Uma área de mineração cercada por florestas, com turbinas eólicas ao fundo, representando a transição energética sustentável e a revitalização do setor de energia.
Foto: Aleena Mudassar/ Shutterstock

Transição energética impulsiona nova fase na cadeia mineral

Base da inovação tecnológica, o setor busca equilibrar a crescente demanda por minerais com soluções sustentáveis para a atividade, como metas de descarbonização e inclusão social

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 22/10/2025 | Atualizado em 24/10/2025

Baixar PDF Copiar link
  • A transição energética depende de maior oferta de minerais e metais, transformando a mineração em setor estratégico apesar dos desafios de sustentabilidade e custo elevado de novos projetos.
  • Estudo da EY Global identifica que parcerias, joint ventures e inovação em exploração podem mitigar riscos e gerar valor, com mais da metade das empresas planejando ampliar investimentos nessas áreas.
  • Mineradoras devem integrar reciclagem, descarbonização e investimentos em comunidades indígenas para construir confiança, transparência e modelos de negócio alinhados com sustentabilidade de longo prazo.
Resumo revisado pela redação.

A mineração fornece insumos essenciais para tecnologias ligadas à inovação e à transição energética, como baterias para veículos elétricos, por exemplo. O setor tem potencial de crescimento, mas enfrenta barreiras estruturais que passam pela questão da sustentabilidade. Segundo estudo da EY Global, a transição para energia limpa depende da maior oferta de minerais e metais. 

“Mesmo aqueles que antes se opunham à mineração agora percebem que uma transição de energia verde depende de uma maior oferta de minerais e metais”, reforça o relatório. O documento destaca que, com planejamento e estratégia, os obstáculos do setor podem se transformar em oportunidades de crescimento, geração de renda e inovação.

Obstáculos revelam oportunidades de avanço

Entre os principais entraves estão o custo elevado de novos projetos e a complexidade na captação de recursos. De acordo com o relatório da EY, o cenário de incertezas políticas pode impactar o cronograma de investimentos. A consultoria, no entanto, aponta que esse cenário de risco também revela oportunidades para empresas e governos que reconhecem a relevância do segmento. 

O documento reforça a expansão das opções de financiamento, com as empresas considerando múltiplas fontes de capital, como parcerias e joint ventures, que podem mitigar riscos em projetos de grande escala. Segundo a EY, as empresas entrevistadas planejavam realizar alguma forma de transação nos 12 meses seguintes à data em que a pesquisa foi realizada, em outubro de 2024. O investimento em iniciativas ligadas ao ESG, conforme os entrevistados, tem o potencial de gerar valor no longo prazo.

A inovação é outra questão abordada no relatório, tanto como risco quanto oportunidade. “A inovação é uma condição para a mineração sustentável e econômica, embora algumas empresas priorizem projetos de menor risco, como o processamento. A inovação na exploração ainda não é amplamente reconhecida como de grande impacto”, menciona o documento. No entanto, mais da metade dos entrevistados afirmou ter intenção de ampliar esse investimento por meio da colaboração entre mineração, associações industriais, universidades e outros setores.

A complexidade regulatória também é citada como um dos desafios do setor, mas que abre possibilidades de integração de toda a cadeia de suprimentos e pode otimizar as atividades da exploração à produção. “O desenvolvimento de projetos com foco em sustentabilidade, automação e eletrificação pode atrair talentos diversos para o setor”, pontua a consultoria.

O documento também cita riscos de governança, cibersegurança e relacionados à força de trabalho, mas com menor peso. “As mineradoras devem revisar seus modelos de negócios, considerar novas abordagens e avançar com parcerias e inovações”, recomenda a EY.

Leia também: Níquel avança como metal estratégico para transição energética

Sustentabilidade e descarbonização no centro das decisões

Uma mão segurando uma representação do planeta Terra, com ícones de energia renovável, reciclagem, sustentabilidade e painéis solares, ilustrando a transição energética.
Foto: earthphotostock/ Shutterstock/ Modificada com IA

O relatório também destaca a necessidade de reavaliar modelos de negócio, com maior foco em sustentabilidade. Quase metade dos entrevistados considera integrar a reciclagem nas operações. Essa integração pode acelerar a descarbonização e gerar novas receitas.

Em relação às mudanças climáticas, a pressão sobre a atividade tende a ser cada vez maior. Porém, com a organização de toda a cadeia de valor e definição dos conceitos de emissões de Escopo 1, 2 e 3, a transparência das atividades aumentou e o uso de fontes renováveis de energia e parcerias com empresas responsáveis é reconhecido como uma prática sustentável.

A comercialização de metais com baixo teor de carbono é considerada desafiadora, especialmente por causa dos custos. A adoção de instrumentos de carbono pode aumentar a pressão para eliminar emissões, mas também elevar os preços para consumidores. Há ainda o risco de que algumas estratégias sejam vistas com desconfiança, como greenwashing. 

