Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, é um filhote de onça com pelagem característica com manchas negras e fundo dourado, simbolizando a conservação da vida selvagem no Brasil.
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

Xingu, a onça-pintada que nasceu no BioParque da Vale, mobiliza as redes e a comunidade

Filhote simboliza preservação proporcionada por programas ambientais  da mineração

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 30/03/2026 | Atualizado em 31/03/2026

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  • O nascimento de Xingu, onça-pintada macho no BioParque Vale Amazônia em Carajás, representa avanço na conservação de espécie ameaçada de extinção, com apenas sete nascimentos registrados no local nos últimos 12 anos.
  • Empresas de mineração mantêm programas de preservação ambiental como contrapartida para licenças operacionais, incluindo resgate de epífitas, reservas florestais e pesquisa genômica da biodiversidade brasileira.
  • A cooperação entre ICMBio e Instituto Tecnológico Vale criou o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira, que mapeia patrimônio genético de fauna e flora com 114 projetos e capacitação de mais de 230 profissionais.
Resumo revisado pela redação.

O nascimento de uma onça-pintada macho no BioParque Vale Amazônia, em Carajás (PA), chamou atenção nas redes sociais e em veículos de mídia nos últimos dias. Ontem (29), o filhote foi batizado de Xingu, após votação aberta ao público que teve mais de 28 mil votos. Xingu foi a opção escolhida por 56% dos participantes, superando outras opções inspiradas em rios da região amazônica. 

O anúncio ocorreu durante a programação de aniversário do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas. 

O animal, um macho com genética do Cerrado, veio ao mundo no fim de dezembro e integra um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do bioparque. O nascimento representa um avanço relevante para a conservação da espécie, que hoje figura na lista de animais ameaçados de extinção.

Nos últimos 12 anos, apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no Bioparque de Parauapebas, o que reforça a importância do episódio para os esforços de preservação da espécie.

Artigo científico publicado pela revista holandesa Biological Conservation, no ano passado, mapeou 6.389 onças-pintadas no Brasil, sendo que quase a totalidade (6 mil) está na Amazônia.

Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, relaxa ao lado de outra onça na sua área de habitat, exibindo sua beleza
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

É nesse cenário que o nascimento de filhotes em ambientes monitorados é tratado como parte das estratégias de conservação da fauna brasileira. No caso do BioParque Vale Amazônia, o filhote nasce dentro de uma estrutura mantida em área de operação da mineradora Vale, em um modelo que combina atividades industriais com iniciativas de preservação ambiental.

Mineração e preservação

Empresas de mineração mantêm projetos de conservação e preservação da biodiversidade como contrapartida para manutenção de suas licenças de operação. A Mineração Rio do Norte (MRN), por exemplo, mantém na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no oeste do Pará, um programa contínuo de resgate e reintrodução de epífitas, plantas que se desenvolvem sobre outras espécies, como orquídeas e bromélias. 

A iniciativa retira esses exemplares antes da supressão vegetal nas áreas de lavra e os encaminha para um viveiro dedicado, onde são identificados, tratados e preparados para retorno ao ambiente natural. O programa registra mais de 20 mil epífitas resgatadas e reintegradas à floresta por ano e mantém uma coleção com mais de 2 mil plantas já recuperadas.

Em Linhares (ES), a Reserva Natural Vale reúne uma área de cerca de 23 mil hectares de Mata Atlântica e funciona como espaço de conservação, pesquisa científica e visitação pública. O local abriga coleções científicas, herbário e áreas experimentais voltadas à silvicultura e à recuperação ambiental. Em termos de biodiversidade, a reserva concentra um dos maiores remanescentes de floresta de tabuleiro da Mata Atlântica, com mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas e uma fauna diversificada. 

Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, de pelagem marcada por rosetas negras e cinza, de olhos azuis, descansando em um ambiente tranquilo.
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

Já foram registradas cerca de 103 espécies de mamíferos e 410 de aves – que equivalem a aproximadamente 20% das espécies de aves do Brasil. Além disso, 59 anfíbios, 66 répteis e cerca de 1,5 mil espécies de insetos já foram encontrados na reserva.

