Vista aérea do complexo industrial de mineração da Serra Verde, especializado em terras raras, com vários grandes edifícios brancos, tanques de armazenamento e estradas de terra vermelha ao redor, situado em meio a uma paisagem verde e arborizada.
Vista aérea da planta de beneficiamento da Serra Verde, localizada em Goiás (Foto: Divulgação/ Serra Verde)

EUA elevam aporte para produção da Serra Verde a US$ 750 milhões

Estrutura de US$ 1,55 bilhão financiará a compra da produção de terras raras da fase 1 do projeto em Goiás

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 25/08/2026

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A USA Rare Earth, companhia norte-americana de terras raras, anunciou a conclusão da estrutura de capital vinculada à aquisição da Serra Verde, produtora de terras raras com operação em Minaçu (GO). A estrutura será administrada por uma sociedade de propósito específico (SPV), capitalizada em US$ 1,55 bilhão, e atende a uma das condições estabelecidas para o fechamento da transação anunciada pelas empresas em abril.

A SPV não será responsável diretamente pela compra da mineradora. Sua função será adquirir 100% da produção de terras raras da fase 1 da Serra Verde, conforme contrato de fornecimento de longo prazo firmado entre as partes.

Como parte do acordo, o governo dos Estados Unidos ampliou sua participação financeira na estrutura. O Departamento de Defesa norte-americano elevou de US$ 500 milhões para US$ 750 milhões o investimento destinado à SPV, acréscimo de US$ 250 milhões em relação ao valor originalmente previsto.

Segundo a USA Rare Earth, os recursos deverão apoiar o desenvolvimento de uma cadeia integrada de terras raras fora da Ásia, desde a extração e o processamento mineral até a fabricação de materiais magnéticos.

Além do investimento governamental, a SPV recebeu uma carta de compromisso de uma instituição financeira de primeira linha para a concessão de uma linha de crédito sênior de até US$ 500 milhões. Os recursos serão destinados ao financiamento das compras de produtos de terras raras fornecidos pela Serra Verde.

A estrutura também contempla um contrato de compra futura firmado pelo governo norte-americano, com previsão de aquisição de pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.

O acordo inclui cláusulas de take or pay, pelas quais o comprador se compromete a adquirir ou pagar por um volume mínimo contratado, mesmo que não retire toda a quantidade prevista. O mecanismo aumenta a previsibilidade de receita do projeto e contribui para reduzir os riscos associados ao seu financiamento.

Projeto combina fornecimento de longo prazo e expansão

Escavadeiras e equipamentos de construção trabalham em um monte de terra em um canteiro de obras sob um céu azul e limpo, enquanto a equipe avança na extração de terras raras em Serra Verde.
Exploração de terras raras em complexo da Serra Verde (Foto: Divulgação/ Serra Verde)

A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth foi anunciada em 20 de abril de 2026. Na mesma data, a mineradora brasileira firmou um contrato de fornecimento com duração de quinze anos para destinar à SPV a produção da fase 1 do projeto.

Segundo a USA Rare Earth, após a conclusão da transação, a companhia passará a controlar a única mina fora da Ásia com produção comercial dos quatro principais elementos magnéticos de terras raras: neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.

A Serra Verde produz concentrado misto de terras raras a partir de depósitos de argila de adsorção iônica. A empresa informa que a operação em Goiás é a única das Américas com produção comercial em larga escala baseada nesse tipo de depósito.

O projeto já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos e tem como meta alcançar capacidade de produção de até 6,4 mil toneladas anuais de óxidos totais de terras raras até o fim de 2027. Uma eventual segunda fase poderá dobrar essa capacidade antes do final da década.

As terras raras têm aplicações em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, eletrônicos, data centers, indústria aeroespacial, defesa e equipamentos médicos. O desenvolvimento da Serra Verde amplia a participação do Brasil na oferta desses minerais e ocorre em um contexto de busca por maior diversificação geográfica das cadeias globais de suprimento.