O relatório cita, também, os impactos da atividade de mineração em comunidades, especialmente as indígenas. Nesse contexto, o estudo defende que empresas invistam em acesso a saneamento, emprego e educação, entre outros. “Aumentar o impacto na comunidade e a confiança dos povos indígenas continua no topo da agenda de mineradoras e investidores. Em todo o mundo, comunidades e governos esperam que as empresas do segmento façam mais para apoiar as comunidades no presente e deixar um legado positivo para o futuro”, ressalta o documento.

Já em relação ao risco de esgotamento de reservas, o relatório reforça que mineradoras no mundo todo buscam métodos aprimorados para extrair e otimizar minerais. Entre as soluções estão investimentos em tecnologias que promovem a exploração e melhoram a produtividade, como a lixiviação, capaz de extrair mais metais de minérios de baixo teor.

Glossário da Mineração

Escopo 1

Emissões diretas de gases de efeito estufa (GEE) provenientes de fontes controladas pela empresa. Na mineração, incluem combustão em equipamentos móveis (caminhões, escavadeiras), explosivos, geradores a diesel, caldeiras e processos industriais próprios. São as emissões sob controle direto da operação, mensuradas para inventários de carbono e metas climáticas.

Escopo 2

Emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) provenientes da geração de energia elétrica, calor ou vapor adquiridos e consumidos pela empresa. Refere-se principalmente às emissões da eletricidade comprada da rede para operar equipamentos fixos, beneficiamento, iluminação e sistemas auxiliares. Dependem da matriz energética do fornecedor.

Escopo 3

Emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia de valor, fora do controle direto da empresa. Na mineração, incluem transporte terceirizado de minério, emissões de fornecedores, processamento do produto pelos clientes (uso do aço ou alumínio), viagens corporativas e logística upstream e downstream. Representam a maior parte das emissões totais.

Transição energética

Mudança global de fontes de energia fósseis para renováveis e limpas, visando a reduzir emissões de carbono e combater mudanças climáticas. Aumenta significativamente a demanda por minerais críticos como lítio, cobalto, cobre e terras raras, essenciais para painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos, tornando a mineração estratégica neste processo.

Dúvidas mais comuns

Minerais de transição energética são insumos essenciais para tecnologias ligadas à inovação e à energia limpa. A Agência Internacional de Energia (IEA) define como minerais essenciais: lítio, grafite, níquel, cobre, cobalto e elementos de terras raras. Esses minerais são fundamentais para a produção de baterias para veículos elétricos e outras tecnologias de energia renovável.

A mineração fornece os insumos essenciais necessários para a transição para energia limpa. Segundo estudo da EY Global, a transição para energia limpa depende da maior oferta de minerais e metais. Mesmo setores que antes se opunham à mineração agora reconhecem que uma transição de energia verde depende de uma maior oferta desses recursos, tornando o setor fundamental para alcançar as metas de descarbonização global.

Os principais desafios incluem o custo elevado de novos projetos, complexidade na captação de recursos, incertezas políticas que impactam cronogramas de investimento, complexidade regulatória e riscos de governança. Além disso, a comercialização de metais com baixo teor de carbono é desafiadora devido aos custos elevados, e há preocupações com possível greenwashing nas estratégias de sustentabilidade.

As empresas estão considerando múltiplas fontes de capital para mitigar riscos em projetos de grande escala, incluindo parcerias e joint ventures. O investimento em iniciativas ligadas ao ESG tem potencial de gerar valor no longo prazo. Segundo a EY, a maioria das empresas entrevistadas planejava realizar alguma forma de transação nos 12 meses seguintes, expandindo suas opções de financiamento.

A inovação é uma condição essencial para a mineração sustentável e economicamente viável. Mais da metade dos entrevistados afirmou ter intenção de ampliar investimentos em inovação por meio de colaboração entre mineração, associações industriais, universidades e outros setores. Tecnologias como lixiviação permitem extrair mais metais de minérios de baixo teor, melhorando a produtividade e otimizando recursos.

Quase metade dos entrevistados considera integrar a reciclagem nas operações de mineração. Essa integração pode acelerar a descarbonização e gerar novas receitas para as empresas. A reciclagem de minerais e metais reduz a necessidade de novas extrações, diminuindo o impacto ambiental e contribuindo para a economia circular.

O relatório destaca que aumentar o impacto na comunidade e a confiança dos povos indígenas continua no topo da agenda de mineradoras e investidores. As empresas devem investir em acesso a saneamento, emprego e educação nas comunidades afetadas. Em todo o mundo, comunidades e governos esperam que as empresas do segmento façam mais para apoiar as comunidades no presente e deixar um legado positivo para o futuro.

A redução de emissões passa pela organização de toda a cadeia de valor e definição clara dos conceitos de emissões de Escopo 1, 2 e 3, aumentando a transparência das atividades. O uso de fontes renováveis de energia e parcerias com empresas responsáveis são reconhecidas como práticas sustentáveis. Além disso, o desenvolvimento de projetos com foco em automação e eletrificação pode contribuir para a descarbonização das operações.