Ciência a serviço da conservação

No fim de 2022, uma cooperação entre o ICMBio e o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS) criou o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) com o objetivo de mapear o patrimônio genético da fauna e da flora do país. A iniciativa, inédita no Brasil, reúne hoje instituições de pesquisa nacionais e internacionais e prevê a geração de genomas de referência, genomas populacionais e códigos de barras de DNA, além do teste de protocolos inovadores de DNA ambiental em alinhamento com o Programa Monitora.

Atualmente, o GBB reúne 114 projetos em andamento, voltados tanto à conservação da biodiversidade quanto a aplicações na bioeconomia e ao monitoramento de espécies em Unidades de Conservação. O programa também investe na formação técnica, já tendo capacitado mais de 230 profissionais. A expectativa é que os dados genômicos produzidos ampliem o conhecimento sobre a saúde e a estrutura das populações de espécies brasileiras, bem como sobre os impactos das mudanças climáticas e da presença de espécies invasoras.

Dúvidas mais comuns

O BioParque Vale Amazônia, localizado em Carajás (PA), é uma estrutura mantida em área de operação da mineradora Vale que combina atividades industriais com iniciativas de preservação ambiental. O parque funciona como espaço dedicado à conservação da fauna brasileira, integrando programas de reprodução monitorados que contribuem para a preservação de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada.

O nascimento de Xingu é significativo porque apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no BioParque de Parauapebas nos últimos 12 anos. A onça-pintada está na lista de animais ameaçados de extinção, com aproximadamente 6.389 indivíduos mapeados no Brasil, sendo quase a totalidade na Amazônia. Nascimentos em ambientes monitorados como este representam avanços relevantes para as estratégias de conservação da espécie.

Empresas de mineração mantêm projetos de conservação e preservação da biodiversidade como contrapartida para manutenção de suas licenças de operação. Exemplos incluem a Mineração Rio do Norte, que resgata e reintroduz epífitas na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, e a Vale, que mantém a Reserva Natural Vale em Linhares (ES), uma área de 23 mil hectares de Mata Atlântica dedicada à conservação, pesquisa científica e visitação pública.

As onças-pintadas desempenham um papel crucial na manutenção do equilíbrio ecológico da floresta amazônica, regulando as populações de presas. Esforços de conservação utilizando tecnologia e corredores ecológicos são vitais para proteger as onças-pintadas e seus habitats, garantindo a saúde do ecossistema como um todo.

O Plano de Ação Nacional (PAN) Onça-Pintada, sob competência do ICMBio, é uma estratégia importante para a conservação da espécie que inclui medidas como reprodução em cativeiro visando o aumento populacional, programas de educação ambiental e criação de corredores ecológicos. O objetivo geral é reduzir a vulnerabilidade da onça-pintada e melhorar o estado de conservação de suas populações.

Criado em 2022 através de cooperação entre ICMBio e Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, o GBB é um programa inédito no Brasil que mapeia o patrimônio genético da fauna e flora do país. Atualmente reúne 114 projetos em andamento, gerando genomas de referência, genomas populacionais e códigos de barras de DNA, com objetivo de ampliar conhecimento sobre saúde das populações de espécies brasileiras e impactos das mudanças climáticas.

A Reserva Natural Vale em Linhares (ES) concentra um dos maiores remanescentes de floresta de tabuleiro da Mata Atlântica, com mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas. A fauna é diversificada, incluindo cerca de 103 espécies de mamíferos, 410 espécies de aves (aproximadamente 20% das espécies de aves do Brasil), 59 anfíbios, 66 répteis e cerca de 1,5 mil espécies de insetos.

O filhote foi batizado de Xingu após votação aberta ao público que teve mais de 28 mil votos. Xingu foi a opção escolhida por 56% dos participantes, superando outras opções inspiradas em rios da região amazônica. O anúncio ocorreu durante a programação de aniversário do BioParque, demonstrando o engajamento da comunidade com iniciativas de conservação.