Vale traça rota para ‘mineração do futuro’ com foco em descarbonização do aço, cobre e licença social
Presidente da companhia, Gustavo Pimenta detalhou metas para zerar risco de barragens, expandir em metais críticos e vincular operação a legado socioambiental
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Redação, 2min de leitura
Publicado em 28/10/2025 | Atualizado em 30/10/2025
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Vale traça rota para ‘mineração do futuro’ com foco em descarbonização do aço, cobre e licença social
28 de outubro de 2025
A Vale planeja elevar a produção de minério de ferro para 360 milhões de toneladas e dobrar a de cobre para 700 mil toneladas, com investimentos de R$ 70 bilhões no programa "Novo Carajás", alinhando-se à transição energética global.
A companhia já alcançou 27% da meta de reduzir emissões diretas em 33% até 2030 e desenvolve soluções como briquete verde e mega hubs industriais para enfrentar emissões de escopo 3 na produção de aço de clientes.
A Vale integra agenda de confiança social como pilar de negócio, gerenciando 800 mil hectares preservados, comprometendo-se a retirar 500 mil pessoas da extrema pobreza e restaurar 100 mil hectares degradados.
Resumo revisado pela redação.
No segundo dia da Exposibram, diante de uma plateia lotada, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, delineou a estratégia da companhia para a “mineração do futuro”, fundamentada em um portfólio alinhado à transição energética, em uma nova cultura de desempenho e na construção de confiança social como pilar de negócio.
No centro da estratégia está o minério de ferro de alto teor, apresentado como essencial para a descarbonização da siderurgia global, e uma aceleração na produção de cobre, metal crítico para a eletrificação. Pimenta anunciou a meta de elevar a produção de minério de 328 para 360 milhões de toneladas e revelou um plano de dobrar a de cobre, de 350 mil para 700 mil toneladas, ancorado em investimentos de até R$ 70 bilhões no programa “Novo Carajás”.
A transformação cultural e operacional pós-Brumadinho foi destacada como um avanço consolidado. O executivo disse que a última barragem que estava em nível máximo de emergência (nível 3) foi estabilizada, e o plano de descaracterização de 35 estruturas a montante segue em andamento. Atualmente, 85% da produção já utiliza empilhamento a seco, reduzindo a dependência de novas barragens.
Mineração legal: uma aliada da conservação
Na frente climática, a Vale reafirmou o compromisso de reduzir em 33% suas emissões diretas (escopos 1 e 2) até 2030, com 27% já alcançados. O maior desafio, as emissões de escopo 3, geradas na produção de aço por clientes, será enfrentado com soluções como o briquete verde — que pode reduzir as emissões no alto-forno em até 10% — e a criação de “mega hubs” industriais em regiões com energia de baixo custo e menor pegada de carbono, como o Oriente Médio.
Foto: Vale
A agenda de confiança social foi apresentada como indissociável da performance financeira. Pimenta destacou a gestão de 800 mil hectares preservados na região do Mosaico de Carajás como prova de que a mineração legal pode ser aliada da conservação. A companhia também estabeleceu metas como retirar 500 mil pessoas da extrema pobreza, com metodologia da Universidade de Oxford, e restaurar 100 mil hectares de áreas degradadas, além de preservar outros 400 mil.
A visão se completa com a digitalização, que inclui operações autônomas e manutenção preditiva, e com o compromisso de adotar a economia circular, visando ao reprocessamento total de estéril e rejeitos. Para Pimenta, integrar todos esses eixos é o único caminho para um crescimento sustentável e para que a mineração contribua para a solução dos desafios globais.
Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.
Dúvidas mais comuns
A estratégia da Vale para a mineração do futuro está fundamentada em três pilares principais: um portfólio alinhado à transição energética, uma nova cultura de desempenho operacional e a construção de confiança social como pilar de negócio. A companhia planeja elevar a produção de minério de ferro de 328 para 360 milhões de toneladas e dobrar a produção de cobre de 350 mil para 700 mil toneladas, com investimentos de até R$ 70 bilhões no programa 'Novo Carajás'.
A mineração sustentável integra múltiplas dimensões: redução de emissões de carbono através de tecnologias como o briquete verde e empilhamento a seco; preservação ambiental, como demonstrado pela gestão de 800 mil hectares no Mosaico de Carajás; restauração de áreas degradadas; adoção de economia circular com reprocessamento de estéril e rejeitos; e digitalização com operações autônomas. A Vale também busca retirar 500 mil pessoas da extrema pobreza e restaurar 100 mil hectares de áreas degradadas como parte de sua agenda de sustentabilidade.
A Vale comprometeu-se em reduzir 33% suas emissões diretas (escopos 1 e 2) até 2030, tendo já alcançado 27% dessa redução. Para as emissões de escopo 3, geradas na produção de aço por clientes, a companhia desenvolve soluções como o briquete verde, que pode reduzir emissões no alto-forno em até 10%, e a criação de 'mega hubs' industriais em regiões com energia de baixo custo e menor pegada de carbono.
O cobre é considerado um metal crítico para a eletrificação global, essencial para a transição energética. Por isso, a Vale planeja dobrar sua produção de cobre de 350 mil para 700 mil toneladas, reconhecendo a crescente demanda deste mineral para infraestruturas de energia renovável e eletrificação de sistemas.
O minério de ferro de alto teor é apresentado como essencial para a descarbonização da siderurgia global. Este tipo de minério permite processos mais eficientes na produção de aço, reduzindo a intensidade de carbono e contribuindo para que os clientes da Vale alcancem suas metas de descarbonização.
A transformação cultural e operacional pós-Brumadinho foi consolidada com avanços significativos: a última barragem em nível máximo de emergência (nível 3) foi estabilizada, e o plano de descaracterização de 35 estruturas a montante segue em andamento. Atualmente, 85% da produção já utiliza empilhamento a seco, reduzindo significativamente a dependência de novas barragens.
As principais soluções incluem: transição para energias renováveis em operações; eficiência energética em processos; eletrificação de equipamentos; mudanças em processos industriais como o uso de briquete verde; captura e armazenamento de carbono; criação de mega hubs industriais em regiões com energia limpa; e adoção de economia circular com reprocessamento de resíduos.
A Vale considera a agenda de confiança social indissociável da performance financeira. A companhia estabeleceu metas concretas como retirar 500 mil pessoas da extrema pobreza, restaurar 100 mil hectares de áreas degradadas e preservar outros 400 mil hectares. A gestão de 800 mil hectares preservados no Mosaico de Carajás demonstra que a mineração legal pode ser aliada da conservação ambiental, gerando valor compartilhado com as comunidades.