Explorador em uma cavidade subterrânea com paredes rochosas e uma pequena piscina de água, explorando uma caverna de formações rochosas e ambiente úmido.
Espelho d’água no interior de cavidade ferrífera (Foto: Robson de A. Zampaulo)

Guia consolida boas práticas para o monitoramento de cavernas ferríferas no Brasil

Publicação inédita e gratuita reúne especialistas, sistematiza mais de uma década de experiências de campo e reforça o monitoramento espeleológico como ferramenta estratégica para conciliar mineração e preservação ambiental

Por Hélvio Macellane *, 3 min de leitura

Publicado em 31/03/2026

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  • Guia de boas práticas para monitoramento espeleológico de cavernas ferríferas foi lançado pela Editora Rupestre, consolidando metodologias para acompanhar integridade física, ambiental e biológica dessas formações.
  • Brasil possui mais de 6 mil cavernas ferríferas registradas, concentradas em Minas Gerais e Pará, representando cerca de 20% do total de cavernas catalogadas no país.
  • Publicação resulta de esforço coletivo com 50 autores de empresas, consultorias, universidades e instituições públicas, fortalecendo a interface entre pesquisa, conservação e desenvolvimento em áreas de mineração.
Resumo revisado pela redação.

O lançamento do “Guia de Boas Práticas para o Monitoramento Espeleológico de Cavernas Ferríferas”, publicado pela Editora Rupestre, marca um avanço relevante para a gestão ambiental em áreas de mineração. A obra organiza metodologias consolidadas para acompanhar a integridade física, ambiental e biológica das cavernas ferríferas. Segundo o livro, o Brasil já tem possui mais de 6 mil cavernas desse tipo registradas, concentradas principalmente em Minas Gerais e no Pará, o que representa cerca de 20% do total de cavernas catalogadas no país.

Organizado por Matheus Henrique Simões, Robson de Almeida Zampaulo e Iuri Viana Brandi, o guia foi lançado na primeira quinzena de março e resulta de um esforço coletivo que envolve cerca de 50 autores, distribuídos em nove capítulos técnicos. O grupo reúne profissionais de empresas, consultorias, universidades e instituições públicas, com atuação direta em regiões como o Quadrilátero Ferrífero (MG) e a Serra dos Carajás (PA).

Para Iuri Brandi, gerente-geral de Estudos Técnicos em Meio Ambiente da Vale, o livro traduz o grau de maturidade alcançado por esse trabalho conjunto. “O guia é uma obra que evidencia a força do trabalho em equipe voltado a resultados concretos. Esperamos que sirva de referência e inspiração para os profissionais que atuam no monitoramento espeleológico”, afirma. Segundo ele, a publicação também reflete “o exercício da sustentabilidade na prática, ao buscar o equilíbrio entre a atividade minerária e a proteção das cavernas”.

Exploração em cavernas com formações rochosas e cavidades, mostrando a complexidade das cavernas subterrâneas.
Caverna ferrífera em área mineralizada com equipe em atividade de campo (Foto: Ataliba Coelho)

Outro organizador, Matheus Simões, especialista em Licenciamento da Vale, destaca o caráter aplicado do guia e sua conexão com a prática. “O desenvolvimento do guia integrou especialistas de diferentes áreas com o objetivo de consolidar o conhecimento técnico de forma clara, aplicável e alinhada às práticas mais atuais”, afirma. De acordo com Simões, um dos focos do trabalho foi transformar estudos e monitoramentos sistemáticos em recomendações operacionais, fortalecendo a interface entre pesquisa, conservação e desenvolvimento.

“As recentes mudanças na legislação espeleológica brasileira impulsionaram uma evolução importante do conhecimento técnico e científico sobre as cavernas do país. O desafio foi organizar esse acúmulo de experiências de campo em reflexões orientadas ao aprimoramento do monitoramento e da gestão das cavernas ferríferas”, enfatiza Robson Zampaulo, biólogo, especialista em fauna subterrânea e diretor da empresa RZampaulo, terceiro organizador da obra.

O que são cavernas ferríferas?

Explorador dentro de uma cavidade natural de rochas, mostrando a grandiosidade da formação geológica, ideal para aventuras de exploração e turismo de cavernas.
Interior de cavidade ferrífera com formações rochosas (Foto: Ataliba Coelho)

Cavernas ferríferas são formações em rochas ricas em ferro, comuns em regiões onde há minério, como partes de Minas Gerais e do Pará. Elas surgem ao longo de milhões de anos, a partir de processos naturais que moldam a rocha e criam espaços subterrâneos.

