A Vale e a Lojas Renner são as primeiras companhias brasileiras a elaborar reportes de sustentabilidade conforme a norma da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que segue os padrões internacionais IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB). A nova norma representa um marco para o mercado de capitais brasileiro e para a integração entre sustentabilidade e finanças. O país é o primeiro no mundo cujo regulador local incorporou formalmente o padrão internacional IFRS à sua regulação, tornando obrigatória a adoção do modelo a partir dos exercícios sociais iniciados em, ou após, 1° de janeiro de 2026.
O IFRS S1 define a estrutura de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, como fatores sociais e de governança, que impactam o desempenho e os negócios da companhia. Já o IFRS S2 detalha os requisitos para o reporte de informações financeiras sobre riscos, oportunidades e governança relacionados ao clima. Juntas, as normas padronizam os relatórios sobre sustentabilidade e efeitos climáticos.
O objetivo é permitir que investidores e analistas financeiros tenham acesso a dados comparáveis sobre como a mudança do clima afeta fluxos de caixa, ativos e estratégias de longo prazo das empresas.
No caso da Vale, o pioneirismo é duplo: além de ser a primeira companhia brasileira, é também a primeira mineradora do mundo a publicar um relatório financeiro climático seguindo o padrão internacional.
Riscos climáticos e estratégia de descarbonização

Em documento publicado em junho de 2025, a Vale detalha como avalia os riscos e oportunidades relacionados à transição para uma economia de baixo carbono. O relatório, elaborado conforme as normas IFRS Sustainability Disclosure Standards e a Resolução CVM 193/2023, traz análises sobre cenários climáticos, impactos financeiros e medidas de mitigação de risco, incluindo a gestão das chuvas intensas e seus efeitos sobre barragens e estruturas críticas.
“Este relatório evidencia que a Vale está preparada para liderar na mineração sustentável, com um posicionamento único para apoiar a descarbonização global, enquanto caminha para tornar-se referência na criação de valor de longo prazo”, afirmou Gustavo Pimenta, CEO da companhia.
O relatório informa que, desde 2020, a Vale investiu R$ 7,4 bilhões em iniciativas de descarbonização, sendo R$ 1,38 bilhão em 2024. As metas incluem reduzir em 33% as emissões de escopos 1 e 2 até 2030 – com relação ao ano-base de 2017 -, zerar as emissões líquidas até 2050 e diminuir em 15% as emissões do escopo 3 relativas à cadeia de valor até 2035.
Entre os principais projetos citados estão o desenvolvimento do briquete de minério de ferro, que pode reduzir até 10% das emissões nos altos-fornos; os Mega Hubs — complexos industriais voltados para produtos siderúrgicos de baixo carbono, em implantação no Brasil, Oriente Médio e EUA —; e o programa Novo Carajás, que prevê R$ 70 bilhões em investimentos até 2030 com foco em práticas de economia circular e mineração a seco.
“As mudanças climáticas não são apenas um desafio, mas um catalisador para inovação e criação de valor”, afirma Daniel Stieler, presidente do Conselho de Administração. Ele ressaltou ainda que a governança climática da Vale inclui comitês de sustentabilidade e auditoria que integram o tema à estratégia de longo prazo.
Brasil lidera adoção global

A Resolução CVM nº 193, publicada em outubro de 2023, fez do Brasil o primeiro país do mundo a adotar oficialmente os relatórios de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade emitidos pelo ISSB. Segundo a autarquia, a norma é parte do Plano de Ação de Finanças Sustentáveis 2023–2024 e tem como objetivo fortalecer a transparência e a comparabilidade entre empresas, permitindo que investidores dimensionem riscos financeiros decorrentes das mudanças climáticas.
“Somos o primeiro regulador e país do mundo a adotar regras de reporte de sustentabilidade, seguindo os padrões do IFRS S1 e S2. O futuro é verde e digital, e essa entrega para a sociedade demonstra o compromisso da CVM com o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro”, destacou a superintendente de Finanças Sustentáveis da CVM, Nathalie Vidual, em comunicado da autarquia.
