Geólogo com capacete e colete de segurança analisa amostra de solo avermelhado em área de pesquisa mineral, representando depósitos de argilas iônicas associados à extração de terras raras no Brasil.
Geólogo analisa solo em área de pesquisa mineral. (Foto: Serra Verde Pesquisa e Mineração / Divulgação)

Extração de terras raras no Brasil pode ser mais sustentável

Depósitos brasileiros, em argilas iônicas, podem ser mais sustentáveis que a média mundial, mostra relatório

Por Redação, 2 min de leitura

Publicado em 28/04/2026

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As reservas de terras raras no Brasil têm um aspecto singular: enquanto a mineração tradicional dessas substâncias costuma ocorrer em rocha dura em outros locais do mundo – principalmente onde há depósitos primários de fosfatos e carbonatos – o Brasil se destaca por possuir depósitos em argilas iônicas, que são considerados secundários ou regolitos.

A extração a partir de argilas iônicas apresenta um diferencial importante, segundo o estudo “Minerais críticos e estratégicos no Brasil: passaporte para o futuro”, publicado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), em parceria com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram).

Um artigo publicado na Revista do Serviço Geológico do Brasil em janeiro de 2026 reforça o posicionamento sobre os depósitos brasileiros de terras raras. Os principais fatores que tornam as argilas iônicas mais sustentáveis incluem, entre outros aspectos, quatro pontos listados pelo relatório do Cetem e do Ibram:

  1. Processo de extração simplificado e menos agressivo: Nas argilas iônicas, os íons de elementos de terras raras (ETRs) ficam adsorvidos na superfície dos minerais. Isso permite que sua recuperação seja feita por um processo simples de lixiviação por troca iônica, utilizando soluções salinas à temperatura ambiente.
  2. Menor consumo de energia e insumos químicos: Diferente da mineração de rochas duras, o método utilizado nas argilas evita o uso de ácidos fortes e de processos de beneficiamento ou ustulação que demandem muita energia.
  3. Redução drástica de resíduos: esta simplicidade técnica resulta em custos menores, uma pegada de carbono mais baixa e menor geração de resíduos, mitigando o principal conflito produtivo da mineração tradicional.
  4. Menor risco com elementos radioativos: a exploração em argilas iônicas ajuda a contornar um dos maiores gargalos tecnológicos e ambientais dos depósitos rochosos primários, que é a gestão complexa de rejeitos radioativos, frequentemente associados ao tório e ao urânio.

Apesar das vantagens, os autores do artigo advertem que a sustentabilidade não é uma característica automática ou garantida apenas pelo uso das argilas iônicas, mas sim um resultado condicional dependente do gerenciamento técnico.

Segundo eles, sem um controle rigoroso, o próprio processo de lixiviação e o uso de produtos químicos podem causar contaminação de lençóis freáticos e levar à uma degradação severa do solo, como foi historicamente documentado em operações no Sul da China.

Dúvidas mais comuns

Terras raras são elementos químicos essenciais para tecnologias modernas, como energia eólica, carros elétricos e dispositivos eletrônicos. Um megawatt de capacidade de energia eólica requer 171 kg de terras raras, e a fabricação de um carro elétrico Prius exige 1 kg desses elementos. O Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas, representando quase um terço de todas as terras raras disponíveis no mundo.

A mineração tradicional de terras raras ocorre em rochas duras, principalmente em depósitos primários de fosfatos e carbonatos. O Brasil se destaca por possuir depósitos em argilas iônicas, considerados secundários ou regolitos. Nas argilas iônicas, os íons de elementos de terras raras ficam adsorvidos na superfície dos minerais, permitindo uma recuperação simples por lixiviação com troca iônica usando soluções salinas à temperatura ambiente.

A extração em argilas iônicas é mais sustentável por quatro razões principais: utiliza um processo simplificado e menos agressivo; consome menos energia e insumos químicos, evitando ácidos fortes e processos que demandem muita energia; gera drasticamente menos resíduos, resultando em menor pegada de carbono; e reduz o risco com elementos radioativos, contornando a gestão complexa de rejeitos radioativos associados ao tório e urânio encontrados em depósitos rochosos.

As reservas brasileiras de terras raras estão distribuídas em diversos estados, incluindo Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas e Piauí. Em Araxá, Minas Gerais, há o segundo maior depósito brasileiro, com uma estimativa de 450 mil toneladas. Atualmente, a mina de Pela Ema em Minação (GO) é a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024.

O processo de extração em argilas iônicas é baseado em lixiviação por troca iônica, utilizando soluções salinas à temperatura ambiente. Diferente da mineração de rochas duras, este método evita o uso de ácidos fortes e de processos de beneficiamento ou ustulação que demandem muita energia, tornando a operação mais simples e menos agressiva ao ambiente.

Não. Embora as argilas iônicas ofereçam vantagens técnicas, a sustentabilidade não é automática ou garantida apenas pelo uso deste tipo de depósito. É um resultado condicional que depende do gerenciamento técnico rigoroso. Sem controle adequado, o próprio processo de lixiviação e o uso de produtos químicos podem causar contaminação de lençóis freáticos e degradação severa do solo, como foi historicamente documentado em operações no Sul da China.

A mina de Pela Ema em Minação (GO) é a única produtora fora da Ásia das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas: Disprosio (Dy), Terbio (Tb), Neodímio (Nd) e Ítrio (Y). Esses elementos são particularmente valiosos no mercado global, com o Terbio atingindo preços de até US$ 3.600 por quilo na Europa.

Os principais riscos ambientais incluem a contaminação de lençóis freáticos e a degradação severa do solo causadas pelo processo de lixiviação e pelo uso de produtos químicos, caso não haja controle rigoroso. Portanto, é essencial implementar gerenciamento técnico adequado para mitigar esses impactos, garantindo que as vantagens das argilas iônicas se traduzam em práticas verdadeiramente sustentáveis.