolve o aprendizado por reforço (RL, da sigla reinforcement learning), adotado em uma mina australiana para gerir dinamicamente a ventilação subterrânea. Isto é feito com base em níveis de temperatura e ocupação, poupando 20% do consumo elétrico convencional.

No Canadá, uma mineradora adotou a combinação de recursos de gradient boosted trees (GBT) e support vector regression (SVR), dois algoritmos de aprendizado de máquina utilizados para prever valores numéricos contínuos, como o faturamento de uma empresa.

Nessa aplicação, os sistemas GBT analisaram a resistência do minério e reduziram as velocidades da máquina durante os horários de pico, o que proporcionou redução de 15% no consumo de eletricidade de um moinho. 

Já o SVR auxiliou no processo ao prever picos complexos de energia com precisão de até 95%, equilibrando o processamento em tempo real.

Um quarto caso real envolve uma operação na África do Sul, onde a aplicação de redes bayesianas para monitorar motores diminuiu quebras inesperadas em 21%. Isto teve efeito direto no consumo de energia, que foi reduzido em 9%.

Dúvidas mais comuns

A extração de minérios responde por cerca de 10% do consumo total de energia industrial global. As etapas de britagem e moagem são particularmente intensivas em energia, representando entre 50% e 60% do uso total de energia em uma mina. Essa alta demanda energética torna a eficiência um fator crítico para a sustentabilidade e rentabilidade das operações minerais.

Eficiência energética visa fazer mais com menos, representando uma saída sustentável tanto em termos ambientais quanto econômicos. Na mineração, ela permite mensurar e reduzir gastos desnecessários enquanto aproveita o potencial energético dos recursos da melhor forma possível, reduzindo custos operacionais e a pegada de carbono das operações.

As principais tecnologias incluem aprendizado de máquina, inteligência artificial, gêmeos digitais e microrredes de energia híbrida. Essas tecnologias são integradas para aumentar a eficiência energética das operações minerais, com aplicações específicas em manutenção preditiva, monitoramento em tempo real e otimização de consumo de energia.

A manutenção preditiva utiliza dados históricos e análise contínua de sensores da Internet das Coisas (IoT) para antecipar problemas nas máquinas, identificando vibrações e comportamentos anormais. Isso é crucial porque falhas repentinas de equipamentos geram grandes desperdícios energéticos devido ao tempo de inatividade e aos arranques pesados necessários para retomar as operações.

A tecnologia LSTM (redes de memória de longo e curto prazo) foi aplicada para prever anomalias em moinhos de minério com antecipação média de duas semanas. Os resultados foram significativos: redução de 18% no tempo de inatividade dos equipamentos e corte de 10% nos custos gerais de energia. As redes LSTM são excepcionais no tratamento de séries temporais e evitam o superconsumo de energia ao prever picos de carga com extrema precisão.

O aprendizado por reforço (RL) foi adotado em uma mina australiana para gerenciar dinamicamente a ventilação subterrânea com base em níveis de temperatura e ocupação. Essa aplicação inteligente resultou em economia de 20% do consumo elétrico convencional, demonstrando como algoritmos adaptativos podem otimizar sistemas complexos em tempo real.

A combinação de gradient boosted trees (GBT) e support vector regression (SVR) foi utilizada para otimizar o consumo de energia em um moinho. O GBT analisou a resistência do minério e reduziu as velocidades da máquina durante horários de pico, proporcionando redução de 15% no consumo de eletricidade. O SVR previu picos complexos de energia com precisão de até 95%, equilibrando o processamento em tempo real.

A aplicação de redes bayesianas para monitorar motores em uma operação na África do Sul diminuiu quebras inesperadas em 21%, com efeito direto no consumo de energia, que foi reduzido em 9%. Essa tecnologia demonstra como o monitoramento inteligente de equipamentos pode prevenir falhas custosas e otimizar o uso de energia nas operações minerais.