Com a adoção voluntária por Vale e Renner, o Brasil torna-se referência no alinhamento entre regulação financeira e sustentabilidade, antecipando práticas que devem se consolidar nas próximas décadas como base para a precificação de riscos climáticos e para o fortalecimento da confiança dos investidores.
Dúvidas mais comuns
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IFRS S1 e IFRS S2 são normas internacionais de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). O IFRS S1 define a estrutura geral para comunicar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade, incluindo fatores sociais e de governança que impactam o desempenho das empresas. Já o IFRS S2 detalha especificamente os requisitos para reporte de informações financeiras sobre riscos, oportunidades e governança relacionados ao clima. Juntas, essas normas padronizam os relatórios de sustentabilidade e efeitos climáticos, permitindo comparabilidade entre empresas.
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O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a adotar oficialmente os padrões IFRS S1 e S2 através da Resolução CVM nº 193, publicada em outubro de 2023. Essa resolução fez do Brasil o primeiro regulador global a incorporar formalmente o padrão internacional IFRS à sua regulação, tornando obrigatória a adoção do modelo a partir dos exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2026. Essa liderança demonstra o compromisso do país com o fortalecimento da transparência e comparabilidade entre empresas no mercado de capitais.
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O objetivo dos relatórios financeiros climáticos é permitir que investidores e analistas financeiros tenham acesso a dados comparáveis sobre como a mudança do clima afeta fluxos de caixa, ativos e estratégias de longo prazo das empresas. Esses relatórios devem detalhar como as organizações avaliam riscos e oportunidades relacionados à transição para uma economia de baixo carbono, incluindo análises sobre cenários climáticos, impactos financeiros e medidas de mitigação de risco. Dessa forma, os investidores conseguem dimensionar melhor os riscos financeiros decorrentes das mudanças climáticas.
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Vale e Lojas Renner foram as primeiras companhias brasileiras a elaborar relatórios de sustentabilidade conforme os padrões IFRS S1 e S2 da CVM. A Vale foi ainda mais pioneira, sendo a primeira mineradora do mundo a publicar um relatório financeiro climático seguindo o padrão internacional. Ambas as empresas adotaram voluntariamente essas normas, antecipando a obrigatoriedade que entrará em vigor em 2026, posicionando o Brasil como referência no alinhamento entre regulação financeira e sustentabilidade.
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A Vale estabeleceu metas ambiciosas de descarbonização: reduzir em 33% as emissões de escopos 1 e 2 até 2030 (com relação ao ano-base de 2017), zerar as emissões líquidas até 2050 e diminuir em 15% as emissões do escopo 3 relativas à cadeia de valor até 2035. Desde 2020, a empresa investiu R$ 7,4 bilhões em iniciativas de descarbonização, sendo R$ 1,38 bilhão apenas em 2024. Os principais projetos incluem o desenvolvimento do briquete de minério de ferro, os Mega Hubs para produtos siderúrgicos de baixo carbono e o programa Novo Carajás, que prevê R$ 70 bilhões em investimentos até 2030.
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A sustentabilidade agora é tratada como fator estratégico de negócio, não apenas como responsabilidade social. As normas IFRS S1 e S2 reforçam essa mentalidade ao exigir que as empresas divulguem como questões de sustentabilidade afetam suas finanças e estratégia de longo prazo. No caso da Vale, a governança climática inclui comitês de sustentabilidade e auditoria que integram o tema à estratégia corporativa, demonstrando que as mudanças climáticas são vistas como um catalisador para inovação e criação de valor.
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Os relatórios IFRS S1 e S2 fortalecem a transparência e comparabilidade entre empresas, permitindo que investidores dimensionem com precisão os riscos financeiros decorrentes das mudanças climáticas e questões de sustentabilidade. Com dados padronizados e comparáveis, os investidores conseguem avaliar melhor como a transição para uma economia de baixo carbono afeta o desempenho financeiro das empresas, facilitando decisões de investimento mais informadas e contribuindo para a precificação adequada de riscos climáticos no mercado de capitais.