- O nascimento de Xingu, onça-pintada macho no BioParque Vale Amazônia em Carajás, representa avanço na conservação de espécie ameaçada de extinção, com apenas sete nascimentos registrados no local nos últimos 12 anos.
- Empresas de mineração mantêm programas de preservação ambiental como contrapartida para licenças operacionais, incluindo resgate de epífitas, reservas florestais e pesquisa genômica da biodiversidade brasileira.
- A cooperação entre ICMBio e Instituto Tecnológico Vale criou o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira, que mapeia patrimônio genético de fauna e flora com 114 projetos e capacitação de mais de 230 profissionais.
O nascimento de uma onça-pintada macho no BioParque Vale Amazônia, em Carajás (PA), chamou atenção nas redes sociais e em veículos de mídia nos últimos dias. Ontem (29), o filhote foi batizado de Xingu, após votação aberta ao público que teve mais de 28 mil votos. Xingu foi a opção escolhida por 56% dos participantes, superando outras opções inspiradas em rios da região amazônica.
O anúncio ocorreu durante a programação de aniversário do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas.
O animal, um macho com genética do Cerrado, veio ao mundo no fim de dezembro e integra um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do bioparque. O nascimento representa um avanço relevante para a conservação da espécie, que hoje figura na lista de animais ameaçados de extinção.
Nos últimos 12 anos, apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no Bioparque de Parauapebas, o que reforça a importância do episódio para os esforços de preservação da espécie.
Artigo científico publicado pela revista holandesa Biological Conservation, no ano passado, mapeou 6.389 onças-pintadas no Brasil, sendo que quase a totalidade (6 mil) está na Amazônia.

É nesse cenário que o nascimento de filhotes em ambientes monitorados é tratado como parte das estratégias de conservação da fauna brasileira. No caso do BioParque Vale Amazônia, o filhote nasce dentro de uma estrutura mantida em área de operação da mineradora Vale, em um modelo que combina atividades industriais com iniciativas de preservação ambiental.
Mineração e preservação
Empresas de mineração mantêm projetos de conservação e preservação da biodiversidade como contrapartida para manutenção de suas licenças de operação. A Mineração Rio do Norte (MRN), por exemplo, mantém na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no oeste do Pará, um programa contínuo de resgate e reintrodução de epífitas, plantas que se desenvolvem sobre outras espécies, como orquídeas e bromélias.
A iniciativa retira esses exemplares antes da supressão vegetal nas áreas de lavra e os encaminha para um viveiro dedicado, onde são identificados, tratados e preparados para retorno ao ambiente natural. O programa registra mais de 20 mil epífitas resgatadas e reintegradas à floresta por ano e mantém uma coleção com mais de 2 mil plantas já recuperadas.
Em Linhares (ES), a Reserva Natural Vale reúne uma área de cerca de 23 mil hectares de Mata Atlântica e funciona como espaço de conservação, pesquisa científica e visitação pública. O local abriga coleções científicas, herbário e áreas experimentais voltadas à silvicultura e à recuperação ambiental. Em termos de biodiversidade, a reserva concentra um dos maiores remanescentes de floresta de tabuleiro da Mata Atlântica, com mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas e uma fauna diversificada.

Já foram registradas cerca de 103 espécies de mamíferos e 410 de aves – que equivalem a aproximadamente 20% das espécies de aves do Brasil. Além disso, 59 anfíbios, 66 répteis e cerca de 1,5 mil espécies de insetos já foram encontrados na reserva.
Ciência a serviço da conservação
No fim de 2022, uma cooperação entre o ICMBio e o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS) criou o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) com o objetivo de mapear o patrimônio genético da fauna e da flora do país. A iniciativa, inédita no Brasil, reúne hoje instituições de pesquisa nacionais e internacionais e prevê a geração de genomas de referência, genomas populacionais e códigos de barras de DNA, além do teste de protocolos inovadores de DNA ambiental em alinhamento com o Programa Monitora.
Atualmente, o GBB reúne 114 projetos em andamento, voltados tanto à conservação da biodiversidade quanto a aplicações na bioeconomia e ao monitoramento de espécies em Unidades de Conservação. O programa também investe na formação técnica, já tendo capacitado mais de 230 profissionais. A expectativa é que os dados genômicos produzidos ampliem o conhecimento sobre a saúde e a estrutura das populações de espécies brasileiras, bem como sobre os impactos das mudanças climáticas e da presença de espécies invasoras.