Diferentemente das cavernas de calcário, mais conhecidas, as cavernas ferríferas não dependem apenas da ação da água para se formar. Elas se desenvolvem a partir de fraturas, desgastes naturais e transformações na estrutura da rocha, o que resulta em grande diversidade de formas e tamanhos.

Essas cavidades integram o patrimônio natural brasileiro e ajudam a compreender a história geológica das regiões onde ocorrem. Por estarem frequentemente associadas a áreas de mineração, despertam o interesse de pesquisadores, empresas e gestores ambientais, que buscam ampliar o conhecimento sobre seu funcionamento e integrá-las de forma mais consistente ao planejamento territorial.

Serviço

SIMÕES, Matheus Henrique; ZAMPAULO, Robson de Almeida; BRANDI, Iuri Viana (org.). Guia de boas práticas para o monitoramento espeleológico de cavernas ferríferas. Belo Horizonte: Editora Rupestre, 2025. Disponível gratuitamente em:
https://editorarupestre.com.br/guia-de-boas-praticas-para-o-monitoramento-espeleologico-de-cavernas-ferriferas
Acesso em: 20 mar. 2026.

*Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

É uma publicação organizada pela Editora Rupestre que consolida metodologias para acompanhar a integridade física, ambiental e biológica das cavernas ferríferas. O guia foi desenvolvido por cerca de 50 autores de empresas, consultorias, universidades e instituições públicas, com foco em regiões como o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais e a Serra dos Carajás no Pará, representando um avanço relevante para a gestão ambiental em áreas de mineração.

Cavernas ferríferas são formações em rochas ricas em ferro, comuns em regiões onde há minério, como partes de Minas Gerais e do Pará. Diferentemente das cavernas de calcário, elas não dependem apenas da ação da água para se formar, desenvolvendo-se a partir de fraturas, desgastes naturais e transformações na estrutura da rocha ao longo de milhões de anos, resultando em grande diversidade de formas e tamanhos.

O Brasil possui mais de 6 mil cavernas ferríferas registradas, concentradas principalmente em Minas Gerais e no Pará, o que representa cerca de 20% do total de cavernas catalogadas no país. Essas cavidades integram o patrimônio natural brasileiro e ajudam a compreender a história geológica das regiões onde ocorrem.

O monitoramento é essencial para garantir a harmonia entre a mineração e a preservação das cavernas, assegurando a sustentabilidade nas áreas de exploração mineral. Através do acompanhamento sistemático da integridade física, ambiental e biológica, é possível elevar o padrão do monitoramento espeleológico e contribuir para o planejamento territorial mais consistente que integre essas cavidades ao desenvolvimento regional.

O guia foi organizado por Matheus Henrique Simões, Robson de Almeida Zampaulo e Iuri Viana Brandi, com participação de cerca de 50 autores distribuídos em nove capítulos técnicos. O desenvolvimento foi resultado de um trabalho colaborativo que integrou especialistas de diferentes áreas, convertendo estudos e monitoramentos sistemáticos em recomendações operacionais alinhadas às práticas mais atuais.

As cavernas ferríferas diferem principalmente das cavernas de calcário por não dependerem apenas da ação da água para se formar. Elas se desenvolvem a partir de fraturas, desgastes naturais e transformações na estrutura da rocha ferrífera, criando espaços subterrâneos com grande diversidade de formas e tamanhos, resultado de processos geológicos específicos das regiões mineralizadas.

O guia demonstra como é possível exercer a sustentabilidade na prática, assegurando a harmonia entre a mineração e a preservação das cavernas. A publicação foi desenvolvida no contexto da compensação ambiental espeleológica, integrando pesquisa, conservação e desenvolvimento para fortalecer a interface entre essas atividades e elevar os padrões de monitoramento em ambientes ferruginosos.

O Guia de Boas Práticas para o Monitoramento Espeleológico de Cavernas Ferríferas foi publicado pela Editora Rupestre em março de 2025 e está disponível gratuitamente no site https://editorarupestre.com.br/guia-de-boas-praticas-para-o-monitoramento-espeleologico-de-cavernas-ferriferas. A publicação contou com apoio da Vale através de suas áreas de Licenciamento Ambiental e Regulatório.