Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, é um filhote de onça com pelagem característica com manchas negras e fundo dourado, simbolizando a conservação da vida selvagem no Brasil.
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

Xingu, a onça-pintada que nasceu no BioParque da Vale, mobiliza as redes e a comunidade

Filhote simboliza preservação proporcionada por programas ambientais  da mineração

Por Redação, 3 min de leitura

Publicado em 30/03/2026

Baixar PDF Copiar link

O nascimento de uma onça-pintada macho no BioParque Vale Amazônia, em Carajás (PA), chamou atenção nas redes sociais e em veículos de mídia nos últimos dias. Ontem (29), o filhote foi batizado de Xingu, após votação aberta ao público que teve mais de 28 mil votos. Xingu foi a opção escolhida por 56% dos participantes, superando outras opções inspiradas em rios da região amazônica. 

O anúncio ocorreu durante a programação de aniversário do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas. 

O animal, um macho com genética do Cerrado, veio ao mundo no fim de dezembro e integra um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do bioparque. O nascimento representa um avanço relevante para a conservação da espécie, que hoje figura na lista de animais ameaçados de extinção.

Nos últimos 12 anos, apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no Bioparque de Parauapebas, o que reforça a importância do episódio para os esforços de preservação da espécie.

Artigo científico publicado pela revista holandesa Biological Conservation, no ano passado, mapeou 6.389 onças-pintadas no Brasil, sendo que quase a totalidade (6 mil) está na Amazônia.

Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, relaxa ao lado de outra onça na sua área de habitat, exibindo sua beleza
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

É nesse cenário que o nascimento de filhotes em ambientes monitorados é tratado como parte das estratégias de conservação da fauna brasileira. No caso do BioParque Vale Amazônia, o filhote nasce dentro de uma estrutura mantida em área de operação da mineradora Vale, em um modelo que combina atividades industriais com iniciativas de preservação ambiental.

Mineração e preservação

Empresas de mineração mantêm projetos de conservação e preservação da biodiversidade como contrapartida para manutenção de suas licenças de operação. A Mineração Rio do Norte (MRN), por exemplo, mantém na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, no oeste do Pará, um programa contínuo de resgate e reintrodução de epífitas, plantas que se desenvolvem sobre outras espécies, como orquídeas e bromélias. 

A iniciativa retira esses exemplares antes da supressão vegetal nas áreas de lavra e os encaminha para um viveiro dedicado, onde são identificados, tratados e preparados para retorno ao ambiente natural. O programa registra mais de 20 mil epífitas resgatadas e reintegradas à floresta por ano e mantém uma coleção com mais de 2 mil plantas já recuperadas.

Em Linhares (ES), a Reserva Natural Vale reúne uma área de cerca de 23 mil hectares de Mata Atlântica e funciona como espaço de conservação, pesquisa científica e visitação pública. O local abriga coleções científicas, herbário e áreas experimentais voltadas à silvicultura e à recuperação ambiental. Em termos de biodiversidade, a reserva concentra um dos maiores remanescentes de floresta de tabuleiro da Mata Atlântica, com mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas e uma fauna diversificada. 

Xingu, a onça-pintada que nasceu no bioparque da Vale, de pelagem marcada por rosetas negras e cinza, de olhos azuis, descansando em um ambiente tranquilo.
Foto: Nereston Camargo, médico veterinário

Já foram registradas cerca de 103 espécies de mamíferos e 410 de aves – que equivalem a aproximadamente 20% das espécies de aves do Brasil. Além disso, 59 anfíbios, 66 répteis e cerca de 1,5 mil espécies de insetos já foram encontrados na reserva.

Ciência a serviço da conservação

No fim de 2022, uma cooperação entre o ICMBio e o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS) criou o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) com o objetivo de mapear o patrimônio genético da fauna e da flora do país. A iniciativa, inédita no Brasil, reúne hoje instituições de pesquisa nacionais e internacionais e prevê a geração de genomas de referência, genomas populacionais e códigos de barras de DNA, além do teste de protocolos inovadores de DNA ambiental em alinhamento com o Programa Monitora.

Atualmente, o GBB reúne 114 projetos em andamento, voltados tanto à conservação da biodiversidade quanto a aplicações na bioeconomia e ao monitoramento de espécies em Unidades de Conservação. O programa também investe na formação técnica, já tendo capacitado mais de 230 profissionais. A expectativa é que os dados genômicos produzidos ampliem o conhecimento sobre a saúde e a estrutura das populações de espécies brasileiras, bem como sobre os impactos das mudanças climáticas e da presença de espécies invasoras.

