Explorador em uma cavidade subterrânea com paredes rochosas e uma pequena piscina de água, explorando uma caverna de formações rochosas e ambiente úmido.
Espelho d’água no interior de cavidade ferrífera (Foto: Robson de A. Zampaulo)

Guia consolida boas práticas para o monitoramento de cavernas ferríferas no Brasil

Publicação inédita e gratuita reúne especialistas, sistematiza mais de uma década de experiências de campo e reforça o monitoramento espeleológico como ferramenta estratégica para conciliar mineração e preservação ambiental

Por Hélvio Macellane *, 3 min de leitura

Publicado em 31/03/2026 | Atualizado em 08/04/2026

Baixar PDF Copiar link

O lançamento do “Guia de Boas Práticas para o Monitoramento Espeleológico de Cavernas Ferríferas”, publicado pela Editora Rupestre, marca um avanço relevante para a gestão ambiental em áreas de mineração. A obra organiza metodologias consolidadas para acompanhar a integridade física, ambiental e biológica das cavernas ferríferas. Segundo o livro, o Brasil já tem possui mais de 6 mil cavernas desse tipo registradas, concentradas principalmente em Minas Gerais e no Pará, o que representa cerca de 20% do total de cavernas catalogadas no país.

Organizado por Matheus Henrique Simões, Robson de Almeida Zampaulo e Iuri Viana Brandi, o guia foi lançado na primeira quinzena de março e resulta de um esforço coletivo que envolve cerca de 50 autores, distribuídos em nove capítulos técnicos. O grupo reúne profissionais de empresas, consultorias, universidades e instituições públicas, com atuação direta em regiões como o Quadrilátero Ferrífero (MG) e a Serra dos Carajás (PA).

Para Iuri Brandi, gerente-geral de Estudos Técnicos em Meio Ambiente da Vale, o livro traduz o grau de maturidade alcançado por esse trabalho conjunto. “O guia é uma obra que evidencia a força do trabalho em equipe voltado a resultados concretos. Esperamos que sirva de referência e inspiração para os profissionais que atuam no monitoramento espeleológico”, afirma. Segundo ele, a publicação também reflete “o exercício da sustentabilidade na prática, ao buscar o equilíbrio entre a atividade minerária e a proteção das cavernas”.

Exploração em cavernas com formações rochosas e cavidades, mostrando a complexidade das cavernas subterrâneas.
Caverna ferrífera em área mineralizada com equipe em atividade de campo (Foto: Ataliba Coelho)

Outro organizador, Matheus Simões, especialista em Licenciamento da Vale, destaca o caráter aplicado do guia e sua conexão com a prática. “O desenvolvimento do guia integrou especialistas de diferentes áreas com o objetivo de consolidar o conhecimento técnico de forma clara, aplicável e alinhada às práticas mais atuais”, afirma. De acordo com Simões, um dos focos do trabalho foi transformar estudos e monitoramentos sistemáticos em recomendações operacionais, fortalecendo a interface entre pesquisa, conservação e desenvolvimento.

“As recentes mudanças na legislação espeleológica brasileira impulsionaram uma evolução importante do conhecimento técnico e científico sobre as cavernas do país. O desafio foi organizar esse acúmulo de experiências de campo em reflexões orientadas ao aprimoramento do monitoramento e da gestão das cavernas ferríferas”, enfatiza Robson Zampaulo, biólogo, especialista em fauna subterrânea e diretor da empresa RZampaulo, terceiro organizador da obra.

O que são cavernas ferríferas?

Explorador dentro de uma cavidade natural de rochas, mostrando a grandiosidade da formação geológica, ideal para aventuras de exploração e turismo de cavernas.
Interior de cavidade ferrífera com formações rochosas (Foto: Ataliba Coelho)

Cavernas ferríferas são formações em rochas ricas em ferro, comuns em regiões onde há minério, como partes de Minas Gerais e do Pará. Elas surgem ao longo de milhões de anos, a partir de processos naturais que moldam a rocha e criam espaços subterrâneos.

Diferentemente das cavernas de calcário, mais conhecidas, as cavernas ferríferas não dependem apenas da ação da água para se formar. Elas se desenvolvem a partir de fraturas, desgastes naturais e transformações na estrutura da rocha, o que resulta em grande diversidade de formas e tamanhos.

