O LinkedIn Green Skills Report 2025 revela um movimento acelerado no mercado. As contratações que exigem habilidades verdes têm crescido quase o dobro da velocidade da formação desses profissionais. No Brasil, essa taxa chegou a 18,1% em 2025, enquanto a concentração de talentos verdes avançou para 15,3%, evidenciando um descompasso preocupante e um alerta para empresas e trabalhadores.

Pela primeira vez, mais da metade das contratações verdes (53%) ocorre em cargos que não eram tradicionalmente ligados à sustentabilidade. Isso indica que essas competências estão se tornando essenciais em funções diversas, inclusive na mineração, onde eficiência e adaptação climática são prioridades para garantir competitividade e atender às exigências do mercado.
“Um profissional com green skills acaba sendo contratado 47% mais rápido do que outros. Isso mostra que temos uma grande oportunidade e, ao mesmo tempo, um desafio enorme pela frente”, afirma Ana Claudia Plihal, Executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil, em entrevista ao Rm. Para ela, é preciso acelerar a formação e conectar academia, mercado e governo para fechar essa lacuna.
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Já o interesse dos profissionais é evidente: cerca de 43% querem atuar em empregos ligados à transição energética, chegando a 58% entre a Geração Z e 52% entre millennials. Porém, 44% afirmam não receber treinamento e 30% não têm as competências necessárias para ocupar essas funções. “Quando você começa a entender os elementos dessa equação, percebe que temos uma geração preparada e empresas com posicionamento claro, mas falta conexão entre esses dois mundos”, destaca Plihal.
As habilidades devem ir além de cursos pontuais, integrando temas como mitigação de riscos, eficiência operacional, gestão da cadeia de suprimentos e impactos das mudanças climáticas. No Brasil, essas habilidades estão entre as mais demandadas na mineração e setores correlatos, que concentram 33,3% das contratações verdes, segundo o relatório.
Outro ponto crítico é a comunicação das vagas, pois muitas empresas têm iniciativas robustas, mas isso não chega aos candidatos. “Existe um problema enorme de comunicação. O candidato olha o título da vaga e pensa: ‘isso não é para mim’. Precisamos olhar menos para o título e mais para as competências, tornando as posições mais acessíveis e democráticas”, explica Plihal.
Para acelerar a formação, empresas podem combinar treinamentos internos com plataformas digitais. O LinkedIn Learning, por exemplo, oferece cursos sobre sustentabilidade e transição energética, permitindo que profissionais iniciem sua jornada de aprendizado de forma prática e acessível, conectando teoria e aplicação no dia a dia.
Por fim, Plihal resume o desafio. “Não é sobre criar um departamento de sustentabilidade, mas sobre espalhar essas habilidades por toda a organização. Quando isso acontece, não estamos apenas mudando processos. Estamos transformando o mercado e criando um futuro melhor”, conclui.
Conheça duas trilhas de aprendizado do LinkedIn Learning:
· Aprimore suas habilidades em sustentabilidade
· Habilidades de sustentabilidade para líderes
Formação e requalificação para a nova mineração

A demanda por profissionais preparados para a mineração sustentável cresce em ritmo acelerado. Universidades, escolas técnicas e empresas se mobilizam para formar talentos capazes de unir tecnologia, sustentabilidade e visão sistêmica.
Felipe Ribeiro Souza, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e coordenador da Unidade de Mineração Sustentável da EMBRAPII, resume o desafio: “O segredo está em voltar às bases: física, química e estatística.” Para ele, a tecnologia não substitui conhecimento essencial, mas exige integração entre ciências básicas e ferramentas digitais.
Essa integração é decisiva porque cada minério tem características únicas. “Um minério nunca é igual ao outro. Para aplicar IA ou automação, é preciso entender seu comportamento”, explica Souza. Ele alerta que algoritmos prontos não resolvem tudo: “Não basta usar modelos disponíveis na internet. É preciso saber como funcionam e adaptá-los à realidade de cada mina.” Essa abordagem garante segurança e eficiência em operações complexas.
Projetos práticos com empresas já atraem parcerias internacionais e convites para pesquisa. A Ufop trabalha com equipes multidisciplinares e incentiva os alunos a participarem de projetos reais. “Quando desenvolvemos tecnologia, não basta entregar à indústria. É preciso formar pessoas para operar e evoluir essas soluções”, afirma Souza. Esse modelo cria oportunidades para estudantes e fortalece a conexão entre academia e mercado.
Além das habilidades técnicas, soft skills não ficam de lado. “Notamos que as novas gerações cada vez mais estão presas dentro do seu próprio mundo digital ”, observa Souza. Comunicação, pensamento crítico e visão sistêmica são essenciais para lidar com contextos complexos e garantir licenciamento social, especialmente em projetos que envolvem comunidades locais.
Programas de qualificação também avançam fora das universidades com mineradoras, Senai e institutos federais oferecendo cursos rápidos para preparar técnicos e engenheiros para novas demandas, como operação de plantas solares, gestão de carbono e análise de dados industriais.
Empresas também criam trilhas internas de aprendizado

A Wabtec, focada em soluções para transporte ferroviário, investe em ciência de dados, automação e inteligência artificial para otimizar locomotivas e reduzir emissões. “Temos investido de forma estratégica na atração e desenvolvimento de talentos com competências digitais e analíticas, essenciais para impulsionar a transformação tecnológica no setor ferroviário.” afirma a companhia.
No Centro de Engenharia em Contagem, competências digitais como IoT e análise de dados são prioridade, junto com a colaboração. Além da tecnologia, a empresa aposta na diversidade como motor de transformação. “Priorizamos a formação de equipes diversas — em idade, experiência, raça, gênero, por exemplo — para promover trocas mais ricas, estimular a criatividade e garantir representatividade, fatores que fortalecem nosso diferencial competitivo.”
Glossário da Mineração
Empregos Verdes
São ocupações que contribuem para a preservação ou restauração do meio ambiente, reduzindo impactos negativos e promovendo práticas sustentáveis. Incluem atividades ligadas à eficiência energética, gestão de resíduos, energias renováveis, agricultura sustentável e conservação de recursos naturais, alinhando desenvolvimento econômico à responsabilidade ambiental.
A Wabtec também aposta em inovação com propósito. “Nossas locomotivas mais modernas permitem uso de combustíveis alternativos e biocombustíveis, reduzindo emissões sem comprometer eficiência”, explica a empresa. Em parceria com a Vale, iniciou testes inéditos com etanol em locomotivas, além de ampliar o uso de biodiesel. Essas iniciativas mostram como tecnologia e sustentabilidade caminham juntas na cadeia logística da mineração.
Na mesma direção, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) investe fortemente em qualificação e práticas sustentáveis. Em 2024, a empresa destinou R$ 1,2 bilhão para projetos ESG e inovação, incluindo o programa DigitALL, que capacita equipes em análise de dados, IoT e gestão de carbono.
A CBA é signatária do Science Based Targets initiative (SBTi) e reporta avanços em economia circular e redução de emissões, evidenciando como a transição para um setor mais verde também exige profissionais com competências digitais e socioambientais.
Esse movimento revela um ponto crucial: a integração entre academia e indústria é estratégica para acelerar a formação de uma mão de obra preparada para a mineração do futuro.
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