Dúvidas mais comuns

O BioParque Vale Amazônia, localizado em Carajás (PA), é uma estrutura mantida em área de operação da mineradora Vale que combina atividades industriais com iniciativas de preservação ambiental. O bioparque funciona como espaço dedicado à reprodução monitorada de espécies ameaçadas, como a onça-pintada, contribuindo significativamente para os esforços de conservação da fauna brasileira. Nos últimos 12 anos, apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no local, reforçando a importância de cada filhote para a preservação da espécie.

A onça-pintada é considerada uma espécie ameaçada de extinção devido à perda de habitat, fragmentação florestal e pressão humana. Segundo artigo científico publicado pela revista Biological Conservation, existem aproximadamente 6.389 onças-pintadas no Brasil, sendo que quase a totalidade (6 mil) está concentrada na Amazônia. A espécie desempenha um papel crucial no equilíbrio ecológico da floresta amazônica ao regular populações de herbívoros e predadores menores, preservando a rica biodiversidade da região.

Empresas de mineração mantêm projetos de conservação e preservação da biodiversidade como contrapartida para manutenção de suas licenças de operação. Exemplos incluem a Mineração Rio do Norte (MRN), que realiza resgate e reintrodução de epífitas na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, registrando mais de 20 mil plantas resgatadas e reintegradas à floresta por ano, e a Reserva Natural Vale em Linhares (ES), que protege cerca de 23 mil hectares de Mata Atlântica com mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas.

O nascimento de Xingu, um filhote macho com genética do Cerrado, representa um avanço relevante para a conservação da espécie, pois integra um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do bioparque. Considerando que apenas sete nascimentos de onça-pintada foram registrados no BioParque de Parauapebas nos últimos 12 anos, cada filhote nascido em ambientes monitorados é tratado como parte estratégica das iniciativas de preservação da fauna brasileira, aumentando a diversidade genética e a população da espécie.

O programa Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) foi criado no fim de 2022 através de cooperação entre o ICMBio e o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS), com o objetivo de mapear o patrimônio genético da fauna e da flora do país. A iniciativa inédita no Brasil reúne instituições de pesquisa nacionais e internacionais, gerando genomas de referência, genomas populacionais e códigos de barras de DNA. Atualmente, o GBB reúne 114 projetos em andamento voltados à conservação da biodiversidade, bioeconomia e monitoramento de espécies em Unidades de Conservação, tendo capacitado mais de 230 profissionais.

As ações de conservação da onça-pintada incluem programas de reprodução em ambientes monitorados como o BioParque Vale Amazônia, pesquisa científica sobre genética populacional, monitoramento de espécies em Unidades de Conservação, e iniciativas de proteção de habitat. Além disso, instituições como o Instituto Onça-Pintada promovem ações através de doações, apadrinhamento de animais, apoio financeiro a projetos específicos e divulgação do trabalho de conservação, demonstrando que a preservação da espécie requer esforço coletivo entre instituições, empresas e sociedade civil.

A Reserva Natural Vale, localizada em Linhares (ES), abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade do Brasil em seus 23 mil hectares de Mata Atlântica. O local reúne mais de 2.300 espécies vegetais catalogadas, aproximadamente 103 espécies de mamíferos, 410 espécies de aves (equivalente a 20% das espécies de aves do Brasil), 59 anfíbios, 66 répteis e cerca de 1,5 mil espécies de insetos. A reserva funciona como espaço de conservação, pesquisa científica e visitação pública, contribuindo significativamente para a preservação da Mata Atlântica.

Os dados genômicos produzidos pelo programa GBB ampliam o conhecimento sobre a saúde e a estrutura das populações de espécies brasileiras, permitindo melhor compreensão dos impactos das mudanças climáticas e da presença de espécies invasoras. Essa informação genética é essencial para orientar estratégias de conservação mais eficazes, como a seleção de indivíduos para programas de reprodução em cativeiro e a identificação de populações geneticamente viáveis. A integração de dados genômicos com monitoramento de espécies em Unidades de Conservação cria uma base científica robusta para decisões de manejo e preservação da biodiversidade brasileira.