Essas cavidades integram o patrimônio natural brasileiro e ajudam a compreender a história geológica das regiões onde ocorrem. Por estarem frequentemente associadas a áreas de mineração, despertam o interesse de pesquisadores, empresas e gestores ambientais, que buscam ampliar o conhecimento sobre seu funcionamento e integrá-las de forma mais consistente ao planejamento territorial.

Serviço

SIMÕES, Matheus Henrique; ZAMPAULO, Robson de Almeida; BRANDI, Iuri Viana (org.). Guia de boas práticas para o monitoramento espeleológico de cavernas ferríferas. Belo Horizonte: Editora Rupestre, 2025. Disponível gratuitamente em:
https://editorarupestre.com.br/guia-de-boas-praticas-para-o-monitoramento-espeleologico-de-cavernas-ferriferas
Acesso em: 20 mar. 2026.

*Especial para o Radar Mineração

Dúvidas mais comuns

Cavernas ferríferas são formações em rochas ricas em ferro que se desenvolvem ao longo de milhões de anos através de processos naturais como fraturas, desgastes e transformações na estrutura rochosa. Diferentemente das cavernas de calcário, não dependem apenas da ação da água para se formar. O Brasil possui mais de 6 mil cavernas ferríferas registradas, concentradas principalmente em Minas Gerais e no Pará, representando cerca de 20% do total de cavernas catalogadas no país.

O monitoramento espeleológico é fundamental para acompanhar a integridade física, ambiental e biológica das cavernas ferríferas, especialmente em áreas de mineração. Esse trabalho permite compreender a história geológica das regiões, integrar as cavidades ao planejamento territorial de forma consistente e garantir o equilíbrio entre a atividade minerária e a proteção do patrimônio natural brasileiro.

A prospecção de cavernas é um trabalho que possibilita conhecimento detalhado do patrimônio espeleológico de uma área delimitada pelo estudo. Seu objetivo é contribuir para o incremento do banco de dados das cavernas presentes no contexto regional e nacional, fornecendo informações essenciais para o planejamento ambiental e a gestão de áreas com potencial minerário.

O guia foi organizado por Matheus Henrique Simões, especialista em Licenciamento da Vale; Robson de Almeida Zampaulo, biólogo especialista em fauna subterrânea; e Iuri Viana Brandi, gerente-geral de Estudos Técnicos em Meio Ambiente da Vale. A obra resulta de um esforço coletivo envolvendo cerca de 50 autores distribuídos em nove capítulos técnicos, reunindo profissionais de empresas, consultorias, universidades e instituições públicas.

As cavernas ferríferas estão concentradas principalmente em duas regiões: o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais e a Serra dos Carajás no Pará. Essas áreas são caracterizadas pela presença de minério de ferro e representam os principais focos de pesquisa e monitoramento espeleológico no país, onde atuam os profissionais envolvidos na elaboração do guia de boas práticas.

O guia traduz o exercício da sustentabilidade na prática ao buscar o equilíbrio entre a atividade minerária e a proteção das cavernas ferríferas. Ele consolida conhecimento técnico de forma clara e aplicável, transformando estudos e monitoramentos sistemáticos em recomendações operacionais que fortalecem a interface entre pesquisa, conservação e desenvolvimento, refletindo a maturidade alcançada pelo trabalho conjunto de especialistas.

As recentes mudanças na legislação espeleológica brasileira impulsionaram uma evolução importante do conhecimento técnico e científico sobre as cavernas do país. Essas mudanças motivaram a organização do guia como forma de consolidar o acúmulo de experiências de campo em reflexões orientadas ao aprimoramento do monitoramento e da gestão das cavernas ferríferas, alinhando as práticas às exigências legais atualizadas.

As cavernas ferríferas se desenvolvem em rochas ricas em ferro através de fraturas, desgastes naturais e transformações na estrutura rochosa, resultando em grande diversidade de formas e tamanhos. Diferentemente das cavernas de calcário, mais conhecidas, as cavernas ferríferas não dependem apenas da ação da água para se formar, o que as torna formações geológicas únicas com características e processos de desenvolvimento distintos.