Especialistas participantes do painel, da esquerda para a direita: Rodolfo Eschenbach, Aloízio Mercadante, Gustavo Pimenta e Pablo Cesário
Da esquerda para a direita: Leila Sterenberg, Rodolfo Eschenbach, Aloizio Mercadante, Gustavo Pimenta e Pablo Cesário (Foto: Valor Econômico)

Vale lança proposta para destravar mineração e gerar até R$ 1,3 tri em arrecadação e 5,3 mi de empregos

Elaborado com consultoria da Accenture, documento reúne 15 iniciativas em quatro áreas prioritárias para o setor e será entregue aos candidatos à Presidência

Por Mariana Sgarioni e Viviane Kulczynski, 3 min de leitura

Publicado em 18/08/2026

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A Vale lançou nesta terça-feira (18), durante fórum realizado em Brasília, a proposta “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”. Elaborado com a consultoria da Accenture, o documento traça diretrizes e caminhos para orientar políticas públicas que fortaleçam e modernizem os fundamentos da mineração brasileira, além de ampliar a atratividade do país para novos investimentos e projetos minerários no ciclo de 2026 a 2035. O relatório será entregue a todos os candidatos à Presidência da República em 2026 e pode ser baixado neste link.

O evento reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo mineral e especialistas do país em infraestrutura e competitividade. Estiveram presentes o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, entre outros. 

A proposta estrutura 15 iniciativas estratégicas organizadas em quatro agendas prioritárias: 

  1. Licenciamento e Fundamentos da Mineração: Conhecimento geológico, gestão de títulos minerários e previsibilidade no licenciamento. 
  1. Cadeia Mineral Integrada: Infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia. 
  1. Ambiente de Negócios e Segurança Institucional: Aspectos regulatórios, institucionais, financeiros (em um setor intensivo em capital) e tributários. 
  1. Valor Compartilhado: Agenda de impacto positivo e geração de valor social e ambiental compartilhado com as comunidades/ territórios. 

Existe uma demanda global por minerais críticos que é realmente urgente e está batendo à nossa porta. O Brasil tem uma posição única no mundo. E o setor de mineração já é hoje relevante para o país, seja social, econômico ou ambiental. Porém, temos desafios e não estamos aproveitando todo este potencial. Por isso, traçamos um caminho para destravar este desenvolvimento

Rodolfo Eschenbach, CEO da Accenture
Dois homens vestidos com trajes de negócios estão de pé e sorriem durante um evento em um fórum, com uma tela de apresentação atrás deles exibindo um texto em português sobre como explorar o potencial da mineração no Brasil, destacando o papel da Vale no impulso ao setor.
Gustavo Pimenta (CEO da Vale) e Rodolfo Eschenbach (CEO da Accenture)

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, ressaltou a importância da contribuição com o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário. 

Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego, renda, crescimento econômico e proteção ambiental

Gustavo Pimenta, CEO da Vale

Oportunidades e impacto econômico

O levantamento projeta que a contribuição do setor mineral em arrecadação fiscal — que somou R$ 750 bilhões na última década — possa atingir R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035, ampliando o impacto social positivo e contribuindo para o equilíbrio das contas públicas. Convertido em investimentos públicos, esse montante equivaleria à criação de 23,1 milhões de vagas em escolas de tempo integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 870 mil leitos em hospitais ou à pavimentação de 478 mil quilômetros de rodovias.

Com uma agenda coordenada entre poder público, iniciativa privada e sociedade, a produção mineral anual do país pode saltar dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035. No cenário analisado, o impacto total sobre o mercado de trabalho pode elevar os atuais 3 milhões de postos para até 5,3 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos no mesmo período.

Desafios e transição energética

O estudo aponta que apenas 28% do território brasileiro possui mapeamento geológico no momento. Superar este vácuo de conhecimento é fundamental para destravar o salto de valor da próxima década.

Outro ponto seria o que foi chamado de paradoxo estratégico: ao mesmo tempo em que o país detém um dos subsolos mais ricos do mundo, assiste a uma retração em sua relevância produtiva global. 

Em 2023, o valor da produção mineral brasileira somou US$ 59,2 bilhões, mas o país recuou da 4ª para a 7ª posição no ranking mundial de produção entre 2014 e 2023. Enquanto o setor nacional avançou 9% no período, concorrentes como Canadá e Índia cresceram 56% e 50%, respectivamente.

O caminho para reverter esse quadro, de acordo com a proposta, seria a promoção da sinergia entre minerais estratégicos para a economia brasileira, como o minério de ferro, e minerais críticos para a transição energética global, como lítio e cobre, entre outros. Priorizar iniciativas que proporcionem ganhos substanciais em estratégicos pode ser uma alavanca importante na geração de valor para o setor e toda a sociedade. 

O estudo estima ainda que minerais essenciais produzidos no Brasil para veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas podem ajudar a evitar a emissão de 1,6 a 2 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano no mundo até 2050. Este volume é comparável a quase toda a emissão anual do Brasil hoje.