Vale lança projeto de ferro “verde” em larga escala em Hannover
Anúncio feito no evento da Alemanha confirma processo iniciado em 2024 e que fará o Brasil sediar plataforma completa de aço sustentável
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Redação, 2min de leitura
Publicado em 22/04/2026
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Vale lança projeto de ferro “verde” em larga escala em Hannover
22 de abril de 2026
A Vale e a Green Energy Park Global lançam a plataforma Hydeas para produzir ferro com hidrogênio renovável, substituindo combustíveis fósseis na redução do minério de ferro no Brasil.
O projeto utiliza eletrólise da água com energia solar ou eólica para gerar hidrogênio livre de carbono, convertendo óxido de ferro em ferro metálico e vapor de água em reatores entre 700°C e 1000°C.
A iniciativa cria um corredor de ferro verde Brasil-Europa, alinhando a descarbonização da siderurgia com a neoindustrialização brasileira e o acesso europeu a matérias-primas sustentáveis.
Resumo revisado pela redação.
A Vale acaba de anunciar uma parceria com a Green Energy Park Global (GEP), empresa integrada de energia renovável, para o desenvolvimento de uma plataforma de ferro “verde” em grande escala no Brasil. A iniciativa, lançada na Hannover Messe 2026, na Alemanha, foi nomeada como Hydrogen Decarbonization Alliance for Steel (Hydeas) e junta o conhecimento da Vale no mercado de minério de ferro com a experiência da GEP na aplicação da tecnologia de hidrogênio e seus derivados como fonte de energia renovável preferencial.
De acordo com o anúncio oficial, o projeto Hydeas tem como objetivo viabilizar a produção de ferro mais sustentável no Brasil, fornecendo a matéria-prima que apoia a descarbonização e a competitividade da indústria siderúrgica. Trata-se de uma plataforma baseada em tecnologias siderúrgicas emergentes que prevê o uso crescente de hidrogênio como agente redutor do minério de ferro. O óxido de ferro é convertido em ferro metálico e vapor de água, em vez de dióxido de carbono (CO2).
A DRI utiliza reatores entre 700°C e 1000°C, de forma a eliminar o oxigênio do minério, promovendo a descarbonização da indústria.
Segundo os especialistas, existem diversas fontes potenciais para a produção industrial de ferro com hidrogênio. Uma opção é produzir hidrogênio a partir de gás natural utilizando vapor do metano, mas esse método ainda libera dióxido de carbono. Uma forma de mitigar isso é o uso de tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS).
Alternativamente, o hidrogênio pode ser produzido por meio da eletrólise da água utilizando eletricidade renovável, como as fontes solar ou eólica, resultando em uma fonte de hidrogênio livre de carbono e da necessidade de combustíveis fósseis.
O projeto da Vale e da GEP está em fase inicial de estudos de viabilidade e deve apontar um local que combine disponibilidade de energia renovável, infraestrutura logística e acesso a minério de ferro de alta qualidade.
Entre os componentes, a infraestrutura de transporte e de escoamento do ferro “verde” é um dos principais, pois reduzirá significativamente o risco do projeto, permitindo uma rápida expansão industrial.
Histórico da parceria
A Vale e o Green Energy Park Global lançaram sua parceria em outubro de 2024 em Bruxelas, marcando o início de um esforço conjunto para fortalecer a cooperação industrial Brasil-Europa por meio do hidrogênio e do minério de ferro.
Essa colaboração levou à conclusão do estudo conceitual, confirmando o potencial industrial e econômico do projeto.
Na sequência destes resultados positivos, os parceiros avançam agora para a nova fase de estudos, focando-se na engenharia, na estruturação do projeto e, finalmente, no financiamento, marcando a transição do conceito para um projeto industrial viável.
No futuro, após a decisão final de investimento, o projeto lançará as bases para um novo corredor de ferro “verde” entre o Brasil e a Europa.
O modelo tem vantagem para as duas regiões. No caso do Brasil, a produção de ferro mais sustentável está alinhada à estratégia de neoindustrialização, criando valor agregado e empregos no país, e garantindo o acesso da Europa a matérias-primas sustentáveis.
Para o mercado europeu, o projeto consolida um novo modelo de cooperação industrial que envolve as iniciativas Global Gateway, da União Europeia, e a Plataforma Brasileira de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica.
Dúvidas mais comuns
Ferro verde é uma forma de produção de ferro mais sustentável que utiliza hidrogênio como agente redutor em vez de combustíveis fósseis. Nesse processo, o óxido de ferro é convertido em ferro metálico e vapor de água, eliminando a emissão de dióxido de carbono (CO2). O projeto Hydeas da Vale e Green Energy Park Global representa uma iniciativa em larga escala para viabilizar essa tecnologia no Brasil, conectando a produção sustentável com mercados europeus.
A redução direta do ferro (DRI) com hidrogênio utiliza reatores operando entre 700°C e 1000°C para eliminar o oxigênio do minério de ferro. O hidrogênio atua como agente redutor, convertendo o óxido de ferro em ferro metálico e vapor de água, em vez de produzir dióxido de carbono. Esse processo é fundamental para descarbonizar a indústria siderúrgica, substituindo os métodos tradicionais que dependem de combustíveis fósseis.
Hidrogênio verde é produzido por meio da eletrólise da água utilizando eletricidade renovável, como fontes solar ou eólica, resultando em uma fonte de hidrogênio livre de carbono e sem dependência de combustíveis fósseis. Na indústria siderúrgica, o hidrogênio verde serve como agente redutor para a produção de ferro sustentável, permitindo a descarbonização do processo produtivo e a criação de uma cadeia de valor mais ambientalmente responsável.
O projeto Hydeas, lançado pela Vale e Green Energy Park Global, tem como objetivo viabilizar a produção de ferro mais sustentável em larga escala no Brasil, fornecendo matéria-prima que apoia a descarbonização e competitividade da indústria siderúrgica. A iniciativa busca criar um corredor de ferro verde entre Brasil e Europa, alinhando-se com estratégias de neoindustrialização brasileira e garantindo acesso europeu a matérias-primas sustentáveis.
Existem duas principais fontes para produção industrial de hidrogênio: a partir de gás natural utilizando vapor do metano, que ainda libera dióxido de carbono mas pode ser mitigada com tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS), e por meio da eletrólise da água com eletricidade renovável (solar ou eólica), que resulta em hidrogênio livre de carbono. A segunda opção é preferencial para a produção de ferro verde sustentável.
O projeto está em fase inicial de estudos de viabilidade e busca um local que combine três componentes principais: disponibilidade de energia renovável para produção de hidrogênio, infraestrutura logística adequada, e acesso a minério de ferro de alta qualidade. A infraestrutura de transporte e escoamento do ferro verde é considerada um dos componentes mais importantes, pois reduz significativamente o risco do projeto e permite uma rápida expansão industrial.
Para o Brasil, a produção de ferro sustentável está alinhada à estratégia de neoindustrialização, criando valor agregado e empregos no país enquanto garante competitividade global. Para a Europa, o projeto consolida um novo modelo de cooperação industrial que fornece acesso a matérias-primas sustentáveis e se integra às iniciativas Global Gateway da União Europeia e à Plataforma Brasileira de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica.
O projeto foi lançado em outubro de 2024 em Bruxelas e concluiu um estudo conceitual que confirmou seu potencial industrial e econômico. Atualmente, está em fase de estudos de viabilidade focando em engenharia, estruturação do projeto e financiamento. Após a decisão final de investimento, o projeto lançará as bases para um novo corredor de ferro verde entre Brasil e Europa, marcando a transição do conceito para um projeto industrial viável.