Da esquerda para a direita: Frederico Dias, Benjamin Zymler, Thiago Miller, Luciana Mattar, Marcelo Fonseca e Mauro Henrique Moreira Souza
Da esquerda para a direita: Frederico Dias, Benjamin Zymler, Thiago Miller, Luciana Mattar, Marcelo Fonseca e Mauro Sousa (Foto: Agência Nacional de Mineração)

ANM defende estabilidade regulatória para ampliar confiança de investidores

No Fórum Nacional Brasil Export 2006, diretor-geral da ANM afirmou que previsibilidade, fortalecimento e autonomia das agências reguladoras são essenciais para dar segurança aos investimentos no setor mineral

Por Mariana Sgarioni 2 min de leitura

Publicado em 09/10/2026

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Pela abundância de recursos, o Brasil, literalmente, pode ser a galinha dos ovos de ouro aos olhos dos investidores em mineração. Porém, existem algumas arestas a serem aparadas para que o país atraia, de fato, estes investimentos. Uma delas diz respeito ao papel das agências reguladoras.

Este foi o tema do painel InfraJur, que aconteceu nesta quarta-feira (7), no Fórum Nacional Brasil Export 2026, encontro dedicado aos setores de direito, transporte, energia e mineração.

O debate reuniu os diretores-gerais da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Marcelo Fonseca. A discussão também contou com a participação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler e foi moderada pela advogada Luciana Mattar.

De acordo com Sousa, é preciso pavimentar a segurança do investidor. E isso está ligado diretamente à previsibilidade regulatória. Ele ressaltou, entretanto, que estabilidade não significa manter as regras imutáveis, mas garantir coerência na atuação da agência e segurança sobre a forma como as decisões são tomadas.

O diretor da ANM lembrou que o mercado precisa ter mais certeza sobre como as regras são aplicadas e quais são os critérios para as deliberações, evitando surpresas que afastem os investidores.

Sousa também defendeu uma atuação mais conjunta, com a participação da sociedade e do setor regulado na construção das regras.

A contribuição da sociedade e do setor regulado é fundamental para que seja construída uma relação de confiança. E isso traz uma ideia de estabilidade e de previsibilidade.

Mauro Sousa

Governança

No debate, os painelistas concordaram ainda que é preciso defender a legitimidade técnica e da governança de longo prazo para evitar riscos de controle excessivo e assegurar a atratividade dos contratos.

O ministro Benjamin Zymler apoiou uma atuação do controle externo que preserve a autonomia e a chamada deferência técnica às decisões das agências. Para Zymler, o controle deve se concentrar em situações de ilegalidade e riscos relevantes, sem substituir as escolhas técnicas dos órgãos reguladores.

Nós estamos sempre diante do grande desafio que é a tensão natural entre autonomia e controle.

Benjamin Zymler