Em operações globais, com portfólios amplos e sujeitos a oscilações de mercado, o Centro de Operações Integradas (COI) se torna um eixo estratégico de gestão corporativa. Esse foi o tema da apresentação do caso da Vale, em painel no Exposibram 2025. A gerente de Gestão e Operação Comercial de Minério de Ferro da Vale, Josiane Batista, apresentou o case, destacando que a reestruturação dos COIs envolveu US$ 400 milhões em investimentos, com ganhos estimados em US$ 10 bilhões. Essa estrutura permite alinhar as decisões de produção às prioridades dos clientes e ao comportamento do mercado.
Josiane ressaltou que a integração operacional se tornou um pilar de competitividade em um cenário de múltiplas variáveis. “Com uma visão transversal, conseguimos vender o produto certo, com as melhores condições de frete e outras variáveis que não são vistas por quem procura otimizar apenas a sua operação. Temos a visão do ótimo global, em vez do ótimo local”, esclareceu.
A analista de Negócios Natália Lio Correia, integrante da equipe de Josiane, apresentou uma linha do tempo da evolução do COI na companhia. Entre 2020 e 2025, o número de centros integrados foi reduzido de 56 para 17, representando um salto em eficiência e coordenação. Em 2019, havia sido consolidado o COI voltado aos negócios na Ásia, e, desde então, os centros de monitoramento de ativos (CMAs) passaram a ser incorporados às estruturas integradas, ampliando a visibilidade sobre toda a cadeia operacional.
Modelo dinâmico e novas alavancas de valor
Para Bruno Balbi, líder para a América Latina de Operações Digitais da EY, a estratégia dos COIs está em centralizar a tomada de decisão para geração de valor, mas sem um modelo único. “A alavanca de valor não é a mesma para todas as empresas, nem em todos os momentos de uma empresa”, pontuou. Ele lembrou que, por volta de 2005, os primeiros COIs, no segmento de minério de ferro, foram criados para responder ao aumento da demanda com foco em redução de custos. “Ao juntar as pessoas e conseguir uma visibilidade mais ampla e coordenada das operações e negócios, se constatou que o COI serve a outras alavancas de valor”, observou.

Segundo Balbi, o período de expansão do volume teve como efeito colateral uma queda de 30% na produtividade. Com a redefinição das metas e o reajuste dos preços na década passada, a agenda mudou. “No caso da Vale, em 2016 começou a buscar a ‘descomoditização’, considerando que a cotação do ferro chegaria a menos de US$ 100 por tonelada”, relatou. O ganho incremental com a customização dos produtos pode chegar, segundo ele, a 30%. “Nem todas as aplicações exigem minério com o mesmo teor”, exemplificou Josiane. Ela acrescentou que a customização da oferta gera ganhos de eficiência para a empresa e para o cliente.
Além de ganhos econômicos, o especialista ressaltou que a pressão crescente por ESG e outros compromissos globais ampliou o papel dos COIs como modelo adaptável às novas prioridades. “O COI é um modelo operacional que se adapta aos objetivos e prioridades em cada caso ou momento”, definiu.
Inteligência artificial e integração da cadeia de valor
Entre as perspectivas de evolução, Balbi destacou três frentes: a extensão do gerenciamento integrado a toda a cadeia de valor, inclusive com o ingresso de clientes; o uso crescente de inteligência artificial generativa (GenAI) e a adoção de agentes de IA, que, por sua vez, são aplicados para tornar os modelos mais flexíveis e responsivos aos movimentos de mercado.
Essas transformações indicam que a visão gerencial segmentada, voltada apenas ao desempenho de cada área, foi insuficiente diante de estruturas que conectam variáveis técnicas, econômicas e comerciais em tempo real. “As oportunidades com cada item do portfólio e as decisões sobre lançamentos se baseiam em uma visão coordenada e ampla sobre o que acontece na companhia, entre os segmentos de clientes e nas tendências de mercado”, mencionou.
Confira a cobertura completa da Exposibram na página especial do Radar Mineração.
Dúvidas mais comuns
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Um Centro de Operações Integradas é um eixo estratégico de gestão corporativa que centraliza a tomada de decisão para geração de valor em operações globais. O COI permite alinhar as decisões de produção às prioridades dos clientes e ao comportamento do mercado, oferecendo uma visão transversal e coordenada de toda a cadeia operacional, em vez de otimizações isoladas por área.
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A Vale investiu US$ 400 milhões na reestruturação de seus Centros de Operações Integradas, com ganhos estimados em US$ 10 bilhões. Além disso, a empresa reduziu o número de centros integrados de 56 para 17 entre 2020 e 2025, representando um salto significativo em eficiência e coordenação operacional.
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A gestão integrada oferece uma visão coordenada e ampla sobre o que acontece na companhia, conectando variáveis técnicas, econômicas e comerciais em tempo real. Diferentemente da gestão segmentada, que otimiza apenas o desempenho de cada área isoladamente, a gestão integrada permite visualizar o ótimo global, considerando múltiplas variáveis como frete, comportamento de mercado e prioridades dos clientes.
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A customização de produtos é uma alavanca de valor importante nos COIs, permitindo ganhos incrementais de até 30%. Ao reconhecer que nem todas as aplicações exigem minério com o mesmo teor, a Vale consegue oferecer produtos personalizados que geram eficiência tanto para a empresa quanto para seus clientes, contribuindo para a descomoditização do produto.
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A inteligência artificial generativa (GenAI) e os agentes de IA estão sendo adotados para tornar os modelos de COI mais flexíveis e responsivos aos movimentos de mercado. Essas tecnologias permitem que os centros se adaptem rapidamente às mudanças nas prioridades corporativas e às tendências de mercado, ampliando a capacidade de tomada de decisão em tempo real.
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Os COIs funcionam como um modelo operacional adaptável que se ajusta aos objetivos e prioridades em cada caso ou momento. A pressão crescente por ESG e outros compromissos globais ampliou o papel dos COIs, permitindo que a empresa integre essas prioridades às suas decisões operacionais e comerciais de forma coordenada.
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As perspectivas de evolução dos COIs incluem três frentes principais: a extensão do gerenciamento integrado a toda a cadeia de valor, inclusive com a participação de clientes; o uso crescente de inteligência artificial generativa; e a adoção de agentes de IA para tornar os modelos mais flexíveis e responsivos. Essas transformações indicam uma mudança de paradigma na gestão operacional corporativa.
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Em operações globais sujeitas a oscilações de mercado e portfólios amplos, a integração operacional permite que as empresas alinhem decisões de produção às prioridades dos clientes e ao comportamento do mercado. Com uma visão transversal, as organizações conseguem vender o produto certo, com as melhores condições de frete e outras variáveis, alcançando o ótimo global em vez do ótimo local, o que se torna essencial para competitividade em cenários complexos.

